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segunda-feira, 23 de junho de 2014

A festa nos estádios não vale as lágrimas nas favelas

Por Akemi Nitahara – Repórter da Agência Brasil Edição: Luana Lourenço
Um grupo de manifestantes participa de uma caminhada no calçadão entre as praias do Leme e de Copacabana para lembrar pessoas assassinadas nas favelas. Entre as vítimas homenageadas está o ajudante de pedreiro Amarildo Dias, desaparecido na Favela da Rocinha há quase um ano e declarado morto pela Justiça.

Com o tema A Festa nos Estádios Não Vale as Lágrimas nas Favelas, a passeata foi organizada pela Rede de Comunidades contra a Violência.

“Na linha de frente temos familiares de vítimas do Estado, mães que perderam seus filhos na mão da polícia. Tem casos recentes, de vítimas da UPP [Unidade de Polícia Pacificadora] e casos antigos, como da chacina da baixada, gente de Itaboraí, que está aguardando o julgamento há dez anos”, listou a jornalista da organização não governamental Justiça Global, Glaucia Marinho.

Os manifestantes cantam “E no Maraca, enquanto a bola rola, não tem saúde, não tem transporte, não tem escola” e “Eu só quero é ser feliz, andar tranquilamente na favela onde eu nasci, e poder me orgulhar e ter a consciência que o pobre tem que lutar”.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

O que disse Juca Kfouri


O problemão que Lula criou para Dilma

Juca Kfouri
Ao trazer a Copa do Mundo para o Brasil em 2007, num momento em que o país bombava e tudo dava certo, o ex-presidente Lula não calculou que sete anos depois as coisas poderiam estar diferentes.

Mais: não se ligou que Copas do Mundo não são para o povão, mas apenas para quem pode pagar caro por um ingresso nos novos estádios erguidos a peso de ouro para recebê-las.
Eis que a bomba explodiu no colo de sua sucessora, pouco familiarizada com a mal vista cartolagem do futebol.

Se Dilma Rousseff soube guardar profilática distância de Ricardo Teixeira e, agora, de José Maria Marin (ninguém o viu perto dela ontem) , nem por isso ela evitou a hostilidade da torcida endinheirada que esteve na Arena Corinthians.

Se em Brasília, na abertura da Copa das Confederações, a presidenta foi vaiada, em São Paulo foi xingada mesmo, com palavrões típicos de quem tem dinheiro, mas não tem um mínimo de educação, civilidade ou espírito democrático.

Ninguém precisava aplaudi-la e até mesmo uma nova vaia seria do jogo.

Mas os xingamentos raivosos foram típicos de quem não sabe conviver com a divergência, mesmo em relação a uma governante legitimamente eleita pelo povo brasileiro.
A elite branca tão bem definida pelo insuspeito ex-governador paulista Cláudio Lembo, mostrou ao mundo que é intolerante e mal agradecida a quem lhe proporciona uma Copa do Mundo no padrão Fifa.

Que os próximos governantes aprendam a lição.

*Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Desde 2005, é colunista da Folha de S.Paulo e do UOL

sexta-feira, 21 de junho de 2013

E os que nunca estiveram dormindo se retiram...

O Movimento Passe Livre, que iniciou essa onda de protestos no Brasil, é histórico em sua defesa por um transporte público de qualidade. 
Aos que não sabem, o MPL está entre as muitas organizações brasileiras que nunca esteve dormindo aos longo desses anos. A sua saída desse movimento que está sendo chamado "O Brasil Acordou" é, na minha opinião, o símbolo máximo dos novos rumos para onde o oportunismo está levando nosso país ainda tão despolitizado.


Nota no. 11: sobre o ato dessa 5a feira

O Movimento Passe Livre (MPL) foi às ruas contra o aumento da tarifa. A manifestação de hoje faz parte dessa luta: além da comemoração da vitória popular da revogação, reafirmamos que lutar não é crime e demonstramos apoio às mobilizações de outras cidades. Contudo, no ato de hoje presenciamos episódios isolados e lamentáveis de violência contra a participação de diversos grupos.
O MPL luta por um transporte verdadeiramente público, que sirva às necessidades da população e não ao lucro dos empresários. Assim, nos colocamos ao lado de todos que lutam por um mundo para os debaixo e não para o lucro dos poucos que estão em cima. Essa é uma defesa histórica das organizações de esquerda, e é dessa história que o MPL faz parte e é fruto.
O MPL é um movimento social apartidário, mas não antipartidário. Repudiamos os atos de violência direcionados a essas organizações durante a manifestação de hoje, da mesma maneira que repudiamos a violência policial. Desde os primeiros protestos, essas organizações tomaram parte na mobilização. Oportunismo é tentar excluí-las da luta que construímos juntos.

Toda força para quem luta por uma vida sem catracas.

MPL-SP

segunda-feira, 17 de junho de 2013

O que é que eu vou fazer com essa tal brasilidade?

Meu irmão me manda um sms dizendo "Pela primeira vez em 20 anos voltei a sentir orgulho de ser brasileiro! Voltamos à luta!"


Voltamos quem, cara pálida? Eu nunca saí dela!


Depois ele fala em sentimento de brasilidade.Não, eu nunca lutei por sentimentos de brasilidade. Minha motivação sempre foi a busca por justiça social, seja em qual frente de atuação eu estivesse.
Ufanismos não me comovem, não me convencem. 
Confesso que até temo por essa tal "brasilidade" que anda tomando a nação. Acho um passo pra o ópio. E nesse momento tudo que precisamos é de lucidez, sob o risco de virarmos todos uma grande massa de manobra.

domingo, 16 de junho de 2013

E tá aí o AI-6 da Copa

E a prática se repete: manifestação segue pacífica até que a PM cerca os ativistas, joga bombas e sprays de forma covarde e dá início a uma grande confusão. 
Foi assim aqui em Brasília, ontem.
Foi assim no Maracanã hoje.
Aguardemos mais violência e opressão país a fora.
É o AI-6 da Copa querendo calar o Brasil! 
Resistamos!

No Rio de Janeiro:
Criança chora ao inalar gás arremessado pela PM. Foto: UOL


Em Brasília: