sexta-feira, 28 de março de 2014

Enquanto isso na cadeia...

- E aí, cara, o que foi que eu te disse? A culpa não foi minha! Era ela que todo dia passava na rua com aquela calça justa, mostrando aquela bunda grande. Carne é fraca. Eu sou homem, pow!

- Eu também. Agora vinha aquela molequinha de shortinho curto todo dia brincar com mais aquele monte na minha calçada, me chamando de tiozinho. Tava querendo.

- E a gente que levou a culpa de dar o que elas queriam.

- Ainda bem que o povo brasileiro não é otário igual aqueles imbecil do juri e percebe que a culpa é delas que provocam a gente. A gente tem carne humana, porra!

Conversam aliviados estupradores na cadeia.




Foto: site Lux.pt

quinta-feira, 27 de março de 2014

Jornalismo enrustido

Há duas semanas, Merval Pereira dizia na CBN era muito cedo pra pesquisa de intenção de voto refletir a realidade das eleições presidenciais. 

Hoje, na mesma CBN, Merval disse que pesquisas de intenção de voto já são um forte indicativo de que Dilma não é mesmo preferida para ganhar as eleições.

Ou seja, quando pesquisa aponta a presidente como preferida em subida, ela não reflete realidade. Quando pesquisa é desfavorável....

Jornalismo bom é outra coisa, né, meu povo?!

quarta-feira, 26 de março de 2014

O "socialista" que perdeu o bonde da história pelo rancor

O insuperável rancor do Roberto Freire por não ter ido ao 2º turno das eleições de 89, no lugar de Lula, faz com que até hoje ele se submeta ao ridículo papel de opositor sem qualquer critério. 

Vide votação do Marco Civil da Internet, ontem, na Câmara dos Deputados. 


Lamentável, deplorável.






Jovens negros são as maiores vítimas de assassinato policial em SP, aponta pesquisa

Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de São Carlos (UFScar) - e antecipada ontem pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de SP - aponta que 61% das vítimas fatais de violência policial no estado de São Paulo são afrodescendentes, 57% tinha menos de 24 anos quando morreram e 97%, eram homens.

Do lado dos agressores/assassinos, 79% eram brancos, 73% tinham entre 25 e 39 anos e 97%, eram homens. 

Vale ressaltar que os números oficiais mostram que os afrodescendente representam 30% do total  da população de São Paulo. Ou seja, mesmo não sendo a minoria, são eles os mais alvejados pela PM do estado.

Segundo nota da PMSP à jornalista Mônica Bergamo, 40% de sua tropa é de afrodescendente.

Dá pra entender porquê as políticas públicas de cotas raciais são tão necessárias?

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O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou, por 314 votos a 36 e 6 abstenções, o Projeto de Lei 6738/13, do Executivo, que reserva 20% das vagas em concursos públicos a candidatos negros que assim se declararem na inscrição. A matéria ainda será analisada pelo Senado.
A reserva vale para seleções da administração pública federal e das autarquias, fundações públicas, empresas públicas e sociedades de economia mista controladas pela União por um período de 10 anos.
A votação dividiu opiniões no Plenário. O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) criticou o PL 6738/13. "Esse projeto é racista, separatista e imoral", afirmou o deputado.
A deputada Benedita da Silva (PT-RJ) defendeu a medida. Para ela, a ação afirmativa não pode virar alvo de "chacota", referindo-se à fala de Bolsonaro. "O que falta ao negro é a oportunidade, e esse projeto vai dar oportunidade."
A votação da proposta no Plenário da Câmara foi acompanhada por manifestantes, que gritaram "cotas já" das galerias.



segunda-feira, 24 de março de 2014

O mal que nos faz o orgulho ferido

A CÓLERA

9. O orgulho vos induz a julgar-vos mais do que sois; a não suportardes uma comparação que vos possa rebaixar; a vos considerardes, ao contrário, tão acima dos vossos irmãos, quer em espírito, quer em posição social, quer mesmo em vantagens pessoais, que o menor paralelo vos irrita e aborrece. 

Que sucede então?
– Entregai-vos à cólera.

Pesquisai a origem desses acessos de demência passageira que vos assemelham ao bruto, fazendo-vos perder o sangue-frio e a razão; pesquisai e, quase sempre, deparareis com o orgulho ferido. 



