Mostrando postagens com marcador Brasil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Brasil. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Pobres meninas...

O patrão oferece a menina pra o colega de trabalho em cadeia nacional.

A menina dá uma resposta curta e grossa de que não está ali pra isso.
O menino insiste e convida - por meio da imprensa - a menina pra passar uma noite com ele.
O patrão não adverte o menino.
Pessoas se divertem com a exposição violenta a qual está submetida a menina.
O patrão ganha dinheiro com o ibope que a história dá.

A violência corriqueira contra as meninas segue seu curso natural.
Ninguém liga.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Coração valente

"Eu fui descrita como uma mulher dura, e sempre disse que era uma mulher dura no meio de homens 'meiguíssimos'. Eu nunca vi ninguém acusar um homem de ser duro, e a gente sabe que eles são. Muitas vezes disseram para mim: mas você é sensível. Esta afirmação é estarrecedora, porque significa que conseguiram construir em torno de mim um nível de desumanização muito alto", disse a presidente Dilma Rousseff.

O trecho postado no facebook pela jornalista Lenise Aubrift Klenk é uma das falas mais fortes da Dilma nesse episódio.

Com todas as vênias do mundo (não ouso me comparar à Dilma), sempre que precisei ser firme na vida - e foram muitos os momentos - fui cobrada pela "dureza igual a de um homem".

Durante muito tempo, naturalizei isso, embora me incomodasse demais. Hoje, eu entendo o recado que passei a vida ouvindo. Se não é fácil ser assim numa vida comum como a minha, imagina com as responsabilidades e pesos que essa mulher teve que carregar desde tão jovem. Vontade de enche-la de abraços e beijos.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

TV Brasil, Agência Brasil e radiojornalismo da EBC entram em greve

A EBC é a empresa pública federal, ligada à Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, responsável pela TV Brasil, Agência Brasil, Portal EBC, Radioagência Nacional, oito rádios públicas, além de operar serviços como o canal de televisão NBr e a Voz do Brasil

A partir da zero hora desta terça-feira, 10/11, empregados da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) entraram em greve contra a proposta de reajuste da empresa de 3,5%, bem abaixo da inflação no período (outubro a novembro) que é de aproximadamente 9,8%, segundo estimativa do Dieese. A proposta do órgão é que este percentual seja usado para 2015 e 2016. Isso pode representar uma perda salarial para os trabalhadores de até 15% em dois anos.

A EBC é a empresa pública federal, ligada à Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, responsável pela TV Brasil, Agência Brasil, Portal EBC, Radioagência Nacional, oito rádios públicas, como as Rádios Nacional do Rio de Janeiro e de Brasília e as Rádios MEC AM e FM. Além disso, opera serviços como o canal de televisão NBr e o programa de rádio Voz do Brasil.


A paralisação por tempo indeterminado foi aprovada no dia 5 em assembleia nacional dos trabalhadores das quatro praças da empresa (Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e São Luís). 

Há exatos dois anos, esses mesmos trabalhadores realizaram uma greve de 15 dias e que paralisou cerca de 700 dos 2 mil funcionários. Neste momento, foi conquistado aumento real e garantiu que não fossem retirados direitos já previstos no Acordo Coletivo, como horário especial para amamentação e transporte para os empregados do horário notuno.

Os empregados reivindicam um aumento salarial conforme o índice de inflação mais um ganho real linear para todos os empregados de R$ 450 (esse valor corresponde a cerca de 5% do total da folha de pagamento da empresa). Além disso, eles lutam para que as negociações do ACT sejam realizadas anualmente. A data-base dos trabalhadores é 1º de novembro.

Pelo fim dos privilégios

Os trabalhadores também denunciaram os privilégios que são dados aos cargos de diretoria dentro da empresa pública. Eles lutam por isonomia dentro do quadro de empregados e pressionam para que, neste momento de crise, a empresa faça cortes em cargos comissionados, nos salários da chefia e em outros benefícios dados aos cargos de direção como: vaga privativa na garagem paga pela empresa, auxílio-moradia e diárias recebidas pela direção com valor muito superior aos que são pagos aos empregados.

Confira o abaixo-assinado endereçado ao ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Edinho Silva, que pede o fim dos privilégios na empresa pública. No primeiro dia de mobilização, os trabalhadores farão um cabidaço, colocando cabides na entrada da empresa, como forma de protesto para expor esta situação.

“Altos salários são pagos para os cargos comissionados da Empresa, que estão na magnitude dos R$ 29 mil para o diretor-presidente (fora os privilégios, que fazem com que o salário do presidente chegue a vultuosos R$ 35 mil), valor assustadoramente próximo ao salário da Presidenta da República e seus ministros de Estado, que é de aproximadamente R$30 mil. Nosso diretor-geral ganha quase R$ 27 mil e os demais diretores da EBC, cerca de R$ 25 mil”, diz um trecho do documento.

