domingo, 21 de fevereiro de 2010

Reconvexo

Eu sou a chuva que lança a areia do Saara
Sobre os automóveis de Roma
Eu sou a sereia que dança, a destemida Iara
Água e folha da Amazônia
Eu sou a sombra da voz da matriarca da Roma Negra
Você não me pega, você nem chega a me ver
Meu som te cega, careta, quem é você?
Que não sentiu o suingue de Henri Salvador
Que não seguiu o Olodum balançando o Pelô
E que não riu com a risada de Andy Warhol
Que não, que não, e nem disse que não
Eu sou o preto norte-americano forte com um brinco de ouro na orelha
Eu sou a flor da primeira música,
A mais velha mais nova espada e seu corte
Eu sou o cheiro dos livros desesperados, sou Gitá gogoya
Seu olho me olha, mas não me pode alcançar
Não tenho escolha, careta, vou descartar
Quem não rezou a novena de Dona Canô
Quem não seguiu o mendigo Joãozinho Beija-Flor
Quem não amou a elegância sutil de Bobô
Quem não é recôncavo e nem pode ser reconvexo.


*Composição de Caeteno Veloso, maravilhosamente interpretada por Maria Bethania.

PCdoB publica nota de pesar pela perda de Neuton Miranda

Saudações ao Comunista Neuton Miranda
Estão a meio pau as bandeiras do Brasil, do Pará e do PCdoB. Morreu Neuton Miranda.


Vítima de um ataque fulminante do coração, Neuton estava a trabalho em Belterra, cidade do Oeste paraense, onde encerrou uma vida marcada pela dedicação integral à luta por uma sociedade socialista. Isso desde a década de 60, quando militava no movimento estudantil e participava da Ação Popular.
Neuton Miranda nasceu em Marabá e era estudante de Matemática em Belo Horizonte quando atendeu ao chamado da luta do povo. Vice-presidente da UNE na gestão de Honestino Guimarães, foi perseguido pela ditadura militar, sendo obrigado a viver clandestino em seu próprio país. No mais duro período repressivo, no ano de 1972, decidiu somar fileiras ao Partido Comunista do Brasil. Decretada a Anistia, foi destacado pelo seu partido para reorganizar o PCdoB no Pará, ao lado de Paulo Fonteles e Neco Panzera.
Em 1984, em um último espasmo da ditadura, Neuton chegou a ser preso em Belém, acusado de reorganizar o PCdoB. Foi deputado estadual da legenda comunista entre 1992 e 1994, com atuação destacada em defesa dos trabalhadores e na luta pelo direito de morar. Chegou a ser presidente da COHAB, na gestão de Almir Gabriel, rompendo publicamente com este após o Massacre de Eldorado dos Carajás. Neuton também foi Secretário Municipal de Habitação no Governo do Povo e há cinco anos era Superintendente do Patrimônio da União.
Na SPU, liderava um trabalho pioneiro de concessão de uso do solo que beneficia mais de 60 mil famílias paraenses, desde ribeirinhos a moradores da grande Belém, naquilo que se tornou o maior programa de regularização fundiária em área metropolitana do país.
Era presidente estadual do Partido Comunista do Brasil e membro de seu Comitê Central. Deixa esposa, filha, mãe, irmãos. E uma história honrada, de coerência, combatividade, trabalho e luta. Não acumulou riquezas, mas era um colecionador de amigos e admiradores, além de contar com gratidão de milhares de pessoas a quem ajudou com o seu trabalho.
Neuton Miranda foi um exemplo a ser seguido, um revolucionário. Seu desaparecimento nos deixa a todos consternados. No entanto sabemos que quem morre lutando pelo progresso sempre vai servir ao propósito da vida.

Viver e lutar pela vida são o legado de Neuton Miranda.

Partido Comunista do Brasil
Comitê Estadual do Pará

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Contornemos

Do produtor cultural Emanoel Freitas:


Existem muros tão difíceis de serem derrubados que, às vezes, é melhor contorná-los e seguir em frente...


http://twitter.com/emanoelfreitas

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Poesia com o corpo

Sempre gostei de dançar.
Lembro que quando eu era criança, vivia me requebrando pela casa e minha mãe sempre dizia que eu era dura demais para ser dançarina. Meu sonho era ser Miss Caipira na escola.
Na pré-adolescência, eu ficava ensaiando coreografias na frente do espelho. Axé, carimbó, reggae, brega, tudo que tocasse no rádio eu tentava um passinho. Aos 13, consegui ser a miss da sala.
Na ocasião fui convidada para integrar o Grupo de Expressões Parafolclóricas Sabor Marajoara, que naquela época (1993) compunha o grupo de dançarinos do Pinduca, que estava no auge (ressalto que detesto o Pinduca).
Minha mãe barrou. Disse que eu era muito criança para me meter naquilo. E era mesmo. Mas eu pentelhava tanto dançando no meio da casa que ela cedeu. Três meses depois comecei os ensaios.
Passei 9 anos no Sabor Marajoara. Participei de incontáveis apresentações pelo Pará e em festivais nacionais. Em 1996, fui eleita a melhor dançarina do Festival de Folclórico de Olímpia - FEFOL, o maior do Brasil, reunindo quase 100 grupos de todo o país. Outro dia foi nostálgico reler um jornal de Olímpía (SP) onde tinha uma matéria de uma página sobre esse título. Entre várias coisas dizia "A bela, de apenas 16 anos, no futuro sonha em ser jornalista". Nossa! Parece que foi ontem e, de repente, já estou nessa profissão há 11 anos! Aff!

