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sexta-feira, 3 de julho de 2015

Somos todos Maju!

A primeira vez que vi a Maria Julia Coutinho foi em 2002, quando fiz uma espécie de "estágio" de duas semanas na Fundação Padre Anchieta - TV Cultura de SP. Ela era uma promissora estagiária da produção e usava um cabelo trançado. Sempre foi chamada pelos colegas de Maju.

Apesar de ter acabado de me formar, eu já tinha a experiência de dois anos como repórter na TV Cultura do Pará (é... comecei a trabalhar cedo). Lembro bem dela pegando no meu cabelo cacheado que estava solto e dizendo "Seu cabelo deve ficar lindo no vídeo". E eu respondi que eu não poderia usá-lo solto na TV Cultura do Pará porque o diretor da TV não permitia. Ela respondeu "E tem que esconder quem você é?"

Aquilo me marcou e provavelmente ela não tenha noção disso.

Anos depois, quando a vi no SPTV como repórter, lembrei do nosso curto diálogo e do quanto aquilo representava. Não preciso nem dizer, então, quando ela foi para o JN...

Vê-la sofrer um ataque tão escroto, pequeno, baixo e criminoso, feito por racistas na página do Jornal Nacional, é de causar muita revolta. Dói em mim e em qualquer pessoa preta, branca ou amarela que tenha consciência de que "não podemos esconder quem somos" para sermos bem sucedidos.

És linda e competente, Maria Julia!
‪#‎SomosTodosMajuCoutinho‬

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Justiça ou vingança?

Artigo da psicanalista Maria Rita Kehl
Sou obrigada a concordar com Friedrich Nietzsche: na origem da demanda por justiça está o desejo de vingança. Nem por isso as duas coisas se equivalem. O que distingue civilização de barbárie é o empenho em produzir dispositivos que separem um de outro. Essa é uma das questões que devemos responder a cada vez que nos indignamos com as consequências da tradicional violência social em nosso país.
Escrevo "tradicional" sem ironia. O Brasil foi o último país livre no Ocidente a abolir a prática bárbara do trabalho escravo. Durante três séculos, a elite brasileira capturou, traficou, explorou e torturou africanos e seus descendentes sem causar muito escândalo.
Joaquim Nabuco percebeu que a exploração do trabalho escravo perverteria a sociedade brasileira –a começar pela própria elite escravocrata. Ele tinha razão.
Ainda vivemos sérias consequências desse crime prolongado que só terminou porque se tornou economicamente inviável. Assim como pagamos o preço, em violência social disseminada, pelas duas ditaduras –a de Vargas e a militar (1964 e 1985)– que se extinguiram sem que os crimes de lesa-humanidade praticados por agentes de Estado contra civis capturados e indefesos fossem apurados, julgados, punidos.
Hoje, três décadas depois de nossa tímida anistia "ampla, geral e irrestrita", temos uma polícia ainda militarizada, que comete mais crimes contra cidadãos rendidos e desarmados do que o fez durante a ditadura militar.
Por que escrevo sobre esse passado supostamente distante ao me incluir no debate sobre a redução da maioridade penal? Porque a meu ver, os argumentos em defesa do encarceramento de crianças no mesmo regime dos adultos advém dessa mesma triste "tradição" de violência social.
É muito evidente que os que conduzem a defesa da mudança na legislação estão pensando em colocar na cadeia, sob a influência e a ameaça de bandidos adultos já muito bem formados na escola do crime, somente os "filhos dos outros".
Quem acredita que o filho de um deputado, evangélico ou não, homofóbico ou não, será julgado e encarcerado aos 16 anos por ter queimado um índio adormecido, espancado prostitutas ou fugido depois de atropelar e matar um ciclista?
Sabemos, sem mencioná-lo publicamente, que essa alteração na lei visa apenas os filhos dos "outros". Estes outros são os mesmos, há 500 anos. Os expulsos da terra e "incluídos" nas favelas. Os submetidos a trabalhos forçados.
São os encarcerados que furtaram para matar a fome e esperam anos sem julgamento, expostos à violência de criminosos periculosos. São os militantes desaparecidos durante a ditadura militar de 1964-85, que a Comissão da Verdade não conseguiu localizar porque os agentes da repressão se recusaram a revelar seu paradeiro.
Este é o Brasil que queremos tornar menos violento sem mexer em nada além de reduzir a idade em que as crianças devem ser encarceradas junto de criminosos adultos. Alguém acredita que a medida há de amenizar a violência de que somos (todos, sem exceção) vítimas?
As crianças arregimentadas pelo crime são evidências de nosso fracasso em cuidar, educar, alimentar e oferecer futuro a um grande número de brasileiros. Esconder nossa vergonha atrás das grades não vai resolver o problema.
Vamos vencer nosso conformismo, nossa baixa estima, nossa vontade de apostar no pior –em uma frase, vamos curar nossa depressão social. Inventemos medidas socioeducativas que funcionem: sabemos que os presídios são escolas de bandidos. Vamos criar dispositivos que criem cidadãos, mesmo entre os miseráveis –aqueles de quem não se espera nada.
MARIA RITA KEHL, 63, psicanalista, foi integrante da Comissão Nacional da Verdade. É autora de "O Tempo e o Cão - A Atualidade das Depressões" (Boitempo) e de "Processos Primários" (Estação Liberdade)