Acompanhe a greve da EBC: https://www.facebook.com/SJPDF e facebook.com/comissao.ebc

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

A doméstica e o futuro médico: uma amostra do crime e castigo no Brasil

Há uns 15 dias o Brasil inteiro se revoltou com um crime: um bebê recém-nascido foi abandonado numa rua do bairro nobre de Higienópolis, em São
Paulo, capital (glo.bo/1GwE4Q1).

As câmeras de segurança do bairro (são muitas, para proteção de seus moradores) permitiram identificar rapidamente a autora do crime. Não vou dar o nome dela, pois já foi estampado em todos os jornais, revistas e sites de mídia do país. 

Apenas resumo que se trata de uma nordestina que vive e trabalha em Sampa como empregada doméstica. Mulher, nordestina, pobre. Possivelmente com pouco estudo.

A autora do abandono justificou-se na delegacia: já tinha dois filhos, mora na casa dos patrões com a mais nova (o mais velho é criado por parentes na Bahia), e com medo de ser demitida escondeu a gravidez inteira, pariu o filho sozinha no banheiro do quarto de empregada e depois deixou a criança na rua. Fez questão de ressaltar que não a abandonou: escondeu-se atrás de uma árvore e ficou esperando alguém encontrar o bebê.

(Parêntesis aqui: ela deixou a criança dentro de uma sacola que pegou na casa dos patrões. A sacola era do Au Pied de Cochon, um restaurante tradicional de Paris)

Por óbvio, a doméstica foi condenada. Não falo do processo criminal, que ainda vai rolar bastante - embora eu não tenha dúvida da condenação dela neste. Foi condenada sem apelação pela opinião pública. Foi xingada das piores imundícies nas redes sociais e no espaço dos comentários dos portais de mídia. Como sempre, não faltou o "na hora de fazer não pensou, né???", essa pérola-frase-feita que sempre mostra a condenação do brasileiro médio sobre o prazer da mulher.

Mas o que eu quero falar aqui é o seguinte: a doméstica, como disse, foi identificada em todos os detalhes. Sabe-se que é natural de Vitória da Conquista (BA), tem 37 anos, seu nome completo foi exposto nos jornais, sua foto e filmagem foram exibidas à exaustão. Condenada publicamente, com sua imagem arruinada.

Corta pro futuro médico: a USP divulgou que um aluno, concluínte do curso de Medicina, havia sido "punido" pela instituição (glo.bo/1RRb6B7). A punição: um ano de suspensão. O ato irregular dele: estupro. Isso mesmo, es-tu-pro. E não era o primeiro, era o segundo estupro pelo qual a USP o condenava. Ainda falta um: ele é acusado de ter estuprado três colegas de universidade, duas do curso de Medicina e uma do curso de Enfermagem.

Dentro de um ano ele poderá concluir o seu curso. E teremos um médico-estuprador-serial clinicando por aí. Quem sabe na área de ginecologia, para o completo não-desespero de suas futuras pacientes. Digo "não-desespero", pois o nome do futuro médico uspiano não saiu nos jornais - e, lógico, nome e foto provavelmente jamais sairão.

(Outro parêntesis: sinceramente, se a USP não considera três estupros algo grave o suficiente pra expulsar esse aluno, acho melhor fechar a Reitoria e largar a Universidade ao deus-dará. Sem nenhuma forma de gestão ou controle ela estará mais bem administrada do que agora)

É isso aí, pessoal: só uma suspensão e nenhuma execração pública ao estuprador serial da USP. Enquanto isso a doméstica segue sendo linchada, cuspida, agredida, condenada.

A coisa é tão gritante que sem ser mulher eu concluo que é muito escroto ser mulher nesse país! Nessas horas eu fico muito tentado a achar que as mulheres nos países islâmicos radicais tem uma vida menos difícil que as brasileiras. A mulher brasileira, afinal de contas, não pode:

- andar numa rua escura ou deserta, senão está "se expondo" ao risco de ser estuprada. Se for atacada a culpa é dela, por estar numa rua escura e deserta - ainda que essa rua seja o único caminho que ela tem pra sair e chegar de casa...- usar roupa justa ou curta, senão "merece" ser estuprada ou "está pedindo". A mulher só está segura se usar burca, usar a roupa que ela quiser não pode não!

- ser bonita ou explorar a sua sexualidade com independência, senão está sendo vadia, piriguete, vagabunda, ou qualquer adjetivo que os doentes gostem de usar. Homem pode fazer o que quiser, mulher tem que ser uma santa recatada;

- ir sozinha ou com amigas a uma balada ou um bar, senão "está procurando". A mulher só pode sair se tiver um homem no grupo, pra marcar o território e protegê-la dos demais. Senão a matilha se sente inteiramente à vontade pra atacar;

- pular carnaval sozinha ou com as amigas, senão leva passada de mão, apalpada e tem que dar beijo à força. Afinal, se está sozinha no carnaval ela "está querendo", já que mulher "séria" não vai pra carnaval sem um dono.

Em suma, a culpa do estupro, do assédio e da violência é sempre da mulher, pelo simples fato dela ser mulher, e ela só está segura se estiver dentro de casa, escondida.