Não danço mais nos teatros, nos palcos, nos festivais. Mas, até hoje, tenho a dança como um dos grandes compromissos da minha vida. Compromisso comigo mesma.

A dança, e só ela, é capaz de me libertar de tudo. Dançar até o pé doer, até não ter mais fôlego, dançar dando risada, sem se importar com nada. Dançar com um único compromisso, o da libertação.
Ah... isso é bom demais...
No dia 30 de janeiro fiz isso como há tempos não fazia.
E o resultado? Uma grande virada de libertação da alma e um ímã para boas e deliciosas energias.

Ciranda da bailarina

Procurando bem
Todo mundo tem pereba
Marca de bexiga ou vacina
E tem piriri, tem lombriga, tem ameba
Só a bailarina que não tem
E não tem coceira
Berruga nem frieira
Nem falta de maneira
Ela não tem

Futucando bem
Todo mundo tem piolho
Ou tem cheiro de creolina
Todo mundo tem
um irmão meio zarolho
Só a bailarina que não tem
Nem unha encardida
Nem dente com comida
Nem casca de ferida
Ela não tem

Não livra ninguém
Todo mundo tem remela
Quando acorda às seis da matina
Teve escarlatina
Ou tem febre amarela
Só a bailarina que não tem

Medo de subir, gente
Medo de cair, gente
Medo de vertigem
Quem não tem

Confessando bem
Todo mundo faz pecado
Logo assim que a missa termina
Todo mundo tem um primeiro namorado
Só a bailarina que não tem

Sujo atrás da orelha
Bigode de groselha
Calcinha um pouco velha
Ela não tem

O padre também
Pode até ficar vermelho
Se o vento levanta a batina
Reparando bem, todo mundo tem pentelho
Só a bailarina que não tem

Sala sem mobília
Goteira na vasilha
Problema na família
Quem não tem
Procurando bem
Todo mundo tem...
Só a bailarina que não tem...


*Edu Lobo e Chico Buarque

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E olha que a bailarina tem um monte dessas coisas, sim, mocinho! (risos)

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

O General homofóbico

Recomendo a leitura do texto do professor Alan, leitor assíduo deste espaço, que no seu blog Blogosfera-Mídia e Política na Rede desce o sarrafo no general Cerqueira Filho, aquele que disse na Comissão de Constituição e Justiça do Senado que gays não podem estar nas Forças Armadas. As razões? Leiam aqui no blog do Alan.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Agora é São Pedro, né?

Quando aconteceu aquele blecaute nas regiões Sul e Sudeste, meses atrás, e a Eletrobrás disse que foi uma pane causada pela forte chuva que caiu naquela noite, a imprensa tratou com sarcasmo e fez chacota do Governo. Disse que Lula queria culpar São Pedro pelo que eles chamaram de apagão (na tentativa fazer de fazer comparações com o FHC). Abordei isso aqui no blog, na época.
Recapitulando: foi um blecaute!! Falta de energia durante algumas horas, provocada pela chuva.

Com últimas enchentes no Estado de São Paulo, cidades perderam patrimônios históricos, pessoas estão morrendo, bairros da capital estão alagados há mais de um mês. Parte dos problemas foram provocados pela mesma bandalha que há anos está no poder naquele Estado, que permitiram e até construíram escolas e conjuntos habitacionais em áreas de manancial.
Trabalhei 3 anos da Assembléia Legislativa de SP (2003-2007) e durante esse tempo ouvia aclamações pelos piscinões nas áreas próximas ao Tietê. Onde estão eles agora?

E a imprensa como se comporta nesse caso? Noticiam na maior cara de pau que São Pedro está castigando o Estado de São Paulo. É claaaaaaaro que a culpa é de São Pedro. De quem mais seria?
Esse Santo traquina, hein...

Depois tem gente que não acredita que a imprensa sempre quer fuder o Lula. Dizem que é mania de perseguição. Ora me poupe...


*Post provocado pela leitura do texto de Itajaí Albuquerque, no Flanar.

Regras bizarras

Da jornalista e modelo Úrsula Ferro:

@mademoiselle_U: vi um vídeo onde um cara é impedido de entrar na CTBEl pq tava de bermuda.foi num brechó,comprou uma saia, e entrou

http://twitter.com/mademoiselle_U

Segue o vídeo:

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Procon de casa nova

O Serviço de Proteção ao Consumidor, mais conhecido como Procon, está de casa nova, em Belém. A inauguração aconteceu hoje de manhã.
Pois então guarde bem o endereço porque o prédio é maior, vi que tem mais gente pra atender e eu espero que isso signifique que os casos sejam resolvidos com mais agilidade também.
A nova sede do Procon fica na Trav. Castelo Branco, entre Magalhães Barata e Gentil (bem ao lado do antigo Instituto de Identificação).

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Vídeo conta a história do PT no Pará

Euforia, gritaria, lágrimas, emoção, risos de felicidade e muita vibração. Essa foi a repercussão do vídeo sobre a história do PT no Pará, produzido pela Amazon Filmes. O trabalho foi exibido durante a plenária que comemorou o aniversário partido e deu posse à Diretoria Estadual, no sábado (30), no Pará Clube, em Belém.

Vale assistir. Até pelo apanhado histórico que o vídeo faz.
O roteiro é assinado pelas jornalistas Elaide Martins e Iara Vasconcelos (também locutora do vídeo). A direção é de Elaide e Cassim Jordy.

video