quinta-feira, 24 de julho de 2014

A disputa é mais profunda

Pela educadora paranaense e diretora do Departamento de Educação da Universidade Federal do Paraná, Andrea Caldas**, em seu perfil no Facebook.


A DISPUTA É MAIS PROFUNDA...
 

A disputa que esta eleição revela não é só a da coragem contra o medo como foi em 2002, nem simplesmente, contra o ódio, como a política de costumes da ultra direita a ultra esquerda, passando pelo marketing oficial, quer fazer parecer.

Embora, os elementos do reacionarismo estejam presentes nos supostos 2% de uma candidatura própria, o que está em questão é a consolidação de um sistema em crise ( a do Capital).

Vivemos uma anunciada contração econômica mundial que começa a respingar no quadro nacional.
 
O que está, fundamentalmente, em jogo, mais uma vez, é a disputa dos Fundos Públicos.
E não nos iludamos, não há simplesmente uma antagonização de candidaturas para a resolução desta crise mas, um investimento interno em cada candidatura "majoritária", com variados potenciais de permeabilidade.


A pressão que a candidatura de Dilma sofreu para retirar do programa de governo a pauta do fim do financiamento privado de campanhas, da Regulação das Comunicações, dos Recursos Públicos exclusivamente para a área pública e não para concessões, convênios e quetais, revela uma estratégia refinada dos grupos do Capital, que controlam economicamente as eleições, para resolver os "seus problemas".

Isto tudo combinado a uma silente criminalização daqueles que ousam manifestar-se e reivindicar, prepara um caldo de cultura para arrochos, repressão e assaltos aos cofres públicos pela ganância dos interesses privados.


Estes são aqueles momentos trágicos da história, nos quais se nos faltar clareza e precisão cirúrgica, seremos arrastados a ser o que não somos.

A crítica aqui, precisa transcender a política de seitas e de guerra de torcidas e recuperar, na história da esquerda, o que é fundamental e o que é secundário, para dentro e para fora.

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** Andrea Caldas é filiada e militante do Partido dos Trabalhadores há anos e, inclusive, fundou, juntamente com outros professores, o Núcleo Universitário do PT no ano passado na UFPR, num belo debate sobre os rumos do partido no Brasil, com a participação do sociólogo Emir Sader.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

TRT do Pará e do Amapá divulga relatório sobre erradicação do trabalho escravo

Já se encontra disponível no portal do Tribunal Regional do Trabalho da 8º Região o Relatório de Análise Situacional nº 008, resultado do monitoramento do evento “Erradicação do trabalho em condições análogas às de escravo”, cujas recentes movimentações foram acompanhadas pelo Oitavo Regional com apoio da técnica de cenários prospectivos.
 
O Relatório aborda aspectos da Proposta de Emenda à Constituição 57-A/1999, que altera o artigo 243 da Constituição Federal, estabelecendo a expropriação das propriedades do responsável por trabalho escravo, aprovada no Senado Federal em 27 de maio deste ano, com a promulgação da Emenda Constitucional nº 81/2014, no dia 05 de junho.
O documento apresenta, ainda, resultados recentes de fiscalizações do trabalho escravo no país, dados do Relatório apresentado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), também no mês de maio, bem como a posição de destaque do Brasil nos esforços de erradicação dessa prática. O relatório aborda também a atuação pioneira do TRT da 8ª Região no combate ao trabalho escravo.
A erradicação do trabalho em condições análogas às de escravo é um dos quinze eventos monitorados pelo TRT8, identificados na fase implantação da técnica de cenários prospectivos. Esses eventos incluem temas relacionados a variáveis políticas, econômicas, tecnológicas, sociais e demográficas, dentre outras. O Relatório de Análise Situacional é um dos produtos da análise prospectiva, no qual são abordados fatos relacionados a um evento específico, que surjam como sinalizadores da provável ocorrência, ou não, do referido evento.
Para acessar o Relatório de Análise Situacional nº 008, acesse o menu Planejamento Estratégico, seção Cenários Prospectivos, disponível no portal do TRT8 ou clique aqui.

Fonte: TRT 8

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Ela será ela amanhã?

Boa a provocação do Editorial do Jornal do Brasil de hoje.
Replico com gosto.

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Ela será ela amanhã

A Justiça arbitrária que mantém ativista na prisão pode estar ajudando a construir uma futura líder nacional de proporções bem maiores do que se imagina.

A ativista é apontada como líder e mentora das manifestações que desde o ano passado atacam governos, Corrupção e cobra melhor distribuição de renda e cumprimento dos direitos sociais.
    

Sua prisão, sob a acusação de associação criminosa – antiga designação para formação de quadrilha -, é fortemente questionada.
   
 Para o desembargador Siro Darlan, que assinou pedidos habeas corpus para ativistas detidos, não havia elementos para mantê-los presos. A decisão cita ainda "constrangimento ilegal do direito de ir e vir (...) diante da ilegalidade da prisão temporária".
   
 Integrantes do PCdoB e Psol também impetraram uma representação no Conselho Nacional de Justiça contra o juiz que emitiu mandados de prisão e de busca e apreensão contra ativistas. A representação argumenta que o ato foi de "completa arbitrariedade e abuso de autoridade" e ainda que “tais prisões e apreensões possuem um nítido caráter intimidatório, sem fundamento fático ou legal que legitime a prisão, destinado a reprimir com o Direito Criminal a liberdade de expressão cidadã”.
   
  A arbitrariedade da Justiça e o clamor em torno da libertação da guia dos protestos sociais remetem o momento atual aos tempos da ditadura. E nesta comparação, não é improvável traçar um paralelo entre as líderes da resistência de hoje e de ontem.
   
  No passado, tivemos uma líder que combateu com unhas, dentes e armas a opressão, a injustiça, os governos autoritários e os desmandos. Que enfrentava a ditadura de rosto erguido, e que por isso sofreu a prisão e a tortura. Que foi vítima da arbitrariedade da Justiça, e combateu as autoridades liderando protestos e manifestações.
   
  Estas coincidências trazem à tona a questão: as arbitrariedades de hoje farão com que "ela" se transforme "nela", amanhã?

Em defesa da Voz do Brasil

Sim, eu sou contra a flexibilização do horário da Voz do Brasil.

Escuto quase que diariamente e é por meio desse canal que posso saber, sem o filtro dos interesses comerciais da mídia, pra que lado vão os "nobres" deputados e senadores e a quantas andam os trabalhos do Senado, Congresso, Judiciário e Governo Federal.

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Em defesa da Voz do Brasil

*Ana Rita


A Voz do Brasil volta a correr sério risco. É por defender “a minha voz, a sua voz, a nossa voz” que vou lutar, quando a Medida Provisória 648/14 retornar ao Senado, pela rejeição das alterações aprovadas na Comissão Especial que analisou a MP. Das 19h às 20h. Este é o horário tradicional que milhões de pessoas, pelo Brasil afora, recebem notícias por meio de um importante e indispensável instrumento de informação para a imensa massa de brasileiras e de brasileiros que vive no campo e na cidade, sem acesso a jornais e revistas e que não dispõe de outra forma de saber com transparência dos atos e realizações públicas.

