segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Aprendam, adultos!

Dalila e eu conversávamos sobre um amigo dela que fez uma piada racista que a incomodou.

Tarsila, 6 anos, escuta a conversa e, como sempre que falamos algo que ela não entende, pergunta:

- É quando alguém faz uma piada sobre a raça de outra pessoa.
- Não entendi.
- É quando alguém faz uma piada com a cor da pele de outra pessoa.

- O que é piada racista?

Ela faz uma cara de estranhamento, sacode a cabeça e solta:

- Mas o que a cor da pele tem a ver com piada?

Aprendam, adultos!

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Quase toda (ou seria toda?) mulher já sofreu alguma violência que invade seu corpo

Acochada no transporte público
Beijo forçado
Passada de mão na balada
Amigo dos pais ou parente que passou a mãe em ti quando criança
Olhares invasivos para o teu corpo
Assédio na rua
Assédio no trabalho
Ouvir cantadas pornôs de estranho
Sexo sem consentimento.


A lista é infindável. Posso enumerar sem forçar a memória outras tantas.

Tu, mulher que está lendo isso, certamente vais lembrar de alguma vez que sofreste algum tipo de violência sexual.

Infelizmente, quase toda (ou seria toda?) mulher já sofreu alguma violência que invade seu corpo.

E eu, como mãe de duas meninas, tenho um pânico de pensar que uma hora isso também vai acontecer com elas.

Não quero esse mundo pra elas. Não quero pra mulher alguma!

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Pobres meninas...

O patrão oferece a menina pra o colega de trabalho em cadeia nacional.

A menina dá uma resposta curta e grossa de que não está ali pra isso.
O menino insiste e convida - por meio da imprensa - a menina pra passar uma noite com ele.
O patrão não adverte o menino.
Pessoas se divertem com a exposição violenta a qual está submetida a menina.
O patrão ganha dinheiro com o ibope que a história dá.

A violência corriqueira contra as meninas segue seu curso natural.
Ninguém liga.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Quem vê cara, não vê machismo

"Mas Fulano é machista? Ele é super correto. Não acredito!"

"Vocês viram que a ex-mulher do Beltrano falou o quanto ele era escroto em casa?"

"O Sicrano é um ótimo profissional e muito talentoso. Será mesmo que ele era tão repugnante em casa?"

Miguxs, o machismo não escolhe cara, raça, condição social, formação acadêmica, ideologia. Quase todos nós fomos criados em lares machistas e com hábitos questionáveis.

Quer um exemplo corriqueiro? Rola aquele almoção de domingo, todo mundo come e bebe, mas quem vai limpar as sujeiras que ficaram, enquanto os homens tomam mais uma cervejinha ou fazem uma sesta?

Vamos pra mais um: quando o homem e a mulher são ativistas, militantes ou super ocupados no trabalho e o filho adoece, quem falta a atividade que queria ir pra ficar com a criança?

Só mais um: o casal chega em casa estourado de uma viagem de final de semana com as crias, quem vai desfazer as malas, por roupa pra lavar e ver se tem comida pra o dia seguinte, enquanto o carinha corre pra se estirar no sofá porque está cansado?

Citei três exemplos "leves", mas poderia tranquilamente aprofundar para o cara que oprime psicologicamente a companheira dizendo que está apenas ensinando as coisas pra ela, para o que não paga pensão e negligencia os filhos após a separação, para o que chega em casa e faz chantagem emocional pra mulher transar com ele mesmo que ela não esteja a fim.

"Ah, mas lá em casa é diferente!". Simmmm, é claro que há situações diferentes! Raras, mas há!

O fato é que em quase a totalidade dos lares brasileiros (isso pra ficar só no país) os comportamentos machistas se repetem, vindo até mesmo daquele fulano que você nunca imaginou.

Confesso que nenhuma situação que vem à tona me surpreende. Nossos companheiros foram criados assim e muitos deles não estão nem aí pra isso e não fazem essa autocrítica.

O que nos cabe é nos desconstruirmos, apontarmos os problemas, debatermos em casa, na escola, no trabalho, e tentarmos que uma nova geração não "surpreenda" mais ninguém.

segunda-feira, 27 de março de 2017

Em Belém as vidas valem menos do que em Curitiba?

No meio do ano passado, tia Clarice não aguentava mais as dores de estômago e garganta e não conseguia mais se alimentar. Foi ficando tão magra, que comovia a todos.

Minha mãe mobilizou os parentes que poderiam ajudar e juntos conseguimos pagar os exames que um médico do posto de saúde receitou. Dessa forma, agilizaríamos o diagnóstico e poderia ser iniciado o tratamento.

Em agosto, veio a confirmação: câncer do esôfago. Agosto.

Tia Clarice mora em Belém.

Em dezembro passado, uma amiga também descobriu o câncer. O da Ana é na mama. Ana mora em Curitiba

Em janeiro, Ana fez a retirada do seio direito e, em 8 de março, iniciou a quimioterapia. Tudo pelo SUS.