Que é o que vos faz repelir, coléricos, os mais ponderados conselhos, senão o orgulho ferido por uma contradição? Até mesmo as impaciências, que se originam de contrariedades muitas vezes pueris, decorrem da importância que cada um liga à sua personalidade, diante da qual entende que todos se devem dobrar. Em seu frenesi, o homem colérico a tudo se atira: à natureza bruta, aos objetos inanimados, quebrando-os porque lhe não obedecem. 

Ah! Se nesses momentos pudesse ele observar-se a sangue-frio, ou teria medo de si próprio, ou bem ridículo se acharia! Imagine ele por aí que impressão produzirá nos outros. Quando não fosse pelo respeito que deve a si mesmo, cumpria-lhe esforçar-se por vencer um pendor que o torna objeto de piedade. Se ponderasse que a cólera a nada remedeia, que lhe altera a saúde e compromete até a vida, reconheceria ser ele próprio a sua primeira vítima. 

Mas, outra consideração, sobretudo, devera contê-lo, a de que torna infelizes todos os que o cercam. Se tiver coração, não lhe será motivo de remorso fazer que sofram os entes a quem mais ama? E que pesar mortal se, num acesso de fúria, praticasse um ato que houvesse de deplorar toda a sua vida!

Em suma, a cólera não exclui certas qualidades do coração, mas impede se faça muito bem e pode levar à prática de muito mal. Isto deve bastar para induzir o homem a esforçar-se pela dominar. O espírita, ao demais, é concitado a isso por outro motivo: o de que a cólera é contrária à caridade e à humildade cristãs. – Um Espírito protetor. (Bordéus, 1863.)

10. Segundo a idéia falsa de que lhe não é possível reformar a sua própria natureza, o homem se julga dispensado de empregar esforços para se corrigir dos defeitos em que de boa vontade se compraz, ou que exigiriam muita perseverança para serem extirpados. É assim, por exemplo, que o indivíduo, propenso a encolerizar-se, quase sempre se desculpa com o seu temperamento. Em vez de se confessar culpado, lança a culpa ao seu organismo, acusando a Deus, dessa forma, de suas próprias faltas. É ainda uma conseqüência do orgulho que se encontra de permeio a todas as suas imperfeições. 

Indubitavelmente, temperamentos há que se prestam mais que outros a atos violentos, como há músculos mais flexíveis que se prestam melhor aos atos de força. Não acrediteis, porém, que aí resida a causa primordial da cólera e persuadi-vos de que um Espírito pacífico, ainda que num corpo bilioso, será sempre pacífico, e que um Espírito violento, mesmo num corpo linfático, não será brando; somente, a violência tomará outro caráter. 

Não dispondo de um organismo próprio a lhe secundar a violência, a cólera tornar-se-á concentrada, enquanto no outro caso será expansiva. O corpo não dá cólera àquele que não na tem, do mesmo modo que não dá os outros vícios. Todas as virtudes e todos os vícios são inerentes ao Espírito. A não ser assim, onde estariam o mérito e a responsabilidade? 

O homem deformado não pode tornar-se direito, porque o Espírito nisso não pode atuar; mas, pode modificar o que é do Espírito, quando o quer com vontade firme. Não vos mostra a experiência, a vós espíritas, até onde é capaz de ir o poder da vontade, pelas transformações verdadeiramente miraculosas que se operam sob as vossas vistas? 

Compenetrai-vos, pois, de que o homem não se conserva vicioso, senão porque quer permanecer vicioso; de que aquele que queira corrigir-se sempre o pode. De outro modo, não existiria para o homem a lei do progresso. – Hahnemann. (Paris, 1863.)

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CAPITULO IX - BEM AVENTURADOS OS QUE SÃO BRANDOS E PACÍFICOS / O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

terça-feira, 4 de março de 2014

O que dizer a ela?

Se a minha filha me pede comida, eu a alimento.
Se ela pede água, eu dou o que beber.
Quando quer brincar, brincadeiras.
Se pede para dormir, eu ponho para a soneca.
E assim faço com muito amor em relação a todos os seus pedidos de criança.

Mas há um que me corta o coração quando ela chora pedindo e dizendo que quer a todo custo, porque não posso fazer nada, absolutamente nada para atendê-la. Nem mesmo dizer a verdade. 