Tais características, evidentemente, não agradam a setores da grande mídia. Motivados por interesses econômicos, voltados apenas à exploração comercial do horário nobre no qual vai ao ar A Voz do Brasil, os defensores da flexibilização, tentam enfraquecer o caráter democrático e transparente do programa. É uma forma disfarçada de relegar ao segundo plano A Voz do Brasil.

Não é fato como se propaga por aí que o “Brasil não é mais um país rural” e que “a população aprova a alteração do horário”. Pesquisa encomendada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República identificou que 66% dos moradores da Região Norte e 50% das regiões Nordeste e Centro-Oeste têm o programa como à única ou quase única informação do que acontece no Brasil.

Na verdade é no aumento da audiência e consequentemente no aumento do faturamento que os defensores do fim da Voz do Brasil estão de olho. Este é o pano de fundo da batalha que se arrasta, desde 2006, em seguidas tentativas no Congresso Nacional. A alteração proposta na MP é mais destes embates.

Vamos lutar para que a alteração proposta na MP seja derrubada. Flexibilizar por três horas é um erro crasso. O objetivo de fato é inviabilizar. Na prática, representa o fim da Voz do Brasil a médio e longo prazo. Em nosso País, existem quase 10 mil emissoras de rádios. Quem irá fiscalizar se A Voz do Brasil está sendo transmitida por todas essas emissoras?

Outro ponto a se pensar: apesar do significativo número de emissoras de rádio, o conteúdo é segmentado e pouco variado. Enfraquecer e progressivamente extinguir A Voz do Brasil representaria reforçar o monopólio da informação que chega aos ouvintes. 

Considero A Voz do Brasil patrimônio da sociedade brasileira. Portanto, fortalecê-la, é tarefa de todas e todos que compreendem que o acesso à comunicação é um dos pressupostos básicos para consolidação da democracia.

E, é bom lembrar as empresas de radiodifusão: a obrigatoriedade da veiculação do programa no horário tradicional é garantida pela Lei que instituiu o Código Brasileiro de Telecomunicações. Estamos de olho e vigilantes: “em Brasília, 19 horas”!

*Ana Rita é senadora da República (PT-ES) e presidenta da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Certezas de amanhã com dúvidas de hoje

Quando ela pensa no passado e percebe todos aqueles que ficaram por lá, regorgiza com a libertação.
Alegra-se com o salto nos pensamentos e aspirações.
Acalma-se em pensar que as colheitas serão mais frutíferas.
Mas não há como negar que ficam muitas interrogações.
Ela não tem dúvidas do que pode viver pela frente, com a abertura mental que vive.
As dúvidas são sobre os detalhes dos passos dados até aqui.
Essas afligem e corroem.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Violência policial fere 15 jornalistas e comunicadores no Rio

O Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro soltou ontem uma nota em repúdio à violência sofrida por 15 jornalistas que cobriam as manifestações na cidade.

A nota foi subscrita  por uma série de entidades, entre as quais, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF)


Nota de repúdio à violência policial que feriu 15 jornalistas e comunicadores neste domingo

Sob a justificativa da garantia da ordem durante a final da Copa do Mundo, neste domingo (13/7), no Maracanã, o Estado brasileiro e o governo estadual do Rio de Janeiro ignoraram direitos individuais e coletivos de brasileiros e visitantes, assim como cassaram a liberdade de expressão e a de imprensa. O aparato militar armado utilizado para reprimir as manifestações que ocorreram ao longo do dia na Tijuca resultou em prisões arbitrárias, ferimentos e no cerceamento do ir e vir de manifestantes e também de pelo menos 15 jornalistas e comunicadores populares. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro repudia com veemência essa violenta política de repressão aos movimentos sociais e aos jornalistas e pede a atenção dos organismos internacionais de Direitos Humanos para que pressionem o governo brasileiro no sentido de restabelecer as condições dignas de um Estado democrático de direito.

Neste tarde, além dos casos de agressões, houve também o cerceamento ao trabalho dos jornalistas e comunicadores em meio à repressão aos atos de protesto realizados na Tijuca. Os profissionais de imprensa foram impedidos de deixar a Praça Saens Peña durante duas horas, junto de cerca de 200 manifestantes. Esse grupo teve de enfrentar, sem possibilidade de refúgio, agressões físicas e o efeito das bombas de gás lacrimogêneo.
Com os novos casos de violência policial contra jornalistas e comunicadores registrados neste domingo, o relatório do Sindicato dos Jornalistas eleva essa triste estatística para 92 profissionais e comunicadores que foram vítimas de agressões e cerceamento desde maio do ano passado. O Sindicato vai encaminhar uma nova versão atualizada desse relatório às autoridades da Justiça e da Segurança Pública nos níveis estadual e municipal, assim como às autoridades e ONGs de direitos humanos nacionais e internacionais.
 
Abaixo, segue a lista dos jornalistas que foram identificados como agredidos na cobertura dos atos deste 13/7 de protesto contra o desvio de verbas públicas para a Copa e para pedir a liberdade aos presos políticos do Rio de Janeiro. Entre os presos, está a radialista Joseane de Freitas, da Empresa Brasil de Comunicação, presa neste sábado (12/7) em casa, sem qualquer motivo esclarecido, e acusada de formação de quadrilha com mais 16 adultos e dois adolescentes. O Sindicato, por meio de seu advogado Lucas Sada, deu entrada em um pedido de habeas corpus em favor da radialista, mas este foi negado no plantão judiciário deste domingo. O Sindicato também teve negado nesta semana um Mandado de Segurança para garantir o livre ir e vir de jornalistas no entorno do Maracanã, onde a PM realizou barreiras nos dias dos jogos da Copa.
 