quarta-feira, 24 de junho de 2015

E ainda há quem queira piorar as coisas...

Brasil tem quarta maior população carcerária do mundo

A notícia de que o Brasil aumentou o ritmo de encarceramento entre 2008 e 2014, conforme o Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen), ocupa os noticiários nacionais desde ontem.
Os dados foram divulgados nesta terça-feira pelo Ministério da Justiça.

A taxa de aprisionamento subiu 33% no Brasil, que tem a quarta maior população prisional dmundo - 607.731 pessoas estavam presas em junho de 2014. O País é superado apenas por Estados Unidos, China e Rússia. Em termos proporcionais, o Brasil tem 300 presos para cada 100 mil habitantes e fica atrás somente de Estados Unidos, Rússia e Tailândia.

Se somar aos presos em regime domiciliar, esses números chegam a 714 mil, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça, divulgados em meados de 2014, colocando o Brasil no ranking da terceira maior população presa do planeta.

Deparar-se com dados assim só deixa ainda mais claro que "somente" prisão não resolve a violência e, portanto, colocar jovens abaixo dos 18 anos nas cadeias só vai piorar o problema.

É preciso ressocializar! 

#DigaNãoÀRedução
#ReduçãoNão

Foto: Rodrigo de Oliveira / Agência CNJ de Notícias





quarta-feira, 9 de abril de 2014

Estado patina na segurança e tortura inocentes para confessar crimes não cometidos

O caso Tayná, no Paraná, é mais um exemplo do quanto nossas polícias são mal formadas, mal preparadas e tendem e achar culpados para dar resposta imediata para a imprensa, quando um caso dá muita audiência. Com esse objetivo, chegam até a torturar inocentes para que esses assumam a culpa de crimes que não cometeram. Dessa forma, ganham na mídia o espaço esperado.

No caso específico, quatro trabalhadores do Parque de Diversões onde foi encontrado o corpo de Tayná tiveram de "confessar" estupro e assassinato não cometidos.

Mais uma vez, é a culpa caindo sobre pobres para que o Estado tente parecer eficiente.

O governador tucano Beto Richa ainda deve a resposta desse crime hediondo sofrido pela jovem Tayná. Mas deve também a responsabilidade sobre a injustiça, humilhação e tortura sofridas pelos quatro trabalhadores que foram acusados pelo Estado de terem cometido crimes que não cometeram.