Se eu fosse mulher no Brasil, só me sentiria minimamente segura se treinasse krav-magá e tivesse porte de arma!

A pobre doméstica, que por imposição de uma vida difícil, dura, de pobreza, se viu obrigada a abandonar seu filho, essa foi condenada em público. As vítimas do futuro médico estuprador-serial estão feridas pro resto da vida.Tanto a doméstica como as estupradas perderam tudo, da dignidade à imagem.

O futuro médico e atual estuprador-serial, esse não! Ao homem toda a benevolência e proteção! Ele conta com toda a proteção da mídia, da USP e da lei pra se manter incólume, concluir sua faculadade e ser um respeitável médico perante a sociedade.

Fecha-se o ciclo do crime e castigo à brasileira, uma situação recorrente quando a vítima é pobre ou mulher: o criminoso segue bem, obrigado, e as vítimas devidamente condenadas e/ou destruídas. E toda a sociedade jura de pé junto (num país que nem a lei básica consegue cumprir) que estaremos bem quando matarmos todos os bandidos em praça pública. Afinal, bandido bom é bandido morto.

Menos o estuprador-serial da USP, que pra todos os efeitos nem existe. Esse nem bandido é: trata-se do "doutor" Fulano de Tal. Aquele que talvez venha a ter no cartão de visita, abaixo do nome, o título "ginecologista".

------------

Texto do professor e advogado Alan Souza.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Delação não pode ser tortura, alerta juiz

Do Valor Econômico
André Guilherme Vieira | De São Paulo


Titular da vara federal de São Paulo que recebeu os autos da Lava-Jato sobre corrupção no Ministério do Planejamento, o juiz João Batista Gonçalves não é um entusiasta da delação premiada, que pode se transformar em "extorsão, tortura", alerta. 

O Valor entrevistou com exclusividade o magistrado que poderá ser o responsável pela condução de um eventual processo envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, decorrente da operação. Em princípio, na hipótese de Lula tornar-se investigado na Lava-Jato, o inquérito seria distribuído a um dos três juízos especializados em crimes de lavagem de capitais em São Paulo (2ª, 6ª ou 10ª varas), porque ex-chefes do Executivo federal não têm privilégio de foro. 

"Que diferença tem a tortura de alguém que ia para o pau de arara para fazer confissões e a tortura de alguém que é preso e só é solto com uma tornozeleira, depois que aceita a delação premiada?", indaga. "E esse juiz que faz isso [homologa a colaboração premiada] depois vai julgar o caso. Isso a meu ver está errado. Não estou falando especificamente do [Sergio] Moro, estou falando em tese", diz o juiz federal, que defende mudança legislativa para que cada processo penal conte com a atuação de dois juízes: um responsável pela instrução processual e o outro pelo julgamento do réu. "Como pode o juiz recolher alguém no cárcere, forçá-lo a fazer a cooperação premiada e depois ele vai julgar. Com que serenidade?", critica.

O magistrado, no entanto, afirma que não é contrário à adoção da delação premiada: "Acho que deve ser um instrumento à disposição dos imputados. Ela não pode ser extorquida, não pode ser obtida mediante coação, mediante violência", pondera. Na opinião do juiz, a população tende a "querer sangue" quando se trata de caso criminal de grande repercussão.

Gonçalves relata um episódio em que, durante um seminário, colegas reagiram quando ele afirmou que a delação premiada deve ser mais um instrumento de defesa do que de condenação. "Daí os mais antigos sorriram e falaram: ´Não, a juventude quer sangue´. O mesmo sangue que se queria no Coliseu. O mesmo sangue que se queria quando um romano enfrentava um leão". Responsável pela ação penal sobre lavagem de dinheiro decorrente do caso Alstom (investigação sobre pagamentos de propinas feitos pela multinacional francesa a políticos de São Paulo), João Batista Gonçalves diz que a experiência com autoridades suíças indica que a delação premiada "é um instrumento absolutamente superado" para combater crimes financeiros. "Isso envolve muito dinheiro. E o dinheiro deixa rastros. Ele pode ser perfeitamente perseguido pelas autoridades e pode ser perseguido através da mídia. Hoje alguém consegue se esconder com internet, se a investigação for bem feita?", questiona o magistrado. Na opinião de Gonçalves, o relato do criminoso colaborador reproduz apenas partes de toda uma história. "A memória do delator é seletiva", ironiza. 

Perto de completar 69 anos (fará aniversário amanhã), o juiz titular da 6ª vara criminal federal decidiu que seu subordinado hierárquico, o juiz substituto Paulo Bueno de Azevedo, instruirá o processo sobre a Consist Software, empresa responsável pelo crédito consignado no Planejamento e suspeita de ter sido usada para desvios de R$ 52 milhões entre 2010 e 2015. Pelo menos R$ 37 milhões teriam abastecido ilicitamente o caixa do PT, segundo as investigações. O caso foi remetido a São Paulo obedecendo ao critério da territorialidade adotado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), na decisão em que o colegiado da corte optou pelo fatiamento da Operação Lava-Jato. 