Tais práticas de Estado caracterizam grave ofensa a nossa categoria e prejudicam a sociedade como um todo. Sem o respeito ao direito à informação, não há garantia de liberdade ou de democracia.
SINDICATO DOS JORNALISTAS DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO
Jornalistas e comunicadores agredidos:
Samuel Tosta – diretor do Sindjor-Rio – freelancer - ferido nas costas por estilhaços de bomba
Gizele Martins – diretora do Sindjor-Rio – editora do jornal Cidadão – crise de asma por inalação de gás lacrimogêneo
Mauro Pimentel – repórter fotográfico do Terra – chutado e golpeado no rosto e nas pernas com cassetete, teve a lente da câmera quebrada e a máscara de gás quebradas
Ana Carolina Fernandes – repórter fotográfica da Agência Reuters – teve a máscara de gás arrancada por um PM que a atacou com spray de gás de pimenta
Boris Mercado – repórter fotográfico peruano – chegou a ser detido e agredido
Jason O’Hara – repórter cinematográfico canadense – internado no Hospital Municipal Souza Aguiar em decorrência dos ferimentos
Oswaldo Ribeiro Filho - jornalista da agência inglesa Demotix - teve uma bomba de gás jogada em seu rosto
Filipe Peçanha – comunicador da Mídia Ninja – vítima de espancamento por oito PMs e a lente da câmera quebrada.
Leo Correa – repórter fotográfico freelancer – vítima de agressões físicas por PMs.
Tiago Ramos – jornalista do SBT Rio – ferido por estilhaços de bomba em um dos braços.
Luigi Spera – Jornalista italiano – vítima de agressões físicas por PMs.
Aloyana Lemos – documentarista – detida com violência por PMs e levada para a 21ª DP (Bonsucesso)
Bernardo Guerreiro – comunicador da Mídia Ninja - teve sua lente quebrada e foi agredido com spray de pimenta no olho a curta distância
Augusto Lima – jornalista do Coletivo Carranca – teve o celular quebrado quando foi agredido a golpes de cassetete.
Loldano da Silva – repórter fotográfico – agredido com dois golpes de cassetete no braço esquerdo, levado para o Souza Aguiar.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Sobre saúde mental e nossos julgamentos cotidianos


"Se tu és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo."

  Qual ouviu Jesus, nos momentos mais decisivos, ouviremos também desafios à nossa
capacidade de reverter uma situação desfavorárel.

Em vez de apoio, receberemos críticas e seremos alvos de zombaria.
Comumente, as pessoas nos falham nos instantes em que mais delas revelamos necessidade.
Não sejamos assim ou, antes, não tripudiemos sobre as fraquezas do próximo.
Na hora da dor moral, não é a vez de especular sobre as suas causas, procurando culpados.
Sempre que não pudermos auxiliar alguém, silenciemos.
As palavras desafiadoras que os soldados lançaram a Jesus lhe doeram muito mais que os
cravos nas mãos e a coroa de espinhos na fronte...
Os que estimam pisar sobre os que já se encontram caídos, não sabem medir as consequências de seu insano gesto de pretensa superioridade.
A não ser o Mestre Divino, que homem pode dar lições de moral a outro? Quem se sentirá
completamente imune à queda? Qual de nós poderá ter a vida vasculhada?
O ato de socorrer não nos confere o direito de recriminar a quem socorremos.
A caridade em silêncio diz tudo sem necessidade de articular uma só palavra.
Amenizemos o peso do fardo sobre os ombros alheios sem a menor censura à invigilância de quem a transporta, porque, também para nós, chegará o momento em que, mesmo
bem-intencionada, a palavra de recriminação de quem nos auxilia será como receber
um tapa no rosto.

(Obra: Saúde Mental À Luz do Evangelho - Carlos A. Baccelli / Inácio Ferreira)

segunda-feira, 7 de julho de 2014

A falta de pudor da política brasileira

Lendo a matéria abaixo (O Globo desta segunda-feira, 07) é fácil concluir que os 12 condenados da Ação Penal 470 - batizada pela imprensa de "mensalão - estão muito longe de serem os maiores vilões da corrupção nacional, conforme a mídia tradicional tenta nos convencer há nove anos.

Veja o quanto alguns verdugos da política brasileira perderam a completa noção de pudor e apostam muito na imbecilidade do eleitor brasileiro.


Estevão retorna à política e dá cartas no PR

Mesmo sem disputar cargo, ex-senador mostra influência no pleito do DF

BRASÍLIA - Sem qualquer embaraço, o ex-senador Luiz Estevão passou a dar as cartas numa coligação que reúne expressivo número de políticos marcados por denúncias de corrupção — a do candidato ao governo do DF pelo PR, José Roberto Arruda. Quase uma década depois de condenado a 31 anos de prisão, o ex-senador Luiz Estevão está solto, dirige um time de futebol, conduz negócios milionários e voltou a se transformar num dos mais influentes políticos nas eleições da capital este ano.

Estevão perdeu o mandato em 2000 e foi condenado em 2006 pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região por corrupção, peculato, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Em 2012, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirmou a condenação. Mas nem assim ele foi para a cadeia. Estevão tem driblado a prisão com uma sucessão de recursos jurídicos.
— É revoltante porque só ocorre com quem tem capacidade econômico-financeira ou poder político grande — afirma a procuradora Janice Ascari.

A procuradora liderou as investigações sobre as fraudes no Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo, um dos maiores escândalos dos anos 1990. O nome de Estevão aparece em mais de 90 processos só no STJ. Pelo menos quatro são processos penais. Na última semana, a ministra Regina Helena Costa, do STJ, derrubou mais um recurso e manteve a condenação de Estevão a três anos e seis meses de prisão num processo em que foi réu por uso de documentos falsos. Mas nem a segunda condenação pelo segundo tribunal mais importante do país levou Estevão à prisão.

Logo depois da derrota no STJ, o advogado Marcelo Bessa apresentou um agravo de instrumento contra a decisão e, com isso, ganhou mais tempo. A redoma de proteção de Estevão é considerada espantosa até mesmo quando comparada ao caso do juiz Nicolau dos Santos Neto. Um dos envolvidos nas fraudes do TRT-SP, Nicolau foi condenado por receber suborno de Estevão e, em troca, liberar dinheiro para obras não executadas. Cumpriu 14 anos de prisão.

Estevão está pendurado em quatro recursos, dois do STJ e dois no Supremo Tribunal Federal (STF). Depois que o Supremo manteve a condenação de 31 anos de prisão, ele apresentou recurso extraordinário à presidência. Mas, como a derrota é considerada certa, entrou com dois habeas corpus no STF. Ele tenta, outra vez, derrubar a condenação por peculato e formação de quadrilha.
— Eu tenho plena convicção de que isso vai ser mudado — disse Estevão.

A declaração poderia soar como uma mera bravata se não fossem novas e surpreendentes reviravoltas no caso. Há duas semanas, a 1ª Turma STF anulou a condenação do empresário José Eduardo Ferraz, um dos três cúmplices de Estevão no desvio de R$ 169,5 milhões das obras do TRT. O STF determinou que Ferraz seja novamente julgado. Ou seja, o caso volto à estaca zero.


Read more: http://oglobo.globo.com/brasil/estevao-retorna-politica-da-cartas-no-pr-13159169#ixzz36oXNWfQR

quarta-feira, 25 de junho de 2014

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Em um ano, 190 jornalistas foram agredidos em protestos

Os dados são da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) em matéria da Agência Brasil. Foram 190 jornalistas agredidos em um ano somente em coberturas de protestos. Números de guerra.
E chamo a atenção para o fato de mesmo com esse cenário assombroso, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) não ter até hoje uma política nacional de combate à violência dos jornalistas. Nem mesmo para a Copa isso foi debatido. A Fenaj deixou que cada Sindicato fizesse como podia em seu estado.
E assim foi feito. 
Nós, no DF, estamos orgulhosos de estarmos fazendo nosso dever de casa, mas sabemos a falta que o apoio institucional e financeiro da Fenaj faz numa hora dessas. Faz, sim!