‪#‎VidaDeMãe‬

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Abaixo a institucionalização do turismo sexual

Sobre a tal camiseta da Adidas, achei a descarada institucionalização do turismo sexual. 


Na sua reprovação, não cabe moralismo religioso. Cabe o combate ao turismo sexual e ao comércio do corpo da mulher. Simples assim.

NÓS, MULHERES BRASILEIRAS, NÃO SOMOS ATRAÇÃO TURÍSTICA!


Dizer que ama o Brasil por causa das nossas bundas é nos tratar como objeto. Ainda mais num país que sofre com o turismo sexual como o nosso, inclusive, contra menores.

Eu, como mulher brasileira, me senti agredida e olhem que não sou dada a essas frescurites. 

Vi opinião de muitos amigos homens que acharam a peça engraçada, criativa, sagaz. Talvez assim a tenham visto porque agressão não os atingiu diretamente.


Reflitam, amores!








segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

E tu, és um pai quando dá?

Não escrevi esse texto.
Mas poderia ter sido eu. 

Pai quando dá. 
Sim, eu sou mãe de duas crianças que têm "pais quando dá".

Dedico esse texto ao Saulo, Rolando e a todos os amigos que têm filhos. 
Leiam muito atentamente. Não estariam vocês fazendo as mesmas coisas? 
Eles não são maus. Não! Apenas são assim... "Apenas..."
O texto é do excelente blog FemMaterna, de Maternagem Feminista. Recomendadíssimo.