Laudo confirma que Tayná não sofreu violência sexual


A exumação do corpo de Tayná Adriane da Silva, 14 anos, confirmou o que a perícia inicial havia apontado: ela não sofreu violência sexual antes de ser morta. A informação foi obtida pela Gazeta do Povo com fontes que investigam o assassinato da garota, cujo corpo foi encontrado no dia 28 de junho de 2013, em Colombo, na Grande Curitiba.
Procurada para confirmar o resultado da necropsia, a Secretaria da Segurança Pública do Paraná (Sesp) não negou nem confirmou a informação. No Ministério Público, órgão que requisitou o exame, o promotor do caso não foi localizado.
Falhas
Família da jovem critica declarações de delegado-geral
A admissão do delegado-geral da Polícia Civil do Paraná, Riad Braga Farhat, de que o assassinato da menina Tayná pode não ser esclarecido está associada ao momento político da segurança pública no estado. Essa é a opinião de familiares da garota assassinada em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba. “Quem tem culpa no caso é a perícia e agora quem está no comando da Sesp é o doutor Leon [Grupenmacher, médico legista de carreira e ex-diretor geral do IML]. Tinha certeza que com ele lá tudo iria mudar porque tivemos conflitos no início do caso”, afirma Marcia Fernanda da Silva, irmã da jovem.
A declaração de Riad Farhat foi dada em entrevista à rádio Banda B, no último dia 27. “Nós vamos fazer o que for possível, mas podemos não conseguir e precisamos admitir isso”, disse na ocasião. Procurado pela Gazeta do Povo, o delegado-geral reafirmou a frase, mas disse que ela vale para qualquer caso. “Não disse apenas para o da Tayná, mas qualquer caso de Curitiba, Nova York ou Toronto. São casos difíceis de serem solucionados”.
O resultado põe por terra a teoria de que poderia haver lesões ósseas ou algum outro indício físico no cadáver que não tivessem sido apontados na perícia. Em agosto do ano passado, a própria família da vítima, por meio do advogado Luiz Janiszewski, pediu à Justiça a exumação do corpo. O pleito foi negado, mas, dias depois, a 1.ª Vara Criminal de Colombo autorizou o exame a pedido do MP.
Alvo de críticas da família, o laudo de criminalística divulgado naquele mesmo mês de agosto havia apontado que Tayná não tinha sofrido violência sexual antes de ser morta. Isso não queria dizer, entretanto, que ela não tenha sofrido abuso, já que o documento não entrava em hipóteses como ato consensual pouco antes do crime ou mesmo forçado sob ameaça (o que não deixaria rastros de agressão no corpo).
De acordo com funcionários do IML, que não quiseram se identificar, o caso não foi solucionado por falhas na investigação policial. “A garota não foi estuprada e isso ficou claro antes mesmo dos exames. O problema foi que a polícia, desde o princípio, não investigou o caso como ele deveria: um sequestro seguido de morte e não um estupro. Ela ficou dois dias desaparecida antes de ser morta e isso não foi investigado”.
Demora
O inquérito que apura a morte de Tayná já foi prorrogado seis vezes, a última delas no último dia 26, e passou por quatro delegados. Desde setembro de 2013, ele é presidido por Cristiano Quintas, da Delegacia de Homicídios. A reportagem pediu entrevista com o delegado, mas a assessoria da Polícia Civil informou que ele não falaria sobre casos não solucionados.
14 pessoas
Após a localização do corpo de Tayná, em terreno ao lado de onde funcionava um parque de diversões, quatro funcionários do local foram presos por suposto envolvimento com o crime. Na sequên­cia, outros 11 – a maior parte policiais – foram presos acusados de torturarem os suspeitos para que eles confessassem. Todos foram soltos após reviravoltas na investigação que ajudaram a derrubar o então delegado-geral Vinicius Michelotto.
Além da denúncia de tortura, pesou a favor do quarteto o laudo de que o sêmen deles não era compatível com o encontrado na vítima – inclusive em uma contraprova. Com os novos fatos, eles foram soltos e incluídos em um programa de proteção a testemunhas.
Para parentes, os funcionários do parque são os responsáveis pelo crime. Luis Gustavo Janiszewski, advogado da família, defende que a tortura ocorreu após as confissões. “Sem querer defender, mas a tortura foi um castigo pelo crime cometido contra uma adolescente.”

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

A nova Paulista: Estou pronta pra dar um "rolezinho"

Ontem, eu fiquei completamente estarrecida ao ver um amigo muito querido e super do bem, defendendo "porrada nesses vagabundos dos rolezinhos". Ao debater com ele, vi vários amigos dele com os mesmos argumentos separatistas.

Fiquei chocada pela forma cega como eles defendiam a violência contra pobres, mesmo sem se dar conta de que era isso que estavam fazendo ao defender "porrada nos jovens dos rolezinhos".

Mas, hoje, ao ver a enxurrada de gente indignada como eu com essa tentativa de apartheid brasileiro, meu coração se encheu de esperança novamente. Não podemos mesmo nos calar diante de um absurdo desse. Como bem disse meu amigo Marcus Lopes, "O shopping sempre foi a anti-cidade, o Forte Apache daqueles que não suportam a mistura e amam o seu mundinho de fantasia com temperatura ambiente de 23°C. Há décadas as ruas comerciais e os parques cederam lugar para esses espaços encaixotados e encantados que vendem um mundo de ilusão e seguro.tomar o shopping significa tomar o templo seguro, a Bastilha da classe média que, agora sim, ficará apavorada."