Abraji assegura que em um ano houve 190 agressões a jornalistas, em protestos

Helena Martins - Repórter da Agência Brasil Edição: Stênio Ribeiro

De maio de 2013 até a última quarta-feira (18), 190 casos de detenção ou violência contra jornalistas foram registrados pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), em manfestações. Ao todo, eles envolveram 178 profissionais. Desde o início da Copa do Mundo, 18 deles sofreram violações no exercício da profissão, nas cidades-sede.

São Paulo e Porto Alegre foram as duas cidades que mais registraram problemas. Cinco jornalistas foram agredidos por policiais em cada uma delas. Em São Paulo, todos no dia 12 de junho, na abertura do Mundial. O Rio de Janeiro está em terceiro lugar, com quatro registros de violações provocadas por policiais. Em quarto, Belo Horizonte, com dois casos, um causado por manifestantes e outro, por policiais. Há ainda registro de problemas em Fortaleza, onde um jornalista foi agredido e teve equipamento roubado por um segurança da Fifa Fan Fest.

O comportamento das forças de segurança tem preocupado a Abraji, que contabiliza que 88% dos casos registrados no Mundial foram provocados por policiais. De acordo com o levantamento da associação, 44% foram intencionais. Uma tendência percebida desde 2013.
Para o presidente da Abraji, José Roberto de Toledo, a situação é “preocupante”. Por isso, a associação registra e denuncia os casos de violência contra jornalistas. “A gente faz esse acompanhamento não apenas para falar dos riscos à liberdade de expressão e à democracia, mas também para pressionar policiais e manifestantes a deixarem de tratar os jornalistas como alvo”, afirma.

O presidente da Abraji avalia que os jornalistas têm vivenciado duplo risco, pois não podem procurar abrigo ao lado dos manifestantes ou das forças de segurança. Ele também aponta que o uso de equipamentos de proteção individual (EPI), como coletes, capacetes e máscaras, tornou-se necessário. “O jornalista não pode ir mais para um evento desse [manifestação] como ele vai para uma entrevista comum. Ele tem que ir preparado, tem que tomar a decisão se vai enfrentar o risco ou não, porque não é pequena a chance de sofrer agressão”, destacou Toledo, lembrando que o jornalista pode optar por não fazer coberturas que considere de risco.

No dia 16, após uma jornalista de O Globo ter sido presa por um policial militar, ao se recusar a parar de registrar a detenção de um torcedor, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro divulgou nota afirmando que “a violência praticada contra jornalistas chegou a níveis inaceitáveis – e insustentáveis – na cidade do Rio de Janeiro”. Hoje (23), a presidenta do sindicato, Paula Mairán, afirmou que de maio do ano passado a maio deste ano, 72 jornalistas do município sofreram agressões. Relatório com essas denúncias será encaminhado para os órgãos competentes, como o Ministério Público - que tem o papel de fiscalizar a atuação externa da Polícia Militar - e o governo estadual.

Paula destaca que “todos os jornalistas que estão nas ruas correm riscos, diante das condições vulneráveis de trabalho”, mas comemora o fato de o Ministério Público ter notificado as empresas de comunicação para que garantam, dentre outras medidas, equipamentos de qualidade e acompanhamento de colegas durante a cobertura, para que nenhum jornalista atue sozinho em meio a manifestações ou áreas de risco. As empresas devem dar também acompanhamento jurídico, estimulando o registro das violações.
Para auxiliar os profissionais, a Abraji lançou manual com dicas para os jornalistas trabalharem com menos risco, antes e durante as coberturas. “Sem jornalista não se faz jornalismo, e sem jornalismo não se faz democracia”, alerta Toledo. 

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) também elaborou manual trilíngue, e tem acompanhado presencialmente as manifestações. Jonas Valente, um dos coordenadores do sindicato, acrescenta que os órgãos de representação da categoria “tomaram medidas preventivas para garantir a segurança dos profissionais de imprensa, seja cobrando das empresas a garantia dos equipamentos, seja cobrando do Estado, que é o maior agressor, o respeito aos trabalhadores que fazem a cobertura jornalística”.
O SJPDF também entrou com ação preventiva na Justiça para multar as empresas que não fornecerem EPIs. Também realizou curso com os profissionais e teve reuniões com o Governo do Distrito Federal, cobrando que as forças sejam orientadas a respeitar o trabalho dos jornalistas, a exemplo do Ministério Público, que expediu notificação com recomendação aos veículos de comunicação, sugerindo a adoção de medidas de proteção nos locais de trabalho.

A festa nos estádios não vale as lágrimas nas favelas

Por Akemi Nitahara – Repórter da Agência Brasil Edição: Luana Lourenço
Um grupo de manifestantes participa de uma caminhada no calçadão entre as praias do Leme e de Copacabana para lembrar pessoas assassinadas nas favelas. Entre as vítimas homenageadas está o ajudante de pedreiro Amarildo Dias, desaparecido na Favela da Rocinha há quase um ano e declarado morto pela Justiça.

Com o tema A Festa nos Estádios Não Vale as Lágrimas nas Favelas, a passeata foi organizada pela Rede de Comunidades contra a Violência.

“Na linha de frente temos familiares de vítimas do Estado, mães que perderam seus filhos na mão da polícia. Tem casos recentes, de vítimas da UPP [Unidade de Polícia Pacificadora] e casos antigos, como da chacina da baixada, gente de Itaboraí, que está aguardando o julgamento há dez anos”, listou a jornalista da organização não governamental Justiça Global, Glaucia Marinho.

Os manifestantes cantam “E no Maraca, enquanto a bola rola, não tem saúde, não tem transporte, não tem escola” e “Eu só quero é ser feliz, andar tranquilamente na favela onde eu nasci, e poder me orgulhar e ter a consciência que o pobre tem que lutar”.

PT vem errando no diagnóstico?

Interessantíssima a entrevista que o chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto de Carvalho, concedeu ao jornal Folhe de S. Paulo. Publicada nesta segunda-feira (23), a entrevista do petista histórico traz uma reflexão que, na minha modesta opinião, deveria ser um dever de casa obrigatório pra todo militante do PT que realmente quer ver o partindo crescendo no bom caminho.

Por outro lado, dá pra ver que a Folha tentou tirar dali o pior de Gilberto. Tentou criminalizar o PT de qualquer jeito. Mas Carvalho se saiu com maestria.