“Mãe, meu pai vem quando?”
“Queria ficar com meu pai”
O que trago aqui é algo bem comum de se encontrar, embora seja difícil de explicar. Coisa estranha, em geral as pessoas convivem bem com este tipo de pai, ainda que saibam que o que eles fazem, ou melhor, o que não fazem, rebatem nas vidas de todos os que estão a sua volta.
Eu vou falar daquele homem que é pai quando dá.
É mais ou menos assim que a coisa se desenrola: houve uma separação, que entre trancos e barrancos se realizou. A criança fica sob a guarda da mãe, pois isto é o esperado por todos e o naturalmente aceito pela sociedade. O pai se encarrega de contribuir com a chamada pensão alimentícia, isto pode ser feito através de uma imposição de justiça ou ele pode ser um “cara legal” e “ajudar” voluntariamente. Além de contribuir com parte das despesas da criança, ele geralmente passa os finais de semana com o filho ou filha quinzenalmente. Parece que comparecer quinzenalmente é o tempo suficiente pra ser pai. Nem todos os pais quando dá são iguais, existem aqueles que aparecem durante a semana, vez em quando pegam o filho na escola, dão um sorvete.
Os julgamentos e expectativas do mundo afora são relativamente razoáveis para o pai quando dá. O pai quando dá na maioria das vezes é considerado como um bom pai, afinal, ele comparece sempre que pode. O pai quando dá também pode ser considerado como vítima, porque, coitado, ele tem que trabalhar tanto para pagar a pensão do filho, teve até que aprender a cozinhar. E para poucas pessoas, o pai quando dá é realmente um descarado, mas isto é no fundo no fundo coisa de feminista chata que reclama de tudo.
A mulher, a mãe, aquela tão conhecida, fica responsável pela criação da criança no cotidiano (cotidiano aqui resume todas as adversidades e demandas diárias geradas pela vida de uma criança). Porque, sabe? Não é sempre que o pai quando dá pode assumir este cotidiano. Porque este tipo de pai quase nunca pode ficar com seu filho. Ele tem muitos motivos para não poder: ele está reestruturando a sua vida; ele está desempregado; ele trabalha quarenta horas; ele não tem mãe nem empregada pra ajudar; a casa dele é pequena; ele não tem carro; ele é um pobre coitado; coitado dele. Vamos ser compreensivos! O pai quando dá realmente nunca pode ficar, porque ele trabalha muito, é operário, artista, engenheiro, empresário. E quando ele está desempregado, ele também não pode ficar porque está deprimido e sem dinheiro.
“Mas a mulher trabalha também!”, alguns vão lembrar. Mas isto não importa. É que a mulher já está mais acostumada, sabe? Ela trabalha, cuida de criança, se preocupa, leva o lanche que a criança esqueceu em casa, auxilia no dever de casa, leva ao pediatra, arruma um cursinho naquele tempo livre que a escola não cobre, paga alguém pra ficar com o filho, adia a compra de algo para dar uma vida melhor pra criança. Enfim, ela se vira nos trinta e como se pode. Parece que mulher tem o dom natural da “viração”.
Quando a mãe tem “a sorte de casar” ou “arrumar um namorado”, porque cá entre nós, não tem coisa pior na vida do que ser “mãe solteira”. Um “título” que realmente não cai bem em ninguém e que só existe para o gênero feminino, porque até hoje eu nunca conheci um “pai solteiro”. E se conhecesse acho que isto pegaria bem pra ele, porque seria fofo e bonitinho. Pois bem, quando a mãe trata de “ajeitar” sua vida, o pai quando dá, dá logo um jeito de se fazer presente. Ele aparece para lembrar que a criança tem um pai! E que ele precisa garantir que ninguém está ali para ocupar o lugar legítimo dele. Entretanto, se a mulher tem outro filho nesta nova relação, o pai quando dá pode mudar de atitude e pode vir até a cortar a relação com o primeiro filho. Deve ser porque, se a mulher teve um filho com outro, isto quer dizer agora que ele não tem as mesmas obrigações. Porque se ela foi ter filho com outro, então ele não tem mais nada a ver com isto. Algo se rompeu na pureza da mulher, pureza esta que praticamente de nada lhe adiantava. Mas quando o pai quando dá tem outro filho com outra mulher, ele pode muitas vezes se mostrar um pai presente para o seu segundo filho. Não que isto mude qualquer coisa para a coitada da primeira criança, que teve a infelicidade de ser filho daquela mãe.
Os filhos.
Os filhos criam uma “Super Adoração” pelo pai quando dá e muitas vezes entram em conflito com a mãe, aquela que se encarrega do cuidado deles dia após dia. Convenhamos, tem coisa mais chata que ter mãe todos os dias? Aquela doida que está sempre ali preocupada, com ares de desorganização e que ás vezes transmite a nítida impressão que alguma coisa tem de errado com ela. Legal mesmo é o pai quando dá! Que encaixa a criança onde pode. Quem não exerce mais fascínio do que aquele homem herói que surge como um relâmpago e só aparece de vez em quando? Que como num lampejo de cometa se materializa, do nada, cheio de fantasias, e quando vai embora deixa apenas o arfar daquele suspiro infantil, tal qual uma abóbora que se desvanece após a badalada da meia noite. Um verdadeiro conto de fadas, um conto para crianças, de autoria do pai quando dá.