E se os shoppings virarem a nova Paulista como profetiza o colunista da Folha de S. Paulo Fábio Zanini, nunca terei gostado tanto de um... Estou pronta pra dar um "rolezinho".



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13/01/2014 - 03h00

Fábio Zanini: A nova Paulista


SÃO PAULO - Fui muitas vezes a Johannesburgo, na África do Sul, uma cidade viciada em shopping centers. São enormes, com escritórios, restaurantes e boates acoplados, onde o sujeito trabalha, come, diverte-se e até demonstra seu patriotismo. Na recente morte de Nelson Mandela, uma das maiores concentrações de buquês de flores formou-se aos pés de uma estátua dele no principal shopping da cidade.

Johannesburgo é uma cidade degradada, assim como São Paulo, outra que gosta muito de shoppings, embora não seja tão obcecada por eles como a metrópole sul-africana.
Quando as ruas e praças são feias e perigosas, são substituídas por esses locais fechados, onde há ao menos uma sensação de conforto e segurança. Não por acaso, supershoppings são raros na Europa.

Shoppings quebram as barreiras do que é público e privado. São ao mesmo tempo as duas coisas. Vem daí a dificuldade de lidar com os "rolezinhos", essa nova maneira de protestar de jovens que ontem descambou para seu primeiro episódio de violência, em Itaquera.
Estará procurando encrenca o dono de um desses estabelecimentos que tentar blindar a entrada com base no direito à propriedade privada. A lei pode até ampará-lo, mas a realidade, não. É impossível isolar espaços que hoje são parte da vida da cidade.

A foto de um PM tentando dar um golpe de cassetete num jovem, na capa da Folha de ontem, traz lembrança imediata de outra bem parecida, da edição de 14 de junho do ano passado, em que um policial desce borrachada num casal na avenida Paulista.
Naquele momento, a imagem agressiva ajudou a dar gás aos protestos de junho. O mesmo pode acontecer agora. Para a turma dos "rolezinhos", os shoppings são a nova Paulista.
Pelo menos na avenida, após anos de manifestações, as autoridades sabem um pouco o que esperar. Desta vez, ninguém tem ideia de como agir.

domingo, 12 de janeiro de 2014

Quando o pobre invade o limite que lhe foi dado, é caso de Polícia

Quando as UPPs surgiram no Rio de Janeiro, com a promessa de pacificar as favelas, virou moda entre gringos e ricos, fazer grupos de visitas às favelas. Todos curiosos para conhecer aquele mundo desconhecido, vendido pela Globo como, apesar de muito violento, cheio de gente feliz, mulher gostosa e que vive fazendo festa na laje. Reportagens na imprensa davam conta de que todos eram sempre muito bem recebidos lá nos morros. Os "favelados" tinham orgulho de mostrar como era seu habitat.

Pena que quando o comboio é inverso, a recepeção é feita com porrada e spray de pimenta. 


Desde o ano passado, jovens pobres de São Paulo começaram a achar que poderiam conhecer pessoalmente os bonitos shoppings que invadem suas casas por meio da TVs compradas a prestação, e também passaram a organizar seus comboios. Pelas redes sociais, começaram a marcar os "rolezinhos", encontros coletivos de moleques da periferia para passear em shoppings centers. 


O que eles não esperavam é que a ousadia de invadir o espaço da classe média fosse dar em polícia, porrada e decisão da Justiça precavidamente, impedindo-os de entrar em alguns shopping da cidade.

Apartheid velado, mas já nem tão mais velado assim.

Porque rico invadir espaço de pobre quando quiser pode, mas pobre não pode incomodar a classe média, acomodada em seu pequeno luxo. Mesmo que o incômodo seja só "Ei, a gente existe e também quer vir aqui". Na matéria da Folha de S. Paulo que segue abaixo (e olhem que foi a Folha(!), a própria assessoria de imprensa do shopping admite que não houve qualquer registro de dano, furto ou roubo no local. Ou seja, crime mesmo, só os que vitimizaram os jovens.

E o que temos com isso?

Na minha timeline nas redes sociais, vi apenas um amigo se manifestando com algo como "Tem mesmo é que baixar a porrada". Mas, com o teor do comentário de Junior, em sua página vieram outros amigos dele, que se manifestaram da mesma forma, com frases como "Tem que dar porrada mesmo nesses vagabundos", "Tem é que levar porrada da PM pra aprender, já que em casa não aprende" e "Se querem passear, porque não vão ao museu ou parques?".

Fiquei completamente estarrecida. Será que é muito difícil das pessoas entenderem que os garotos não cometeram crime algum? Tanto que a própria assessoria de imprensa do Shopping emitiu nota na qual diz isso.

Sobre o argumento de que "Se querem passear, porque não vão ao museu ou parques?". Simples. Cultura de massa. Já ouviram falar? Pois é. Ora, se eles escutam falar em shoppings e coisas do tipo, porque mesmo vão passear na Pinacoteca? Fala sério! Se quem sabe a importância de um museu, não faz, imagine um adolescente da periferia... 

Esse fenômeno dos rolezinhos realmente merece atenção do Poder Público. Mas não é de forma coercitiva, não é com "porrada" da Polícia. 

Esses meninos precisam de educação e coisa para fazer em seus próprios bairros. Acredito que se eles tivessem cinema, teatro, esportes, certamente, não estariam ociosos assim. E, na boa, entre estarem em rolezinhos ou, usando drogas nas periferias, é melhor que estejam nos rolezinhos. 

Projetos comos os CEUS, que a Marta implantou no ínicio dos anos 2000, levava essa molecada para as escolas aos finais de semana. Putz, que massa! É isso que tem que acontecer. Estimulá-los a fazer coisas boas e produtivas. A violência eles já conhecem. Nos bairros onde moram tem violência de sobra. Conhecer o encanto dos shoppings também passa por se distanciar desse mundo cão deles. 

Definitivamente, isso não é um caso de polícia. É tudo, menos de polícia.
E repito: eles não cometeram nenhum crime, além o de invadir o cômodo espaço de quem faz questão de fazer de conta que essa triste realidade não existe.

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PM usa bombas e bala de borracha em 'rolezinho' em SP; dois são detidos


ANA KREPP
FELIPE SOUZA
DE SÃO PAULO
11/01/2104, às 20h05 / Atualizado às 21h34.
A Polícia Militar usou bombas de gás lacrimogêneo e efeito moral, além de balas de borracha, contra um grupo de jovens que participava de um encontro conhecido como "rolezinho" em São Paulo. O confronto ocorreu no início da noite deste sábado (11), em frente ao shopping Itaquera, na zona leste da cidade.

Segundo a Polícia Militar, cerca de mil pessoas participaram do encontro marcado por meio de redes sociais, enquanto o shopping estima que 3.000 jovens estavam no encontro. Uma funcionária de um restaurante do local desmaiou e foi retirada de maca. Não há informações sobre o estado de saúde dela.

Duas pessoas foram detidas e encaminhadas a uma delegacia da região. A PM informou que eles participaram de depredações a lojas do terminal de ônibus Itaquera.
A assessoria de imprensa do centro comercial informou que não houve ocorrência de furtos ou roubos. Os lojistas, porém, tiveram que abaixar as portas durante cerca de uma hora.

Ao menos seis shoppings de São Paulo conseguiram uma liminar na Justiça para impedir os encontros de jovens conhecidos como "rolezinhos". Em São Paulo, os shoppings JK Iguatemi, Itaquera e Campo Limpo foram beneficiados pela decisão temporária.
Mesmo assim, os jovens entraram no shopping e começaram a cantar e andar em grupos. Policiais militares aplicaram golpes de cassetete em alguns deles e retirou os jovens do local. Na rampa que liga o centro de compras ao metrô, os policiais usaram bombas e balas de borracha para dispersar o grupo.

O shopping foi fechado e apenas a entrada de pessoas identificadas como não participantes do "rolezinho" foi permitida pela polícia.

No terminal de ônibus que fica embaixo da rampa de acesso ao shopping, os policiais voltaram a usar balas de borracha e bombas contra os jovens.
Às 19h45, a Polícia Militar informou que a situação era "crítica na estação Itaquera" e que "todo o policiamento está apoiado" para atender a ocorrência. Assim, só terá mais informações "com um pouco mais de tempo."

A polícia disse ainda que, durante o confronto no terminal, "diversas lojas foram danificadas."

Já há um novo encontro marcado para a próxima semana no mesmo local. Ao menos 600 pessoas já foram convidadas para se encontrar no shopping Itaquera no sábado (18), às 16h30.

Foto: Bruno Poletti/Folhapress

Policial militar usa cassetete para intimidar jovem durante "rolezinho" no shopping Itaquera, na zona leste de SP
Policial militar usa cassetete para intimidar jovem durante "rolezinho" no shopping Itaquera, na zona leste de SP