Segundo Gonçalves, há na Justiça Federal uma tradição que norteia a distribuição de processos entre os juízes que integram uma mesma vara. "Claro que tenho competência para decidir o que será julgado por mim. Mas o processo [da Consist] tem seu número com final ímpar e a recomendação é que, na distribuição, vá para o juiz substituto", esclarece. Gonçalves conta que conversou com seu colega antes de destinar a ele o desmembramento processual da Lava-Jato: "Quando o processo chegou à vara, me informaram que era da Lava-Jato e que era [número] ímpar. Aí consultei o Paulo. Perguntei: ´Você se considera preparado para tocá-lo?´. Ele respondeu que sim. É um ótimo juiz", define. 

Paulo Bueno de Azevedo disse ao Valor que a instrução do caso tramitará sob segredo de Justiça e que não poderia fazer nenhum comentário a respeito. Na sexta-feira, o juiz aceitou pedido da defesa do ex vereador do PT de Americana, Alexandre Romano, o "Chambinho", e converteu sua prisão preventiva em domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica. Apontado como o primeiro operador de propinas no Ministério do Planejamento a serviço do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto (preso preventivamente e processado por corrupção e lavagem), Romano fez delação premiada na Procuradoria Geral da República e afirmou que a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) seria beneficiária de dinheiro desviado da Pasta. O delator também implicou o ex-ministro do Planejamento Paulo Bernardo (PT-PR), marido de Gleisi, que figura entre os investigados no inquérito que tramita na 6ª vara criminal federal de São Paulo.

Gonçalves atuou durante 20 anos como juiz cível e é um profundo conhecedor da legislação sobre improbidade administrativa. Formou-se bacharel em Direito em 1970, no Mackenzie. Em 1999 concluiu o doutorado em Direito do Estado na Universidade de São Paulo (USP). "Foram muitos anos de estudos na USP que me tornaram especialista em crimes financeiros", diz, apontando o diploma de doutor afixado em parede de seu gabinete. 

Há pouco mais de um ano se inscreveu, a uma hora e meia do prazo final, para ocupar a 6ª vara criminal, espécie de vitrine da Justiça Federal paulista em que já transitaram casos de repercussão nacional, como as operações Satiagraha e Castelo de Areia - ambas tornadas inócuas por tribunais superiores, que anularam ritos processuais conduzidos pelo então juiz Fausto De Sanctis, atualmente desembargador federal com atuação na área previdenciária. Gonçalves ganhou a disputa para a 6ª vara por decisão do Conselho Federal da Magistratura, que adotou o critério de antiguidade ao nomeá-lo. O magistrado foi criticado por alguns de seus pares, por ter pedido a remoção, na época, a pouco mais de dois anos da data limite para a aposentadoria compulsória, que então ocorria aos 70 anos. "Tinha a vaga aberta, eu preenchia todo os requisitos objetivos e subjetivos. Há sempre os que contestam. É natural. O titular anterior, Fausto De Sanctis, tocou cinco ações de repercussão nacional", resume.

Gonçalves reconhece que a perspectiva de julgar casos de repercussão o motivou a concorrer para o cobiçado juízo federal. Ele quer atuar na magistratura até os 75 anos, fato tornado possível após a aprovação pelo Congresso da Proposta de Emenda à Constituição conhecida como PEC da Bengala. "Eu sou um dos primeiros na lista de antiguidade e, se abrir uma vaga, e eu tiver a possibilidade de ascender ao Tribunal [Regional Federal da 3 ª Região], gostaria muitíssimo. Para encerrar a minha carreira da melhor forma possível". 

Site: http://www.valor.com.br/politica/4275244/delacaonao-pode-ser-tortura-alerta-juiz

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Sobre o tal inchaço da máquina pública

Entrevista agora há pouco na CBN sobre o inchaço da maquina pública entre 1992 e 2014 revelou alguns números:
- A quantidade de servidores é praticamente a mesma há mais de 20 anos;

- O custo cai constantemente frente a arrecadação;
- A área que mais cresceu (com folga) em número de pessoas e volume de recursos foi educação;
- Polícia Federal e Receita Federal estão entre os crescimentos mais expressivos.
- A maioria dos cargos de confiança é ocupada por servidores concursados sem partido.
- A qualificação profissional deu um salto, especialmente no numero de doutores, que saiu de 0,8% para mais de 12%.

De fato o inchaço precisa ser enfrentado.

O alerta é do jornalista brasiliense Lincoln Macário. 

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

A história estuprada do Brasil

Por Valdson Almeida

Corre mata adentro, cansada, ofegante, vencida.
É o bandeirante desbravador estuprando a índia. E é ela a selvagem, claro!

Tapa a boca, escraviza a alma. Chora, vendida.
É o senhor da casa grande, proprietário de carne, estuprando a negra na senzala. E é ela a escória, claro!

É o militar patriota estuprando a comunista subversiva nos porões da ditadura. E é ela a ameaça ao país, claro!