Ele não se julga, nem se acha ruim, pois sempre olha para o lado e diz: “mas o Renato é pior do que eu”, “o João nunca vê a filha”, “o Marcelo nunca deu um centavo”, “o Luis, ah! Aquele ali comeu e foi embora”. “Eu pelo menos apareço quando dá e pago o que posso.” Isto lhe faz dormir em paz.
E quando ele aparece, ele quer saber como tudo ocorreu naquela semana, ou como foi durante todo o mês em que ele esteve ausente. Ausente não! O pai quando dá não é ausente, ele é ocupado. E se algo está “dando errado” na vida da criança ele questiona, “Mas você é a mãe dela?”, “Ele tem que te respeitar!”, “A adulta é você!”, “Criança não tem vontade”. O pai quando dá entende muito de educar. O modelo de educação a distância deve ter se inspirado na pessoa do pai quando dá.
Quando ele pega o filho ou filha, naqueles momentos que são raros e que a mãe enfim poderia ficar tranquila, ele ainda dá um jeito de mostrar que as coisas não são tão fáceis assim. Ou ele dificulta a comunicação, ou nunca chega no horário combinado, ele se atrasa para chegar, ele não consegue cumprir os acordos, mas o que é isso de acordo afinal? Ele devolve o filho na hora que dá, na hora que está melhor pra ele. E quando a criança fica doente quando está com ele, à culpa é da mãe que mandou a criança doente, ele não pode ir à farmácia nem ao hospital, pois isto é coisa de mãe. Mae desnaturada.
"Time for school", foto de Casual Capture, no Flickr. Alguns direitos reservados
“Time for school”, foto de Casual Capture, no Flickr. Alguns direitos reservados
Se a criança não come, foi à mãe, que afinal é quem fica com ela todos os dias que não a educou direito. Se a criança vai mal na escola é porque a mãe não está acompanhado nas tarefas escolares. Se a criança não passeia no final de semana é porque, como se não bastasse toda esta negligência, ainda por cima a mãe quer ter um pouco de vida própria e sair à noite com seu namorado, ou marido, ou amigos e amigas. Mas veja só, que folga! Não entendeu ainda que ser mãe é viver em função do filho e se alienar para o mundo?
A família e os amigos do pai quando dá geralmente exercem certa condescendência com este tipo social. Ninguém nunca o confronta. Ninguém nunca o questiona porque ele é pai somente quando dá. A sociedade tolera estes homens, porque se a mulher já sabia que ele era assim porque diabos foi engravidar dele, né? A culpa, é claro, foi desta desprecavida. Pensasse duas vezes na hora de escolher o pai desta criança.
É que também o pai quando dá não é uma pessoa ruim, não. Ele é um excelente companheiro de trabalho, prestativo, atento. Ele é um amigo de todas as horas. Gente “boaça”. Ele se preocupa com a política, ele ás vezes é até de esquerda, militante de um mundo melhor. Ele vive postando fotos com o filho nas redes sociais. Ele pode não comparecer toda hora, mas que ele ama, isto sim, ah, ele ama esta criança.
Ele inclusive pode estar bem próximo de você, ser até o seu marido, namorado, companheiro, que quando dá resolve lhe “ajudar”, lavando umas vasilhas, olhando as crianças enquanto você toma aquele banho tão esperado o dia inteiro.
Ele infelizmente não percebe nem enxerga que o preço de sua liberdade e de sua mobilidade se faz à custa da territorialização da mulher e do tempo feminino. E que todas às vezes que ele sai pela rua sozinho, caminhando com as suas próprias pernas, é porque tem uma mulher que está fazendo o trabalho de cuidado de seu filho. Sim, porque um dos poderes que o pai quando dá tem é de transformar a atividade de cuidado em um contínuo repleto de sacrifícios. Ele acha que ser pai no cotidiano é coisa de “país de primeiro mundo”. Porque no Brasil não tem isto não, o normal aqui é ser pai quando dá.
…
Triste e pálido é quando precisamos usar da ironia para provocar o reconhecimento de uma situação lancinante que ocorre não só as mães, mas a todas as mulheres e outros que cuidam daqueles que são filhos de pais quando dá. Em tempos que se discutem a plausibilidade do “abandono afetivo” e da “alienação parental”, é inegável que estas categorias jurídicas, psicológicas e sociais falam em alguma medida desta figura da ausência, do afastamento que insiste em se fazer presente. Porque existe um lugar que não foi apropriado bem como expectativas não correspondidas. Isto não quer dizer que as pessoas não recriem suas vidas, que não existam outros ricos laços para além do pai, que as trajetórias sejam dependentes da figura paterna num delírio compulsório da família nuclear, e que todos estejam fadados ao atavismo biológico incontornável e insubstituível. Não. Isto simplesmente só quer dizer que existem contextos com crianças que, sim, adorariam ter um pai que participa e intervém um pouco mais do que quando dá. E que existem mulheres que poderiam viver suas vidas de forma mais equilibrada, sem tanto sofrimento, se não fosse pelo tamanho do peso que a displicência e conveniência de uns em relação a outrem pode provocar.
E você, conhece algum pai quando dá?

