terça-feira, 11 de agosto de 2009

Festival de Ópera vem aí!


A quatro dias da estreia, o III Festival Internacional de Ópera da Amazônia faz, na noite desta segunda-feira (10), o último ensaio antes da avant premiére, que acontece quarta-feira (12). O Festival de Ópera da Amazônia reúne histórias de amor, lendas amazônicas, tragédia, drama e uma homenagem ao tenor italiano Luciano Pavarotti. O programa de abertura é o clássico "Romeu e Julieta", de Charles Gounod (1818-1893). Com uma programação cuja entrada é quase inteiramente de graça, o festival mantém viva a vocação para receber grandes óperas da maior casa de espetáculos paraense, o Theatro da Paz.

"Escolhemos ‘Romeu e Julieta' porque este é o ano da França no Brasil. Nada melhor que abrir o festival com uma obra escrita em francês", explicou a diretora de Produção, Nandressa Nuñes. A soprano Isabelle Sabrié, que interpreta Julieta, a protagonista da ópera, se diz lisonjeada e honrada com o convite para cantar em Belém. Francesa, ela atualmente mora em Manaus (AM). A mudança para a Amazônia aconteceu depois de uma apresentação na Guiana Francesa. "Fiquei apaixonada por essa região", disse.

Segundo Nandressa, a programação será variada. São duas óperas completas, um concerto lírico, lançamento de livro e DVD, palestra e um espetáculo de encerramento ao ar livre. E este ano, uma novidade: uma apresentação na Igreja de Santo Alexandre. "O Theatro da Paz é a casa da ópera paraense, mas o festival amplia seus domínios e vai a outros espaços este ano", confirmou a diretora.

Mais de 100 pessoas trabalham por trás das cortinas em ritmo intenso para garantir a montagem de tudo. Com pelo menos cinco convidados especiais, que vão interpretar os principais papéis nas óperas, o festival reúne técnicos de luz e som, figurinistas, aderecistas, cenógrafos, cantores, músicos e consagrados nomes mundiais da ópera, como o americano Bill Ferrara, diretor cênico de "Romeu e Julieta".

Elenco - A ópera que abre o festival reúne mais de 140 artistas no palco para contar a história de amor mais célebre da literatura universal. Uma novidade são cenas em que os artistas vão encenar lutas de esgrima. Para garantir maior verossimilhança, treinam com o especialista Afonso Galvão, paraense campeão sulamericano da categoria.

"Essa é uma característica do festival: agregamos valores e talentos de várias partes do mundo com as pratas da casa. Mais de 90% da mão-de-obra do festival são locais. Os materiais usados para confeccionar cenários e figurino foi comprado quase todo aqui e temos paraenses cantando em papéis de destaque. Provamos, assim, que é possível apresentar um espetáculo de nível internacional priorizando o que temos no nosso estado", reforçou Nandressa Nuñes.

A direção musical este ano está a cargo do paraense Enaldo Oliveira, que assumiu a regência da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz (OSTP). "O secretário (de Cultura) Edilson Moura me convidou pessoalmente quando cheguei a Belém, de férias, em junho deste ano", contou. "Sou de Tucuruí e vivi minha vida musical em Belém. Considero esse um novo desafio para a minha carreira", declara o maestro, que substitui o paulista Mateus Araújo, que esteve por cinco anos à frente da OSTP.

O corpo de baile de "Romeu e Julieta" é da escola de danças Ana Unger - que faz também a coreografia -, com dez bailarinos em cena, na composição dos atos. O Coro Lírico do Festival terá as 50 vozes do Coral Marina Monarcha, fonte de alguns dos maiores talentos vocais que o Pará vem produzindo nas últimas décadas. Os cenários são do paulista Carlos Alberto Dalarmelino e os figurinos, de Fernando Leite, também de São Paulo. O paraense Rubens Almeida assina a iluminação.

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*Texto editado da Agência Pará de Notícias

6 comentários:

Ao redor disse...

Vontade de chorar!!!

Carlos Barretto disse...

Ótima notícia!
Sou frequentador assíduo.

. disse...

Vem pra cá, amiga! Passa uns diazinhos!!!

Somos, Carlos. Somos!

Mariana Lettis disse...

Dando uma de Irieneu, hein!? kkkkkkkkkkkk

. disse...

hahahahahhhahahahahah
Essa foi ótima, Mariana!!!

André Costa Nunes disse...

JUVÊNCIO ARRUDA
André Costa Nunes
andré@terradomeio.com.br

Conheci o Juvêncio faz menos de um ano. Não houve sequer tempo para chamá-lo de Juca. Lafayette apresentou-me, em um certo fim de tarde de meio de semana, no bar do Ranulfo, colado ao Quem São Eles.

-Juca, este é meu pai, de quem te falei.

Pronto. Virou amigo de infância, de juventude, embora quase vinte anos separassem nossas infância e juventude. Acho que ele levava muito a sério o fato de ser juvêncio. Daí para a Terra do Meio, ficar de bubuia nas águas do Rio Uriboca foi um pulo. E parecia que era frequentador do lugar há vinte, trinta anos. Desde sempre. E haja irreverência, casos e causos.

Fizemos planos e mais planos para o seu Quinta Emenda. Blog, a mídia do futuro, concordávamos. E o futuro chegara. Concordávamos também. No mais, discutíamos e, por vezes discordávamos. Um citadino com extrema sensibilidade cabocla, coisa que eu, cabocão xinguara, buscava, até com impaciência, nos meus amigos urbanos.

Juvêncio, por que não Juca? estava almoçando comigo na maloca à beira do Uriboca. Fora trazido pelo Lafayette, que, sem eu saber, convidara o irmão, André, que é médico. André chegou quando a caldeirada já estava no meio. Abriu uma cerveja e alimentou o papo.

Quando esperávamos a sobremesa, queijo de búfala com doce de cupu e castanha, quase com displicência, pegou os exames do Juvêncio. Ele os levara para isso mesmo, para uma avaliação do André. Pneumologista, pegou logo a radiografia do tórax. Antes que a olhasse contra o sol, Juvêncio ainda brincou:

– e aí, cara, quantos meses ainda tenho de vida?

Acho que só eu notei o tremendo esforço que o André fez para não demonstrar a angústia que sentia.

Sem responder perguntou:

– estás dirigindo?

- não, vim na carona do Lafa.

– vamos comigo.

Conversamos no caminho. Juvêncio ainda insistiu em perguntar alguma coisa que não me lembro. O Lafayette ficou mudo. Os três, em silêncio, dirigiram-se para os carros estacionados à sombra da mangueira.

A sobremesa chegou. Ninguém comeu. A cerveja esquentou. Fiquei só. Eu e meu rio, com aquele nó na garganta e um sentimento profundo, indefinido, mundiado, que só os cabocos velhos sabem sentir.

Poucos dias depois, não me lembro quantos, o André me telefonou do hospital. Acabara de assinar o atestado de óbito do Juvêncio. Disse duas palavras e calou. Ainda devemos ter ficado um bom tempo com o celular ao ouvido. Nada mais havia a dizer ou a perguntar.

"Requiescant in pace", camarada.