quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Homem que faz sexo com homem é gay, não?

Acabo de ouvir essa pérola no telejornal noturno DFTV, da Globo de Brasília: "O aumento de casos de AIDS entre homens hetero que praticam sexo com outros homens".

Oi?

Ah, tá! É que quem come é cabra macho e só cumpriu seu papel de comer viado, né?

Isso é preconceito velado ou eu estou vendo pelo em ovo? 
Eu entendi alguma coisa errada?

2 comentários:

Jones Santos disse...

A velha, porém ainda aludida, "Escala Kinsey" tentava classificar a sexualidade humana em cinco níveis de gradação, sendo heterossexuais e homossexuais os dois extremos da escala. Significa dizer que existe um grande espectro de bissexualidade, composto por pessoas que podem sentir tesão por pessoas de ambos os sexos em níveis maiores ou menores com um ou outro. A escala é obsoleta hoje porque já se considera que a expressão da sexualidade humana é bem mais diversa do que ela podia comportar. Outro dado importante que Kinsey começou a elaborar em seus estudos sobre a sexualidade é que ela pode variar de acordo com a experiência e a idade. Significa que alguém que só tenha sentido atração por gente do sexo oposto em determinado momento da vida se sinta atraído também por pessoas do mesmo sexo ou, pelo menos, por uma única pessoa do mesmo sexo a partir de certa idade ou de alguma experiência humana. Também pode-se falar, por exemplo, das velhas histórias de troca-troca que acontecem entre adolescentes, mas que depois da maturidade assumem uma vida totalmente heterossexual. Neste caso específico da matéria, acho que há um equívoco no termo. O Ministério da Saúde utiliza a expressão "Homens que fazem sexo com homens" (HSH) pra definir justamente aqueles caras que levam uma vida heterossexual, muitas vezes casados, mas que eventualmente transam com outro homem, seja por uma circunstância específica ou porque não assumem sua bi/homossexualidade. Nesse caso, é um termo adotado por uma questão de saúde pública relacionada aos cuidados com a saúde do homem. No mais, acho apenas que a sexualidade humana é mais complexa e diversa do que alguns termos são capazes de definir.

Jones Santos disse...

A velha, porém ainda aludida, "Escala Kinsey" tentava classificar a sexualidade humana em cinco níveis de gradação, sendo heterossexuais e homossexuais os dois extremos da escala. Significa dizer que existe um grande espectro de bissexualidade, composto por pessoas que podem sentir tesão por pessoas de ambos os sexos em níveis maiores ou menores com um ou outro. A escala é obsoleta hoje porque já se considera que a expressão da sexualidade humana é bem mais diversa do que ela podia comportar. Outro dado importante que Kinsey começou a elaborar em seus estudos sobre a sexualidade é que ela pode variar de acordo com a experiência e a idade. Significa que alguém que só tenha sentido atração por gente do sexo oposto em determinado momento da vida se sinta atraído também por pessoas do mesmo sexo ou, pelo menos, por uma única pessoa do mesmo sexo a partir de certa idade ou de alguma experiência humana. Também pode-se falar, por exemplo, das velhas histórias de troca-troca que acontecem entre adolescentes, mas que depois da maturidade assumem uma vida totalmente heterossexual. Neste caso específico da matéria, acho que há um equívoco no termo. O Ministério da Saúde utiliza a expressão "Homens que fazem sexo com homens" (HSH) pra definir justamente aqueles caras que levam uma vida heterossexual, muitas vezes casados, mas que eventualmente transam com outro homem, seja por uma circunstância específica ou porque não assumem sua bi/homossexualidade. Nesse caso, é um termo adotado por uma questão de saúde pública relacionada aos cuidados com a saúde do homem. No mais, acho apenas que a sexualidade humana é mais complexa e diversa do que alguns termos são capazes de definir.