Se tudo der certo, em breve, ela estará bem como todos ansiamos.

Tia Clarice, lá em Belém, aguarda há sete meses uma consulta com o oncologista para dar início ao tratamento. Ainda aguarda uma chance de sobreviver enquanto a doença avança, enquanto fica cada vez mais debilitada.

terça-feira, 14 de março de 2017

Bom mesmo é ter um companheiro

Meu marido nunca me deu flores, mas leva as meninas pra passear pra eu passar o domingo estudando.
Meu marido nunca me deu chocolate, mas assume tarefas que seriam minhas pra eu ir pra militância.
Meu marido não faz declarações de amor nas redes sociais, mas me presenteia com acessórios esportivos pra eu jogar futebol.
Meu marido é ateu, mas respeita a minha fé em Deus mais do que muitos cristãos.
Meu marido não conheceu as minhas filhas quando elas vieram ao mundo, mas cuida delas melhor do que a maioria dos pais que eu conheço.
Meu marido faz silêncio pra eu dormir até mais tarde quando estou cansada e faz caldinho pra eu recuperar de uma noite cazamigas.
Meu marido fica bravo quando aponto alguma atitude machista que eventualmente pratique, mas evita cometê-la novamente.
Ele é perfeito? Não. Eu também não sou.
Mas ele me estimula pra tentar ser uma pessoa melhor.
Mais que um marido, bom mesmo é ter um companheiro.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

É sempre a pior mentira

Não existe mentira que machuque, maltrate, engane e sequele mais do que aquela que se conta para si mesmo.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Então, eu também posso!

- Tarsila, vem pra cá. Não faça isso.
- Mas o Luís tá fazendo, mãe.
- O Luís é menino.
- Então, eu também posso.
Quando eu me traio, ela me chama pra real. Está funcionando! 😍😍

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Uma relação amorosa tensa, mas bem resolvida

Você arruma um namorado novo que é bonito, que te respeita e te trata bem. Mas ele é meio seriozão, não tem gingado. Às vezes, soa um mala por ser tão certinho.

Aí você insiste em ficar comparando com aquele ex descolado, engraçado, zoeira, que sempre te fez rir um monte, mas com quem a relação sempre foi um caos.

Um dia, você tem revival com o ex e só ali você percebe que aquela esculhambação dele não cabe mais no seu estilo de vida. Você sempre terá carinho por ele e boas lembranças. O amor por ele estará sempre no peito, mas é o seu atual o que você precisa no momento.

Curitiba, te amo.

(Mas as puladas de cerca eventuais com o ex você sempre manterá, afinal, ele transa como ninguém!!)

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Belém, uma doce lembrança do que já não existe mais

Sempre achei que ser paraense é parte do que tenho de melhor. Muito do que sou e do que gosto em mim tem impressões dessa terra.

Mas nas últimas vezes que estive em Belém volto angustiada por ver que ela está ficando cada vez mais distante do que o meu ufanismo saudoso me faz ter orgulho.

O caos e a desordem tomaram conta de cidade numa proporção assustadora. As pessoas não respeitam as leis de trânsito, os clientes, os passageiros dos coletivos.

Ao chegar do Marajó, dois taxistas foram pra disputa física dentro do Terminal Hidroviário, assustando turistas que ali estavam. O taxista que nos levou - que não era um dos brigões - nos fez pagar quase o dobro do que seria a corrida porque não ligou o taxímetro e só vimos na chegada, pois estávamos distraídos vendo a Belém histórica. Eu não pagaria, mas o Mário optou por fazê-lo para evitar confusão.

Um vendedor ambulante me cobrou duas vezes algo que paguei mesmo eu insistindo já ter pago e tendo feito olhando nos seus olhos. Tirei por menos, paguei duplamente pra seguir sem aborrecimento.
Fomos roubados numa festa porque "parecíamos de fora", disseram alguns especialistas no local.

Vimos minha mãe assustada e querendo passar o reveillon em casa por causa do trauma do assalto que sofreu na véspera.Várias vezes precisamos nos esquivar dos sacos de lixo nas calçadas, depositados pelos cidadãos que deveriam cuidar dessa cidade.

Dirigíamos apavorados com medo que um dos loucos que avançam sinal ou andam na contramão (em Ananindeua tem um monte) batesse no carro que um amigo generosamente nos emprestou.

Foram dias gostosos, cheio de amor, mas tensos, tendo que nos esquivar da irresponsabilidade e má fé o tempo todo. Férias não deveriam ser assim, né?

Os sabores, a cultura, as gargalhadas e o amor à família e aos amigos tendem a ficar cada vez mais distantes. Cada vez que venho, penso em demorar anos pra voltar. E, sim, isso me dói muito.

E não venha me dizer que todo lugar é assim. Todo lugar não é minha terra natal, todo lugar não é pra onde eu quero voltar em paz.

Em tempo: o Marajó continua perfeito.