É o policial vestido de hipocrisia que atende a mulher violentada agora há pouco, perguntando que roupa ela usava na hora do ocorrido. E é ela que se veste errado, claro!

É o pai de família que faz sexo com a esposa indisposta. Mas isso não é estupro, é só sexo sem consentimento mútuo, claro!

É o macho alfa que estupra corretivamente a lésbica “mal comida”. E é ela a doente que precisa de cura, claro!

É o aluno de medicina, estudante da “melhor universidade da América latina”, que estupra a caloura bêbada. E é a denúncia dela que mancha o nome da Universidade, claro!

É o político defensor dos “bons costumes” que só não estupra a deputada porque ela ‘não merece’. Ufa, pelo menos alguém sensato nessa história violentada do Brasil.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Como é bom ser do PSDB

Pelo professor e advogado público Alan Souza

 
Entremeado por algumas notinhas sociais, a colunista da Folha Mônica Bergamo informa que o "cartel" da Alstom e da Siemens no metrô de SP vai morrer quieto. A Alstom vai fechar um acordo de leniência, pagar 1 bilhão (é o valor do desvio só da Alstom, sem contar a Siemens. E isso só no metrô de SP, que infinitamente menor que a Petrobrás!), não vai ter nenhum processo, ninguém foi preso, niguém vai responder por nenhum crime, e nem administrativamente.
(http://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2015/08/1674406-alstom-negocia-acordo-para-devolver-dinheiro-ao-metro.shtml)
 
Corta pra Petrobrás: um mundo de gente presa, só vai solto se fechar acordo de delação, querem o impeachment da Dilma e o Ministério Público (que em SP avalizou o acordo de leniência) tentou impedir o Governo Federal de fechar qualquer acordo de leniência, indo contra uma legislação que ele mesmo ajudou a criar.
 
A melhor coisa do mundo é ser Tucano! Pode roubar à vontade e depois dizer que é "vítima do cartel", construir aeroporto com dinheiro público na fazenda da família, ser delatado na Lava-Jato*, ter conta-fantasma no exterior**, que não acontece nada, e o sujeito ainda fica por aí pagando de guardião da moralidade e com a mídia toda a seu favor. A mídia mundial noticia que Aécio foi acusado de receber propina (http://bit.ly/1LDaeQI), e a brasileira se cala...
 
*O doleiro Alberto Youssef disse em depoimento na Lava-Jato que Aécio Neves recebia propina de Furnas. Especificou o valor (150 mil dólares por mês), disse a quem era pago (à onipresente Andrea Neves, irmã do Aécio) e qual a empresa que efetuava o pagamento da propina (a Bauruense). Janot deixou de investigar Aécio alegando que se tratava de "um outro episódio", que não da Petrobrás. É como se um delegado estivesse investigando roubo de carga e numa batida encontrasse tráfico de drogas, e deixasse de investigar o tráfico alegando que "é outro episódio". Mas Eletronuclear, Ministério do Planejamento e tudo mais que apareceu na Lava-Jato e não era Petrobrás - eram também "outros episódios" -, tudo foi devidamente investigado. Menos Furnas, pra não incomodar o Aécio...
 
**E pra completar, desde 2010 está parado nas gavetas do seu Janot um inquérito do MPF do Rio de Janeiro, sobre uma conta fantasma de Aécio Neves no Liechenstein, país-paraíso fiscal europeu.
 
Como é bom ser Tucano!


sexta-feira, 3 de julho de 2015

Somos todos Maju!

A primeira vez que vi a Maria Julia Coutinho foi em 2002, quando fiz uma espécie de "estágio" de duas semanas na Fundação Padre Anchieta - TV Cultura de SP. Ela era uma promissora estagiária da produção e usava um cabelo trançado. Sempre foi chamada pelos colegas de Maju.

Apesar de ter acabado de me formar, eu já tinha a experiência de dois anos como repórter na TV Cultura do Pará (é... comecei a trabalhar cedo). Lembro bem dela pegando no meu cabelo cacheado que estava solto e dizendo "Seu cabelo deve ficar lindo no vídeo". E eu respondi que eu não poderia usá-lo solto na TV Cultura do Pará porque o diretor da TV não permitia. Ela respondeu "E tem que esconder quem você é?"

Aquilo me marcou e provavelmente ela não tenha noção disso.

Anos depois, quando a vi no SPTV como repórter, lembrei do nosso curto diálogo e do quanto aquilo representava. Não preciso nem dizer, então, quando ela foi para o JN...

Vê-la sofrer um ataque tão escroto, pequeno, baixo e criminoso, feito por racistas na página do Jornal Nacional, é de causar muita revolta. Dói em mim e em qualquer pessoa preta, branca ou amarela que tenha consciência de que "não podemos esconder quem somos" para sermos bem sucedidos.

És linda e competente, Maria Julia!
‪#‎SomosTodosMajuCoutinho‬

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Justiça ou vingança?

Artigo da psicanalista Maria Rita Kehl
Sou obrigada a concordar com Friedrich Nietzsche: na origem da demanda por justiça está o desejo de vingança. Nem por isso as duas coisas se equivalem. O que distingue civilização de barbárie é o empenho em produzir dispositivos que separem um de outro. Essa é uma das questões que devemos responder a cada vez que nos indignamos com as consequências da tradicional violência social em nosso país.
Escrevo "tradicional" sem ironia. O Brasil foi o último país livre no Ocidente a abolir a prática bárbara do trabalho escravo. Durante três séculos, a elite brasileira capturou, traficou, explorou e torturou africanos e seus descendentes sem causar muito escândalo.
Joaquim Nabuco percebeu que a exploração do trabalho escravo perverteria a sociedade brasileira –a começar pela própria elite escravocrata. Ele tinha razão.
Ainda vivemos sérias consequências desse crime prolongado que só terminou porque se tornou economicamente inviável. Assim como pagamos o preço, em violência social disseminada, pelas duas ditaduras –a de Vargas e a militar (1964 e 1985)– que se extinguiram sem que os crimes de lesa-humanidade praticados por agentes de Estado contra civis capturados e indefesos fossem apurados, julgados, punidos.
Hoje, três décadas depois de nossa tímida anistia "ampla, geral e irrestrita", temos uma polícia ainda militarizada, que comete mais crimes contra cidadãos rendidos e desarmados do que o fez durante a ditadura militar.
Por que escrevo sobre esse passado supostamente distante ao me incluir no debate sobre a redução da maioridade penal? Porque a meu ver, os argumentos em defesa do encarceramento de crianças no mesmo regime dos adultos advém dessa mesma triste "tradição" de violência social.
É muito evidente que os que conduzem a defesa da mudança na legislação estão pensando em colocar na cadeia, sob a influência e a ameaça de bandidos adultos já muito bem formados na escola do crime, somente os "filhos dos outros".
Quem acredita que o filho de um deputado, evangélico ou não, homofóbico ou não, será julgado e encarcerado aos 16 anos por ter queimado um índio adormecido, espancado prostitutas ou fugido depois de atropelar e matar um ciclista?
Sabemos, sem mencioná-lo publicamente, que essa alteração na lei visa apenas os filhos dos "outros". Estes outros são os mesmos, há 500 anos. Os expulsos da terra e "incluídos" nas favelas. Os submetidos a trabalhos forçados.
São os encarcerados que furtaram para matar a fome e esperam anos sem julgamento, expostos à violência de criminosos periculosos. São os militantes desaparecidos durante a ditadura militar de 1964-85, que a Comissão da Verdade não conseguiu localizar porque os agentes da repressão se recusaram a revelar seu paradeiro.
Este é o Brasil que queremos tornar menos violento sem mexer em nada além de reduzir a idade em que as crianças devem ser encarceradas junto de criminosos adultos. Alguém acredita que a medida há de amenizar a violência de que somos (todos, sem exceção) vítimas?
As crianças arregimentadas pelo crime são evidências de nosso fracasso em cuidar, educar, alimentar e oferecer futuro a um grande número de brasileiros. Esconder nossa vergonha atrás das grades não vai resolver o problema.
Vamos vencer nosso conformismo, nossa baixa estima, nossa vontade de apostar no pior –em uma frase, vamos curar nossa depressão social. Inventemos medidas socioeducativas que funcionem: sabemos que os presídios são escolas de bandidos. Vamos criar dispositivos que criem cidadãos, mesmo entre os miseráveis –aqueles de quem não se espera nada.
MARIA RITA KEHL, 63, psicanalista, foi integrante da Comissão Nacional da Verdade. É autora de "O Tempo e o Cão - A Atualidade das Depressões" (Boitempo) e de "Processos Primários" (Estação Liberdade)

terça-feira, 30 de junho de 2015

Carta para Malafaia

Caro Malafaia,
Não se "fala mal" de um padre por se padre, mas quando ele é incoerente (ser pedófilo, por exemplo);
Não se "fala mal" de um pastor por ser pastor, mas quando ele é hipócrita (caça-niqueis, por exemplo);
Não se "fala mal" de político por ser político, mas quando ele é antiético (corrupto, por exemplo);
Não se "fala mal" de presidente por ser presidente, mas quando ele é inapto (incompetência, por exemplo);
Você quer ter o direito de "falar mal" de homossexuais por serem homossexuais?
No passado se tolerava muito mais "falar mal" do negro por ser negro, "falar mal" do judeu, por ser judeu, "falar mal" do diferente, por ser diferente. Acho que está claro para onde a história caminha e onde ficarão aqueles que tentaram impedir seu progresso.
Mandarei notícias da nova era para a era de trevas a que você se prende.

=========
O texto acima foi publicado pelo jornalista brasiliense Lincoln Macária em sua página no Facebook.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

E ainda há quem queira piorar as coisas...

Brasil tem quarta maior população carcerária do mundo

A notícia de que o Brasil aumentou o ritmo de encarceramento entre 2008 e 2014, conforme o Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen), ocupa os noticiários nacionais desde ontem.
Os dados foram divulgados nesta terça-feira pelo Ministério da Justiça.