Clique aqui e leia a íntegra.

domingo, 22 de junho de 2014

Rompimentos libertadores

Como bem disse um dia o poeta Mário Quintana "Bendito quem inventou o belo truque do calendário, pois o bom da segunda-feira, do dia 1º do mês e de cada ano novo é que nos dão a impressão de que a vida não continua, mas apenas recomeça."

É exatamente essa a sensação que me toma a cada aniversário. Estou tendo a chance de recomeçar.

E como tenho o hábito de em todos os anos relacionar as conquistas, derrotas e desafios a alcançar, consigo mensurar quase que exatamente onde avancei, estacionei ou até mesmo regredi.

A aproximação deste 22 de junho encheu meu peito de um estranho vazio. Medo, receio. 
Lembro como se fosse ontem que às vésperas da mesma data no ano passado, eu estava eufórica e cheia de mim. Programei comemoração e encontro com gente querida. Me emocionei em vários momentos ao longo daquele 22 de junho de 2013, com tantas manifestações de amor, declarações de afeto, ligações de gente querida.

Já neste ano, eu queria estar escondida no meu personagem real: o da menina apavorada, encolhida no canto do quarto. (Ou vocês acreditam mesmo nessa figura risonha e falastrona aparentemente segura que circula por aí? Um blefe, meu povo! Um blefe.)

É bem verdade que o meu black dog anda com o peito estufado influenciando em grande parte essa escolha. Mas há também muito da minha opção de vida no último ano. Se eu tivesse que escolher uma palavra para marcar meus 33 anos, ela seria "rompimento".

Rompi com tanta coisa no último ano, que acho que ainda estou velando algumas delas. Mesmo que muitas tenham sido para o meu bem, é difícil desapegar de anos de vícios, escolhas equivocadas, hábitos distorcidos. 

Talvez eu tenha rompido até comigo mesma. Com aquela "eu" que me fazia mal ao entrar em disputas desnecessárias, ao se apaixonar demais, ao se expor desmedidamente, ao se entregar aos prezeres efêmeros como se não houvesse amanhã, ao querer abraçar o mundo com os curtos braços que têm, ao querer tomar para si as dores do mundo.

Tenho a impressão que chego aos 34 anos sendo outra "eu". Com os mesmos sonhos, mesma alegria, mesma disposição pra auxiliar o outro, mesma vontade de mudar o mundo. Mas tentando me livrar de tudo aquilo que um dia me maltratou, me subjugou e me adoeceu.

O caminho é longo e até lá eu talvez ainda sinta saudade do que ficou. Talvez... Porque estou me afeiçoando muito a essa nova pessoa que a idade e o conhecimento tem apresentado. 

Espero de coração que no texto de 35 anos eu seja de novo só comemoração. Num novo estilo, mas só comemoração.

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PS1: Seria injusto não registrar que neste ano eu também recebi muito carinho em ligações e mensagens que chegaram de Norte a Sul do país. =D

PS2: Não posso deixar de registrar que meu dia hoje teve um quê de especial graças aos amigos queridos que me resgataram de exílio social voluntário.


Neyla, Pat, Fabíola e Gui encheram meu dia de amor no sempre especial lar dos tios Sérgio e Nanci e do Gus.








sábado, 21 de junho de 2014

Ódio não cria vida superior em parte alguma

O sexo tem sido tão aviltado pela maioria dos homens reencarnados na Crosta que é muito difícil para nós outros, por enquanto, elucidar o raciocínio humano, com referência ao assunto. Basta dizer que a união sexual entre a maioria dos homens e mulheres terrestres se aproxima demasiadamente das manifestações dessa natureza entre os irracionais.
No capítulo de relações dessa espécie, há muita inconsciência criminosa e indiferença sistemática às leis divinas. Desse plano não seria razoável qualquer comentário de nossa parte. Trata-se dum domínio de semibrutos, onde muitas inteligências admiráveis preferem demorar em baixas correntes evolutivas. 
É inegável que também aí funcionam as tarefas de abnegados construtores espirituais, que colaboram na formação básica dos corpos, destinados a servirem às entidades que reencarnam nesses círculos mais grosseiros. Entretanto, é preciso considerar que o serviço, em semelhante esfera, é levado a efeito em massa, com características de mecanismo primitivo. 
O amor, nesses planos mais baixos, é tal qual o ouro perdido em vasta quantidade de ganga, exigindo largo esforço e laboriosas experiências para revelar-se aos entendidos. 
Entre as criaturas, porém, que se encaminham de fato, aos montes de elevação, a união sexual é muito diferente. Traduz a permuta sublime das energias perispirituais, simbolizando alimento divino para a inteligência e para o coração, e força criadora não somente de filhos carnais, mas também de obras e realizações generosas da alma para a vida eterna.
A procriação é um dos serviços que podem ser realizados por aquele que ama, sem o ser objeto exclusivo das uniões. O Espírito que odeia, ou se desloca em posição negativa diante da Lei de Deus não pode criar vida superior em parte alguma. 

(Instrutor Alexandre, no livro "Missionários da Luz", ditado por André Luiz, para Chico Xavier. 1945. 22ª. edição. Pag.198. FEB)

terça-feira, 17 de junho de 2014

Tribunal de Justiça do Pará ganha prêmio do CNJ por prática em conciliação

“Foi uma alegria enorme receber um reconhecimento dessa natureza do CNJ, sobretudo, porque estamos falando de execução fiscal, uma das áreas com o maior congestionamento de processos nos Tribunais”.

A declaração foi da juíza paraense Kédima Lyra, coordenadora do projeto de Conciliação em Execução Fiscal, desenvolvido pelo Tribunal de Justiça do Estado do Pará, vencedor da Menção Honrosa na categoria Tribunal Estadual da quarta edição do Prêmio Conciliar é Legal, concedido pelo Conselho Nacional de Justiça às práticas jurídicas que contribuem para fortalecer a pacificação por meio do Poder Judiciário.

O projeto Conciliação em Execução Fiscal do TJPA esteve entre as 17 práticas premiadas na tarde de ontem (16/6), durante a 191ª Sessão Ordinária do Plenário do CNJ e última presidida pelo Ministro Joaquim Barbosa, que está se aposentando ainda neste mês.

Com três Semanas de Conciliação realizadas em um ano, as taxas de êxito de conciliação do projeto paraense foram de 90% em junho de 2013, de 91% em setembro de 2013 e de 98% em maio passado.

Lançado pelo CNJ em 2010, o Prêmio Conciliar é Legal homenageia magistrados e servidores das Justiças Federal, Estadual e do Trabalho, além de boas e inovadoras ações criadas no âmbito da Justiça para o aprimoramento dos métodos de solução de conflitos e pacificação social. Neste ano, foram contempladas práticas relacionadas à Justiça Consensual, Sociedade mais Satisfeita e Harmonizada e Eficiência das Estruturas da Conciliação e Mediação.


A presidente do TJPA, desembargadora Luzia Nadja Guimarães, e a juíza Kédima Lyra, exibem a premiação recebida pelo CNJ / Foto: Gil Ferreira/Secom CNJ


sábado, 14 de junho de 2014

Reinventar-se é preciso

Gente que se reinventa.
Como admiro.
Aqueles que não sucumbem, que não se entregam, que não se vitimizam.
É claro que o sofrimento, o choro e a derrota fazem parte do processo de amadurecimento e evolução de qualquer pessoa. Pelo menos daqueles que sabidamente as aproveitam como tal.
Mas ficar dando murro em ponta de faca, gostar do escuro e insistir nós mesmos erros... Não, isso não é louvável.
Mil vivas à arte de sorrir cada vez que o mundo diz não.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

O que disse Juca Kfouri


O problemão que Lula criou para Dilma

Juca Kfouri
Ao trazer a Copa do Mundo para o Brasil em 2007, num momento em que o país bombava e tudo dava certo, o ex-presidente Lula não calculou que sete anos depois as coisas poderiam estar diferentes.

Mais: não se ligou que Copas do Mundo não são para o povão, mas apenas para quem pode pagar caro por um ingresso nos novos estádios erguidos a peso de ouro para recebê-las.
Eis que a bomba explodiu no colo de sua sucessora, pouco familiarizada com a mal vista cartolagem do futebol.

Se Dilma Rousseff soube guardar profilática distância de Ricardo Teixeira e, agora, de José Maria Marin (ninguém o viu perto dela ontem) , nem por isso ela evitou a hostilidade da torcida endinheirada que esteve na Arena Corinthians.

Se em Brasília, na abertura da Copa das Confederações, a presidenta foi vaiada, em São Paulo foi xingada mesmo, com palavrões típicos de quem tem dinheiro, mas não tem um mínimo de educação, civilidade ou espírito democrático.

Ninguém precisava aplaudi-la e até mesmo uma nova vaia seria do jogo.

Mas os xingamentos raivosos foram típicos de quem não sabe conviver com a divergência, mesmo em relação a uma governante legitimamente eleita pelo povo brasileiro.
A elite branca tão bem definida pelo insuspeito ex-governador paulista Cláudio Lembo, mostrou ao mundo que é intolerante e mal agradecida a quem lhe proporciona uma Copa do Mundo no padrão Fifa.

Que os próximos governantes aprendam a lição.

*Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Desde 2005, é colunista da Folha de S.Paulo e do UOL

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Parabéns aos 111 jornalistas paraenses que optaram por um Sindicato Pra Lutar

Eleição sem disputa é eleição vazia. Não há críticas.
E sem críticas, tudo tende a seguir do jeitinho que está.

Os corajosos jornalistas que montaram a Chapa 2 - Sindicato é pra Lutar para disputar as eleições para o Sindicato dos Jornalistas do Pará, cuja votação ocorreu ontem (11/06), prestaram um grande serviço a toda nossa categoria. Pois movimentaram as redações, as assessorias, as redes sociais e os bate-papos dos botecos. 

Com propostas inovadoras como gestão colegiada, independência dos Conselhos de Ética e Fiscal, criação de delegado sindical nos interiores e uma postura muito mais combativa, os colegas da Chapa 2 deixaram claro que tinham um outro projeto para o Sinjor-PA. Estavam ali representando uma parte da categoria que não aceita mais um Sindicato mobilizado apenas para notas de repúdio, ações para apagar incêndio e festas de final de ano - e que a disputa eleitoral mostrou a que preço institucional elas são feitas. 


Eles mostraram que parte da categoria queria voltar a ter um papel de protagonismo como agente político na sociedade, promovendo e debatendo temas tão atuais e necessários, como a democratização da comunicação, o papel da mulher e ampliação das políticas afirmativas. 

Por isso, quero parabenizar todos os integrantes da Chapa 2, que se dispuseram a entrar na disputa e a promover esse importante momento para os jornalistas do Pará, tendo que suportar acusações levianas, ataques infantis, egos inflados e siricuticos de quem não entende que disputa política não tem absolutamente nada a ver com ataque pessoal. Que ser oposição e ter discordância de ideias e métodos faz parte do processo democrático.

Graças a vocês, o Sinjor teve que tornar transparente algumas relações viciosas, como a com a Federação da Agricultura do Pará (FEAPA). Graças a vocês pessoas que antes eram vistas como grandes lideranças se mostraram sem condições emocionais para tal. Graças a vocês nossos colegas do Pará puderam reacender a chama do bom combate com disputa de ideias.

Apesar de algumas figuras terem tentado tumultuar o clima com textos inflados de "eleição de lama"**, ver os colegas debater ideias e propostas como não se via desde o início dos anos 2000 no Pará foi, sim, bonito de se ver. Só não gostou quem tem dificuldade em lidar com o contraditório.

Parabéns a todos os colegas que votaram na Chapa 2. Que optaram pelo voto consciente, que entendem que Sindicato não é clubinho de amigos, nem balcão de brindes ou favores. Um Sindicato é pra defender os interesses de sua categoria e incansavelmente lutar por avanços de conquistas e direitos. Doa a quem doer.


E, por fim, quero desejar uma grande gestão à nova diretoria do Sinjor. Que todas as propostas consigam ser efetivadas e, principalmente, que os nomes que se apresentaram na Chapa estejam realmente dispostos a assumir tarefas no dia a dia, para que as trabalhadoras Roberta, Sheila, Priscila, Enize, Eliete e Jeniffer não fiquem sobrecarregadas mais uma vez. Que personalismo suma.

O Sindicato dos Jornalistas do Pará não há de ser o mesmo depois dessa eleição. Não mesmo.
Parte dos integrantes da Chapa 2 - Sindicato é Pra Lutar


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**O processo eleitoral teve, sim, seus percalços porque sempre há quem cometa excessos num processo desse. Infelizmente. Mas nada comparado aos exageros que vi em certas postagens por aí.




Nem todo mundo sabe ser amado

Algumas pessoas não sabem amar.
Outras estão num nível mais patológico, o de não saber ser amadas.

Eu sempre me compadeço com o segundo grupo.
Imagine a situação de você ter alguém disposto a ter dar carinho, atenção, afeto e cuidados e você simplesmente não saber receber. E não é porque não goste. É porque não consegue.
Seus amigos, sua família e até a família do seu ex te dizem "você está bem como nunca esteve" ou "nunca te vi com um sorriso assim". Mas você não consegue digerir isso a ponto de simplesmente ser feliz.
É como se essa sensação de bem-estar te sufocasse, te fizesse mal.
É como se bom mesmo fosse ser pesado, cabisbaixo, de sorriso amarelo, sozinho.

Vocês não sentem pena?!

