domingo, 22 de setembro de 2013

E agora, Partido dos TRABALHADORES?

Há alguns meses, uma ala dentro do Partido dos Trabalhadores no Pará, liderada pelo ex-deputado federal Paulo Rocha, tem se empenhado na missão de convencer a maioria dos filiados de que, no próximo ano, o número 13 não deva estar entre as opções dos eleitores para as eleições a governador do estado. Paulo Rocha e seu grupo querem que o PT abra mão de um candidato próprio a governador do Pará, para ser vice de ninguém menos que Helder Barbalho, filho do todo poderoso senador Jader, tão famoso nacionalmente pela sua habilidade política quanto, digamos, traquina.

É claro que a tentativa de Paulo Rocha, amplamente apoiada por nomes como Carlos Bordalo (deputado estadual) e Beto Faro (deputado federal), não passaria facilmente. É fato que o PT de agora está longe de ser o partido cheio de ideologias do passado, mas não chega ao cúmulo de ser composto apenas por gente que só quer saber de cargo a qualquer custo. Ainda há um amplo grupo resistindo em defesa da candidatura própria, no estilo "Se tivermos que perder, percamos, mas faremos o bom combate. Disputaremos com dignidade".

Quem é do Pará sabe o quão nocivo foi para a gestão petista de Ana Júlia (2007-2010) a coligação siamesa que foi feita com o PMDB de Jader. Alguns secretários de Ana Júlia lutaram, tentaram, mas Jader corroeu por dentro e o resultado todos conhecem. Por sinal, vale lembrar, que até no processo de reeleição de Ana, a insistência da ala petista-puxa-saco-de-Jader teve seu papel importante na derrota do PT. Paulo Rocha exigiu que a então Coligação Acelera Pará não tivesse um segundo candidato ao Senado, mesmo que a coligação fosse composta por mais de 10 partidos, muitos dos quais com nomes para indicar. O ex-deputado federal e candidato a senador insistia na dobradinha oficiosa com (seu líder?) Jader Barbalho. E assim foi feito, afinal, ele tinha maioria dentro do Partido.
É claro que os partidos aliados da Coligação não gostaram nada disso e o resultado foi a saída dos mesmo da campanha. Coligados sim. Engajados, não!

Bom, eu estou dando essa pequena volta para chegar finalmente onde pretendo. Se ainda com todo esse histórico, alas do PT insistem no apoio aos Barbalho, eu quero muito saber qual a posição desses senhores, lideranças do Partidos dos Trabalhadores no estado, agora, que os jornalistas do Diário do Pará e do Diário Online expuseram para o Brasil as vísceras do poderoso grupo de comunicação do senador.



Há mais de uma semana, os bravos colegas dos dois veículos iniciaram uma mobilização - como parte da campanha do Sindicato dos Jornalistas do Pará, Jornalista Vale Mais - na qual exigem do grupo condições mínimas de trabalho e pagamento do piso salarial. Vejam bem: a situação desses trabalhadores é tão grave, que eles não estão pedindo ganhos. Estão querendo o básico, aquilo que todo empresário deve garantir a seus trabalhadores. O caso do grupo Diário é ainda mais emblemático por ser de posse de um senador da República.


Jornalista do grupo exibe a tabela salarial paga por Jader Barbalho, muito abaixo do piso


Eliete Ramos mostra as marcas da agressão
O grupo se recusa em negociar, não aceita receber o Sindicato e a intransigência resultou numa greve. Greve histórica e que está recebendo apoio de todo o Brasil. Sindicatos de Jornalistas de todo o país já emitiram nota de apoio e nas redes sociais a campanha em defesa dos colegas não para de crescer. 

Mas o desrespeito ao direito dos trabalhadores é tão grande que já há jornalista demitido como represália pela organização do movimento e dirigente sindical agredido. A diretora do SINJOR-PA Eliete Ramos já denunciou à Polícia a agressão que sofreu na porta do jornal.


E agora, PT, vocês realmente vão insistir que esses são os melhores aliados, em detrimento dos maiores e históricos aliados do Partido, os trabalhadores? 

Espero a resposta na prática.

2 comentários:

Fábio Fonseca de Castro disse...

Muito bem colocado. A contradição é evidente e exige uma resposta. Será que ela virá? E, se vier, será apenas retórica ou poderá explicar as contradicões mais profundas, que estão atrás?

Fábio Fonseca de Castro disse...

Bem colocado. A contradição é evidente e exige uma resposta. Será que ela virá? E, se vier, será puramente retórica ou terá condições de responder, realmente, aos fatos? PMDB e PT de verdade é como água e azeite, impossível misturar.