A taxa de aprisionamento subiu 33% no Brasil, que tem a quarta maior população prisional do mundo - 607.731 pessoas estavam presas em junho de 2014. O País é superado apenas por Estados Unidos, China e Rússia. Em termos proporcionais, o Brasil tem 300 presos para cada 100 mil habitantes e fica atrás somente de Estados Unidos, Rússia e Tailândia.

Se somar aos presos em regime domiciliar, esses números chegam a 714 mil, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça, divulgados em meados de 2014, colocando o Brasil no ranking da terceira maior população presa do planeta.

Deparar-se com dados assim só deixa ainda mais claro que "somente" prisão não resolve a violência e, portanto, colocar jovens abaixo dos 18 anos nas cadeias só vai piorar o problema.

É preciso ressocializar! 

#DigaNãoÀRedução
#ReduçãoNão

Foto: Rodrigo de Oliveira / Agência CNJ de Notícias





segunda-feira, 25 de maio de 2015

Não defendemos impunidade

Há uma diferença abissal entre inocentar quem cometeu um crime - seja ele de qual idade for - e fazer uma análise crítica da cobertura tendenciosa da imprensa, quando se trata de delitos cometidos por menores de 18 anos.

============

Vale sempre lembrar o que a imprensa não faz: crimes hediondos cometidos por menores representam 1,2% do total desse tipo de crime no país. A questão é que quando um crime hediondo é cometido por um adolescente o apelo midiático é muito maior e aí, vira essa comoção toda que estamos vendo.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Não se esconda atrás da corrupção

Ter ódio da corrupção, qualquer cidadão de bem tem.
Mas, quando o ódio é somente de "algumas corrupções", é hora de se perceber.
Sua raiva certamente é por outro motivo.
Assuma-se!

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Chega de terrorismo

Não acho que o governo da Dilma é perfeito. Longe disso.
Mas acho, no mínimo, leviana e irresponsável essa tentativa da oposição e de parte da imprensa de tocar o terror. Não, o país não está no buraco.

- As pessoas seguem empregadas, ao contrário dos anos 80 e 90.

- A fome no Brasil segue controlada, ao contrário de nosso passado, quando estávamos no mapa da fome mundial.

- Ninguém deixou de sair com seus carros de casa por causa do reajuste no preço do combustível (que foi segurando pelo governo por muito tempo, diante da alta internacional do petróleo). Vale lembrar que nos anos 90, chegamos a ter 4 reajustes de combustível, num ano.

- Jovens e adultos seguem fazendo faculdade e se qualificando profissionalmente, como nunca antes na história desse país.

- A corrupção da Petrobrás está sendo investigada a fundo como nunca foi feito na empresa, mesmo com os desvios existindo nela há 20 anos.

- Os investimentos em energia estão acontecendo, como não aconteceram nos anos 90. Ou vocês esqueceram o que foi o apagão do FHC?

Eu poderia listar muitas coisas. Mas tenho mais o que fazer, do que ficar aqui fazendo o trabalho que a Secretaria de Comunicação da Presidência da República não faz.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Bolsonaro tenta intimidar jornalistas: "Você merece ser estuprada?"

Jair Bolsonaro não tem limites
As vítimas da vez são duas jornalistas da EBC, do Rio de janeiro. 
Abaixo, a nota do Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro explica:

Sindicato repudia ofensa do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) a jornalistas da EBC

O Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro vem a público repudiar a agressão praticada pelo deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) contra duas jornalistas da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Na última segunda-feira (15) o parlamentar dirigiu-se às repórteres com frase semelhante a que o colocou nos noticiários: “Você merece ser estuprada? Você merece ser estuprada? Estou perguntando. Responda”, disse a uma delas, durante entrevista.

No áudio, descrito abaixo, a pergunta do deputado “Você merece ser estuprada?” é repetida de forma a intimidar desestruturar e prejudicar o livre exercício profissional de ambas, afrontando também a liberdade de imprensa, nesta situação. O Sindicato dos Jornalistas do Rio condena tal declaração e esclarece que a violência sexual tem efeitos devastadores na saúde de qualquer pessoas.

O Sindicato dos Jornalistas do RJ encaminhará o áudio e a transcrição do ocorrido à Comissão de Direitos Humanos e Liberdade de Imprensa da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), para a Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, para a Procuradoria-Geral da República (PGR) e para a Comissão de Ética do Congresso Nacional, que já abriu processo contra o deputado Jair Bolsonaro por quebra de decoro parlamentar.

Às vésperas dos 20 anos da Conferência Mundial sobre os Direitos Mulher e no mês de aniversário dos 66 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, é inadmissível que um representante do parlamento, em hipótese alguma, estimule práticas de violação de direitos.

Esta não é a primeira vez que o deputado se dirige de maneira depreciativa a mulheres jornalistas. Em abril, Bolsonaro chamou uma repórter da Rede TV de “idiota” e “analfabeta” ao ser questionado sobre a ditadura no país. O Sindicato dos Jornalistas do DF representa a vítima.