Eu me comovo.
E oro.
Almas assim precisam de luz.
Pobres... Devem ter amarguras e muitas dores...

sábado, 7 de junho de 2014

Pedra que rola, não cria limo

Acalma os anseios de mudanças constantes. 
Deus te colocou no melhor lugar para o teu progresso moral e espiritual. O lar que tens, o trabalho em que te encontras, a cidade onde resides, são oportunidades de treinamento para a tua evolução.
 "Pedra que rola, não cria limo" — afirma o brocardo popular. 
Quem sempre está de mudança não amadurece, nem realiza bem coisa alguma. Cumpre a tarefa onde estejas, e, no momento próprio, após acurada meditação, toma o teu rumo definitivo. 

(JOANNA DE ÂNGELIS, do livro VIDA FELIZ. Psicografia de DIVALDO P. FRANCO)

sexta-feira, 6 de junho de 2014

CNJ arquiva processo administrativo disciplinar contra magistrada do Pará

O Plenário do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu, por unanimidade, pelo arquivamento de Processo Administrativo Disciplinar (PAD) aberto em 2013 contra a juíza Sarah Castelo Branco, do Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJPA). A magistrada era investigada por suposta conduta negligente em relação a processos sob sua guarda.

O processo apontava indícios de que a juíza teria informado erroneamente o cumprimento da Meta 2 de 2009, do CNJ, pela 1ª Vara Penal Distrital de Icoaraci/PA, embora ainda restassem 172 processos pendentes de julgamento. A meta determinava aos tribunais a identificação dos processos mais antigos e a adoção de medidas concretas para o julgamento de todos os processos distribuídos até 31 de dezembro de 2005.

De acordo com o relator do processo, conselheiro Paulo Teixeira, a falta de apreciação dos processos restantes foi provocada por falhas na ferramenta de acompanhamento dos processos incluídos na Meta 2. “O que se verifica, pelo que consta nos autos, foi o fornecimento, pelo tribunal ao qual a requerida é vinculada, de ferramenta para acompanhamento dos processos incluídos na Meta 2, que, posteriormente, se revelou insuficiente para tanto”, apontou o conselheiro.

O Plenário também acompanhou o entendimento de que a falha no sistema para acompanhamento da Meta 2 e posterior identificação de outros processos, sob responsabilidade da magistrada, correspondentes aos objetivos da meta não configuram irregularidade na promoção da juíza. Segundo os autos, a magistrada foi removida da 1ª Vara Penal do Distrito de Icoaraci para a 6ª Vara penal do Juízo Singular, na comarca de Belém, em 2010, pelo critério de antiguidade.

Sarah Barros / Agência CNJ de Notícia

Eu só queria que ela sumisse

Ela sempre reaparece quando eu mais preciso dela longe.
Apesar de silenciosa e discreta, com tantos anos de convivência, eu já aprendi a identificar seus sinais.
A convivência é praticamente insuportável.
Dói tanto, que até a alma sente.
Que a dor até se estende a quem é obrigado a conviver diariamente comigo.
Afinal, impossível não se sentir incomodado com essa nuvem carregada.
Eu sei que ela está aí.
Eu quero que ela vá embora.
Mas ela tão perversa, que não me deixa pedir ajuda.
Outras vezes gritei por socorro.
Mas parece que a idade e as marcas do tempo, vão te fazendo ver isso como peso para as pessoas.
E ninguém tem culpa se essa maldita insiste em me assolar.
Estou feliz que consegui falar.
Obrigada por me ouvirem/lerem.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Há 11 anos, em companhia superior

Quando eu me dirigia para a sala do parto, a única coisa que conseguia pensar era "Deus, abençoa minha filha para que ela faça diferença no mundo com muita generosidade".

Não sei exatamente porquê, mas esse pensamento não saia da minha cabeça. Era quase um mantra. Era como se algo tomasse conta de mim e que eu precisasse mentalizar isso. Era mais forte que eu.

Passados 11 anos, eu tenho muita clareza das razões. 

Uma criança que aos três anos adverte a mãe por não ter cumprimentado o segurança do banco "que plotege nossas vidas"; que aos quatro, já separava voluntariamente seus brinquedos para dividir com quem não tem e que já era capaz de sair de um banheiro público forrando o sanitário preventivamente para caso a mãe da próxima criança não soubesse que fazia mal sentar direto. Uma menina que aos cinco anos fazia orações nas quais pedia "mais adultos na Terra porque tem muitas crianças precisando de amor e cuidado"; que aos seis anos fez um desenho e separou um brinquedo para o garoto que vendia balas no caminho da escola "Eu quero que ele veja que a gente é amigo e quero animar ele"; que aos sete, pegou a mochila nova da escola, tirou tudo de dentro e doou para a filha da empregada, de três anos, quando a viu ir embora pra casa com suas coisinhas em sacolas plásticas e, obviamente, ainda colocou uns brinquedos mais. "Mãe, a senhora me desculpa? Eu fico com a do ano passado". Uma menina que aos nove anos, cheia de vaidade, olha-se no espelho e retira todos os acessórios para "não parecer metida e deixar as crianças sem graça" antes de irmos para atividade assistencial de Natal do Centro Espírita.

A lista é enorme e eu poderia passar horas contando para vocês gestos de altruísmo e generosidade dela. Mas o objetivo não é esse.

Queria apenas dividir com vocês a felicidade que tenho de ter um anjo desse na minha vida. Hoje, entendo perfeitamente todos aqueles pensamentos que vieram à cabeça antes do parto naquele 30 de maio.

Hoje, percebo que foi uma oração. Oração intuída por espíritos superiores, para que auxiliasse no recebimento dela na Terra. Uma alma tão boa, tão disposta à construção coletiva, ao perdão, à doação em prol do outro só pode mesmo ter voltado ao plano terreno nas melhores companhias.

Obrigada, Senhor Deus!

Obrigada, Dalila!

Filhotes. Nunca é demais lembrar.

O alerta é a da jornalista Dora Kramer, em sua coluna ontem, no jornal O Estado de São Paulo. Eu endosso.
 
Filhotes
 
Protocolar no jantar oferecido a ela pelo PMDB, a presidente Dilma Rousseff não teria como fugir de desejar “boa sorte” aos filhos de Jader Barbalho, Romero Jucá, Renan Calheiros e Edison Lobão, candidatos aos governos dos Estados onde os pais têm seus feudos.
 
Já os respectivos eleitorados não estão obrigados a seguir liturgias. Livres para se guiar pela sabedoria popular: quem sai aos seus não degenera. Para o bem e para o mal.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Corregedoria Nacional de Justiça deve ser comendada novamente por uma mulher. E uma grande mulher!

A ministra Nancy Andrighi foi eleita hoje (27) pelo  Superior Tribunal de Justiça para ocupar o cargo de Corregedora Nacional de Justiça, do Conselho Nacional de Justiça. A indicação para o cargo do CNJ compete ao STJ. O atual corregedor, ministro Francisco Falcão, foi eleito presidente do Tribunal e será empossado em setembro.   

É bem verdade que a indicação da ministra ainda depende de aprovação da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, do Plenário da Casa Legislativa e da sanção presidencial, mas é pouco provável que ela não aconteça. Nancy  Andrighi é respeitadíssima pela sua história na magistratura, sobretudo, pela postura rígida e reta. 

Entre seus feitos e decisões históricas, é válido lembrar que, em 2012, a ministra da 3ª Turma do STJ deu parecer a favor do primeiro caso de indenização de um pai por abandono afetivo a uma filha, fixando-lhe a compensação de R$ 200 mil. De acordo com a relatora do caso,  a filha superou as dificuldades sentimentais ocasionadas pelo tratamento como "filha de segunda classe" sem que fossem oferecidas as mesmas condições de desenvolvimento dadas aos filhos do outro casamento do pai.


segunda-feira, 26 de maio de 2014

Nos porões das redações do Pará

“Minha mãe sempre me ensinou que quando perdemos nossa capacidade de nos indignar, deixamos se esvair o sentido de existir. Carrego isso comigo onde quer que eu vá. Jamais imaginei que teria que lembrar tantas vezes dessa frase durante a vida profissional. Fato.

Logo no primeiro semestre do curso de Jornalismo consegui uma vaga para estágio na assessoria de imprensa da Polícia Militar, em 2008. Desde então, não parei mais de atuar na área. Em seguida fui convidada a reportar em um programa policial do grupo RBA. Para concretizar minha contratação, busquei inúmeras alternativas para me registrar, inclusive o Sindicato dos Jornalistas (2010). Sem o registro, a formalização do emprego era adiada e, enquanto isso, passei dias que não desejo a nenhum colega de profissão. Foram dias difíceis, de trabalho ininterrupto, sem descanso, afinal o tempo dedicado ao ensino superior, muitas vezes, foi o único que tive para me recuperar de uma jornada tripla de trabalho para produção de matérias televisivas.

Foram horas a fio pelas vielas e becos da cidade acompanhando a polícia em condições precárias. Eu e meus companheiros trabalhávamos arriscando nossas vidas, com coletes balísticos vencidos, sem ajuda de custo para alimentação, às vezes até combustível. E ainda tínhamos que conviver com o famoso assédio moral, que insiste em rondar a nossa categoria. Foram quase dois anos, até que em dezembro de 2011 o grupo assinou minha carteira como locutora/ entrevistadora, embora eu jamais tenha entrado em um estúdio de rádio da empresa.

Otimista, acreditei que as coisas melhorariam. Mas o assédio moral ganhou novas faces, presenciei colegas derramarem lágrimas após terem suas horas extras rasgadas na frente de todos dentro da redação. Sem escala fixa, nos desdobrávamos para descansar nas poucas horas entre uma jornada de trabalho e outra. Éramos obrigados a abrir mão de folgas para cobrir a falta de mão de obra, viajávamos quase sempre sem ganhar diária ou ajuda de custo. Salários miseráveis, trabalho alusivo à escravidão e quem ainda conseguia um segundo emprego tinha que pagar para não ser escalado em horário incompatível.

No último dia 15 de maio fez um ano que eu e dois colegas fomos enviados para Maracanã, município do nordeste paraense - pra ser mais exata, no quilômetro 25 da PA-127. Lá, registramos a história de um pai que vivia maritalmente com a filha mais velha e com ela teve outros seis filhos. Acompanhamos com exclusividade a prisão do idoso que, supostamente, já abusava sexualmente das filhas-netas. A matéria teve repercussão nacional e quem pode assistir o que registramos jamais imaginaria que saímos da capital paraense com o carro quase na reserva de combustível, sem dinheiro para o almoço. Enquanto os diretores eram parabenizados pelo feito jornalístico, nós tentávamos organizar o orçamento para pagar o cartão de crédito do motorista que teve que abastecer o carro o pagou o almoço e o jantar.

Eu recebia R$ 859, com descontos, me restava um salário mínimo para sustentar meu filho e arcar com exigências da empresa como estar sempre com as unhas feitas ou evitar repetir roupas. Sem nenhum glamour, fui uma repórter de TV que teve que engolir a escabrosa sugestão de um aborto para não atrapalhar o andamento de um programa com a minha ausência. Por falar em maternidade, a referida empresa não me deu nenhum tipo de apoio neste período. Como se não bastasse, fui demitida exatos 30 dias depois de um procedimento cirúrgico para retirada de um câncer em estado inicial no colo do útero.

Histórias como a minha ainda se repetem. Eu lutei por meus direitos sozinha, reivindiquei até o alto escalão da empresa e por isso fui demitida sem justificativa. Meu chefe não teve a hombridade de me comunicar, então um colega no corredor o fez.

Jamais me omiti, procurei ajuda por diversas vezes junto ao Sindicato dos Jornalistas do Pará e acreditei que após lutarmos juntos durante a greve dos jornalistas do Diário do Pará e DOL eu receberia algum tipo de assistência. Não aconteceu.

Estou expondo minha história sem demagogia. Acredito que, assim, posso evitar que outros profissionais passem por este tipo de atrocidade. Nós temos valor, fazemos um trabalho intelectual e precisamos ser representados à altura. Precisamos de cobrança, fiscalização constante e, principalmente, sensibilidade de nossa entidade de classe. Precisamos da mudança proposta pela Chapa 2. Eu sou jornalista e mereço mais, todos nós merecemos.”

- Rafaela Collins hoje conclui o curso de jornalismo na Faculdade do Pará (FAP) e recentemente foi aprovada em letras - português e libras, na Universidade Federal do Pará. É jornalista profissional registrada pelo Ministério do Trabalho em 2013. Está desempregada.


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Compartilho este depoimento aqui porque ele me tocou profundamente.
A história dessa moça precisa rodar o Brasil. O país precisa saber o que esse sanador faz com seus trabalhadores. 

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Embaixada da Venezuela convida jornalistas brasileiros para uma conversa "descerimoniosa"

Foi com muita satisfação que eu recebi hoje o convite abaixo.

Vou com muito prazer e prometo contar tudo como foi depois.


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A Embaixada da Venezuela tem visto com preocupação a maneira como os recentes eventos no País vêm sendo apresentados pela mídia do Brasil. Por isso, a Seção Política da Embaixada gostaria de convidá-la para uma reunião descerimoniosa, a fim de discutir a situação atual na Venezuela.

O encontro será na próxima segunda-feira, dia 02 de junho, às 19h, no Auditório da Embaixada, localizada na Av. das Nações, Qd. 803, Lt. 13.

Sua presença seria muito apreciada. Por gentileza, confirme sua assistência (este convite é pessoal e intransferível).

Atenciosamente,

SES - Av. das Nações - Qd. 803 - Lote 13
Brasília-DF - CEP:70451-900