terça-feira, 29 de março de 2011

29 de março. Dia da Saudade

Todos estamos lamentando o falecimento de José Alencar. Grande brasileiro que nos deu lições de luta pela vida.

Nesta mesma data, 18 anos atrás, morria outra grande brasileira. Ela não era famosa como o Zé Alencar, mas teria se tornado célebre se sua história fosse contada aos quatro cantos.

Faleceu aos 71 anos, na pista de pouso de Ponta de Pedras, quando aguardava o avião cedido gentilmente por amigos da família, para transportá-la até Belém. Ela também lutou anos contra o câncer. Partiu, assim que viu o avião no céu.

Sempre ouvi histórias de que ela morreu virgem. Sempre achei isso hilário. Sobretudo por se tratar de uma mulher que teve 21 filhos! Isso mesmo. Tinham várias cores, idades, estilos e ... origens. Todos foram devidamente amados e educados. Alguns se foram antes dela. Outros sumiram pela vida mesmo.  Em seu velório, estavam apenas 4.

Nunca foi rica, mas teve algum patrimônio, que a possibilitou criar tanta gente. O dinheiro foi-se esvaindo junto com os filhos. O último bem foi a casa na travessa Quintino Bocaiúva, vendida em 1984 às pressas para livrar uma das filhas dos maus tratos que sofria do marido. A casa foi vendida por um valor muito aquém do estipulado pelo mercado. Um espertalhão, que sabia do interesse de uma imobiliária para a construção de um prédio de luxo no local, surgiu justo naquele momento de desespero e ofereceu a ela dinheiro suficiente para que sumisse rapidamente das vistas do genro. O suntuoso edifício Barão de Guajará está lá para provar.

Viveu os últimos dias com a apertada pensão de um salário mínimo, numa casa de madeira, construída sobre um terreno cedido por um sobrinho, em Ponta Pedras. Mas o que ela não tinha de posses, tinha de amor. A despedida dela naquele dia 29 de março de 1993 mobilizou a cidade marajoara. Todos tinham uma história de gratidão para contar da dona Emília Fernandes Monteiro.

E como eu sei de toda essa história? Passei a infância ao lado dela, ouvindo histórias e recebendo muito amor! Foi graças a essa mulher, que minha mãe não entrou para a triste estatística da sua família de sangue: poderia ter sido a quarta a morrer de desnutrição infantil.

Apesar da total ausência de harmonia entre os nomes, tenho total orgulho de carregar a homenagem que minha mãe fez pra ela. Acreditem, eu me chamo Waleiska Emília!! (Tá, podem rir! Eu entendo.)


Vó, eu nunca esqueci o amor que sinto pela senhora. E continuo sendo zoada por guardar a sua dentadura numa caixinha!
Te amo muito!


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E como 29 de março é dia de saudade, hoje é dia de rir um pouco mais pela minha Preta.
Se viva estivesse, faria hoje 31 anos. Com certeza cheia de crises existenciais pela idade e filosofando sobre isso em voz alta, garantindo a todos nós muita gargalhada.

Será que ela já teria casado? Teria um filho?

Ai... que aperto no peito, meu Deus!

3 comentários:

Ao redor disse...

é, amiga. meu aniversário sempre é antecedido por um dia de reflexão. e acho inevitável me perguntar exatamente estas coisas. como ela estaria? teria casado? teria filhos? às vezes acho que não, que ela continuaria sendo a mesma ana de sempre, que tinha nos amigos a família diária...
não conheci sua avó, mas tenho certeza que em suas veias correm sangue muito guerreiro.
e quanto a alencar... muito orgulho desse homem! que deus o receba de braços abertos.

acho que no fim das contas, não há amor se não há saudade no coração de um brasileiro, então, de qualquer forma, feliz diz 29 de março pra todos nós!

feliz aniversário, ana!

BlogdoJoy disse...

Boca..bendita boca.
Quanto mais haverá nesta cabecinha?
Quanto vc é grande!!!

Yúdice Andrade disse...

Tua postagem me comoveu muito, Waleiska. É uma história bonita e, como deve ser, ajudou a formar o teu caráter de hoje, forte e solidário. Tua avó hoje, com certeza, orgulha-se de ti e vela pela família que criaste, daqui a pouquinho maior.
Grande abraço.