Entenda o caso
Na tarde desta segunda-feira (15/12), o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) diplomou os candidatos eleitos em 2014, em cerimônia no Palácio Tiradentes, sede da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro. No evento, deputados estaduais do Psol levantaram cartazes com a frase “A violência contra a mulher não pode ter voz no Parlamento”.

A manifestação dos deputados se refere ao episódio em que o parlamentar disse que não estupraria a deputada Maria do Rosário (PT-RS) porque “ela não merece”. Após o protesto, os jornalistas procuraram o deputado Bolsonaro para que ele pudesse dar a sua versão sobre o episódio.

Íntegra do áudio:

Jair Bolsonaro: Então estão [vocês da imprensa] sendo parciais comigo. Ela [Maria do Rosário] recebeu o catraco que ela mereceu naquele momento.

Repórter 1: Você acha que alguém merecia isso?

Jair Bolsonaro: Não, inclusive… [Olhando para mim] Você merece ser estuprada?
Repórter 1: [Silêncio]

Jair Bolsonaro: Você merece ser estuprada?

Repórter 1: [Silêncio]

Jair Bolsonaro: Estou perguntando! Responda!

Repórter 1: Eu não tenho que responder, não sou eu que tenho que responder isso.

Jair Bolsonaro: Não pera aí, eu estou perguntando para você. Então, não queira colocar palavras na minha boca.

Repórter 2: Alguém merece?


Jair: Eu estava discutindo a questão da maioridade penal no caso do Champinha, que estuprou em rodízio uma jovem de 16 anos e depois a matou. Ela [Maria do Rosário] foi lá para defender o Champinha, e ainda me chamou de estuprador, e agora eu sou réu? Lá não é colégio de freira, lá não tem santo, ela não pode ser santa, nem o seu Marcelo ‘Frouxo’ passar por babaca aqui nesta Casa. Foi o papel que ele fez, de babaca

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Sigam a cronologia da coisa...

A precisão da observação é do advogado e professor Alan Souza:


1) No dia 21 de outubro - terça-feira - o doleiro Alberto Youssef, preso na operação Lava-Jato, presta depoimento na Polícia Federal. Não cita Lula e nem Dilma;
 
2) No dia seguinte (quarta-feira, 22 de outubro) os advogados de Youssef pedem para fazer uma retificação desse depoimento. O advogado de Youssef pergunta quem mais, além de quem já fora citado, sabia das fraudes na Petrobras. E Youssef afirma que, pelo tamanho do esquema, era impossível que Dilma e Lula não soubessem. Não apresentou nenhuma prova e nem lhe foi pedida. Acabou aí a "retificação";
 
3) No dia seguinte (quinta-feira, 23 de outubro) a revista Veja publica a famosa capa em seu site, afirmando que Lula e Dilma sabiam de tudo, com um trecho da reportagem que sairia na edição impressa citando o depoimento da véspera do doleiro. Depois disso a própria Veja afirma que estava apurando o teor do depoimento de Youssef desde a terça-feira, mas que a informação só adquirira o grau de clareza e certeza necessários para publicação na quinta-feira;
 
4) Como a Veja estava apurando desde a terça-feira um depoimento que só aconteceu na quarta-feira?
 
 
E ainda tem quem queira que eu leia Veja e dê crédito ao que se escreve lá...

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Loucos e desesperados

Entro no consultório.
Após a rápida consulta, o médico puxa um papo. Por trabalharmos num ambiente conservador, ele imagina que eu sou um de seus pares:

- É, parece que a Dilma vai ganhar mesmo, né? - Fala com cara de nojinho.
- Pra o bem do Brasil, espero que sim.

Ele me olha com cara assustada e solta a pérola:
- Que é isso? Agora acabou. Vamos viver mesmo uma ditadura comunista aqui. O Brasil vai ser comunista!

Eles estão loucos e desesperados.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Não passarás, sua machista!

Uma campanha histórica para nós, mulheres.
Pela primeira vez, temos duas de nós disputando as cabeças pra Presidência da República. 
Eu já previa o ataque dos machistas de plantão contra as duas. Chamarem-nas de feias e outros jargões pejorativos típicos de quem não consegue enxergar além dos estereótipos. 
Mas, pra minha surpresa, esse tipo de “gracejo” (se é que pode se chamar assim) partiu de uma das candidatas.
Na semana passada, Marina chamou Dilma de gorda, como se isso a desqualificasse pra ser presidente, e agora, um de seus coordenadores diz que Dilma é masculinizada.
Que lástima. Que desserviço pra sociedade e pra o avanço do espaço das mulheres no Brasil.
Marina, nós, mulheres que lutamos por nosso espaço não vamos retroceder. As gordas, as feias, as magras, as solteiras, as duronas, as lésbicas, as masculinizadas, as patricinhas. Não passarás, sua machista!

Vale fazer disputa ideológica e política. Machista, não!

http://www.brasilpost.com.br/2014/08/22/dilma-masculina_n_5699118.html