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Cheiro de armação no ar

É claro que todos queremos que os culpados pela morte do cinegrafista Santiago Andrade sejam devidamente punidos. Mas queremos os culpados e não, um bode expiatório qualquer pra o Sérgio Cabral posar de "temos uma polícia eficiente". 

Prender inocente é crime! 

Olhem as fotos abaixo e me digam se faz algum sentido pra vocês.
O que houve? A Polícia constatou que o rapaz de cinza é um P2? Porque essa mudança brusca na fisionomia do então acusado?

Caio pode até ser realmente um black bloc, mas daí dizer que é o responsável pela morte do colega da Band, isso está com muito cheiro de armação.




segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Advogado que acusa Marcelo Freixo defendeu chefe da milícia investigada em CPI presidida por deputado do PSOL

Agora faz sentido"!


Por Marcelo Freixo:

Advogado que me acusa defendeu chefe da milícia

Vejam que coincidência!
O advogado Jonas Tadeu Nunes (OAB/RJ 49.987), que me acusou de ter ligações com o homem que detonou o rojão que atingiu o cinegrafista Santiago Andrade, defendeu o miliciano e ex-deputado estadual Natalino José Guimarães, que chefiou a maior milícia do Rio de Janeiro.

Eis a peça que faltava no quebra cabeça destas acusações absurdas. Natalino foi preso em 2008 graças às investigações da CPI das Milícias, presidida por mim na Assembleia Legislativa. À época, mais de 200 pessoas, entre elas várias autoridades, foram indiciadas. Natalino e seu irmão, Jerominho, que dividiam o poder, cumprem pena em presídios federais.

Seis anos depois, Jonas apresenta contra mim uma história cheia de contradições e fragilidades.

O mais assustador é a imprensa repercutir uma informação tão grave e duvidosa sem checar minimamente o histórico da fonte

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Dois pesos e duas medidas?

Ok. Prenderam Fábio Raposo, supostamente envolvido no grave acidente que levou o cinegrafista Santiago Andrade (Band) ao estado de coma em que ainda se encontra no Rio de Janeiro.

A Polícia do Rio de Janeiro mostrando eficiência quando o ataque vem dos black blocks.

Gostaria muito ver a mesma eficiência por parte da Polícia de São Paulo com relação ao ataque ao fotógrafo Ségio Silva, que ficou c
ego de um olho e não pode mais trabalhar. Sérgio sofreu uma ofensiva da PM quando cobria os protestos de junho, na capital paulistana.

Até hoje não há ninguém indiciado pelo crime, cujo ataque partiu das forças do Estado.

Dois pesos e duas medidas?

Veja como vive Sérgio Silva hoje:
 http://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2014/01/cego-de-um-olho-fotografo-vive-historia-sem-fim-enquanto-espera-justica-9589.html



sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Ao atacar a médica cubana de bêbada, o deputado Zé Geraldo só ratifica seu comportamento machista

Na tentativa defender o Mais Médicos, o deputado federal Zé Geraldo (PT-PA) fez um discurso, nesta quinta-feira (6), desqualificando a médica cubana que pediu para ser descredenciada do programa.

O parlamentar disse, no plenário da Câmara federal, que Ramona Rodriguez "não vai fazer falta" porque bebia e não era aceita nem pelos colegas cubanos que também vieram para o Brasil participar do Mais Médicos. 

"Essa médica foi vista várias vezes totalmente embriagada, a ponto de que nem seus colegas cubanos querem ela mais lá. [...] E estou aqui com uma nota do Presidente do Conselho de Saúde do Município de Pacajá, esclarecendo que esta médica não faz falta nenhuma lá naquela cidade".


Eu, particularmente, não concordo com a método adotado por Ramona Rodriguez para sair do programa. Se ela estava insatisfeita - direito legítimo como trabalhadora que é -, deveria procurar a coordenação do Mais Médicos ou a Prefeitura de Pacajá (PA) e pedir seu desligamento. O problema é que ela já vinha com intenções de partir para Miami, conforme vem sendo apurado por jornalistas locais. O jornalista Hiróshi Bogéa, por exemplo, relatou hoje em sua página no facebook que tem conversado com a população local e com colegas de trabalho de Ramona. 

Em Pacajá, pessoas que tiveram aproximação com a médica fujona Ramona Rodrigues começam a soltar informações de que ela às vezes falava em "arranjar um jeito" de viajar pra Miami. "hum amor me espera", costumava repetir, nas conversas com servidores do posto onde trabalhava. Em tradução mais livre: -um amor me aguarda".

A postura de Ramona gera estranheza e acabou enfurecendo os defensores do Mais Médicos. Em ano de eleição, a médica se permitiu servir de garota-propaganda contra o programa para ninguém menos que o deputado federal DEMO Ronaldo Caiado (GO), que fez um verdadeiro circo com a história da cubana que trabalhava no Pará. 


Os fins nãos justificam os meios

Além do trecho citado acima, o deputado federal Zé Geraldo também questionou na tribuna da Câmara federal o fato da médica cubana passar muito tempo na internet em namoro virtual e em comparecer a festas na cidade de Pacajá. Tudo para justificar que "ela não fará falta na cidade".

De fato, a tática adotada por Ramona Rodriguez para encontrar seu amor em Miami é um tanto questionável, haja vista que tudo leva a crer que houve má fé por parte da médica. Porém, não me parece que isso dê direito ao deputado Zé Geraldo, nem a qualquer outro cidadão brasileiro, de xingá-la pelo fato da mulher beber, ter um namorado com quem mantêm contato pela internet, muito menos por frequentar festas.

Aí, que eu vejo alguns colegas na internet se dizendo surpresos com a postura machista do deputado petista, eleito pelo Pará. Ora, meus caro, eu confesso que não me espanto. Zé Geraldo é o tipo de homem que olha pra nós, mulheres, com aquele olhar de perfurar a roupa e já ouvi relatos de colegas mulheres que se sentiram incomodadas com isso. Eu mesma já passei por uma situação muito constrangedora com esse senhor em viagem em 2006, quando trabalhava no 2º turno da campanha de Ana Júlia para governadora. Viajávamos pelo Oeste do Pará num pequeno avião bimotor, percorrendo os municípios da região. O "nobre" deputado sentava atrás de mim e tentou a todo custo passar a mão em mim, até que eu fiz um pequeno alarde. "Está acontecendo alguma coisa, deputado? Dá pra o senhor parar de me cutucar?"

Lembro até hoje da expressão de advertência da então senadora Ana Júlia olhando pra ele.

E, sabe, Zé Geraldo, eu sou mãe, trabalhadora, jornalista, sindicalista. Bebo quando tenho vontade, tenho um namorado que mora longe e por isso passo horas na internet com ele. Nada disso, certamente me desqualifica profissionalmente.

E se o médico "fujão" fosse um homem? Ele seria desqualificado profissionalmente por beber, ir a festas ou ter uma namorada virtual?

Como membro histórico de um partido que ainda se pretende de esquerda, ajuste-se!

Você está na contramão da história. Ou já esqueceu que a nossa querida Ana Júlia foi vítima dos mesmo preconceitos machistas que estás tendo quando foi governadora do Pará? Que ela também foi vítima da boataria e dá língua cretina de gente sem escrúpulos?

Lamentável que a bancada do meu estado tenha gente assim. Lamentável!

Pare proferir ideias machistas e preconceituosas!

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Para o deputado federal Zequinha Marinho


Hoje o deputado federal paraense Zequinha Marinho usou seu nobre espaço na tribuna da Câmara dos Deputados para dizer que o "beijo gay", ocorrido na última sexta-feira na novela das nove da TV Globo, foi uma ofensa à FAMÍLIA BRASILEIRA.

Eu não sei quem o autorizou a falar em nome da MINHA família, mas aqui em casa - e em mais um monte de lares brasileiros que eu conheço - ninguém se ofende com demonstrações de amor, não.

Agora, deputado Zequinha Marinho, já que o senhor resolvou tomar as dores da FAMÍLIA BRASILEIRA aproveito pra te dizer que a minha família se ofende, sim, com posturas preconceituosas, racistas e intolerantes como as comumentes adotadas por seus líderes e colegas de partido no Congresso, viu!

Aproveite a deixa e transmita o recado ao PSC!

Abraços conterrâneos!

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Em 2013, foram registrados aproximadamente R$ 145 milhões em recolhimentos do FGTS a trabalhadores domésticos

Empregadores domésticos poderão gerar guia simplificada de recolhimento do Fundo de Garantia pela internet

A Caixa Econômica Federal disponibilizou, para os empregadores domésticos, um novo serviço eletrônico de geração da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia Tempo de Serviço (FGTS), o GRF Web Doméstico. A ferramenta vai facilitar os procedimentos para recolhimento do Fundo a trabalhadores domésticos que, agora, pode ser feito pela internet.

No preenchimento da guia, o empregador informa o Cadastro Específico do INSS (CEI) e os dados cadastrais dos trabalhadores. O documento já sai com código de barras, pronto para recolhimento em qualquer canal disponível pela rede bancária. O acesso ao novo serviço pode ser realizado pelo endereço www.esocial.gov.br, bastando selecionar a opção Guia FGTS, disponível no lado esquerda da página.

O gerente nacional de FGTS da CAIXA, Henrique José Santana, destaca que essa é mais uma opção para o empregador que optar por recolher o FGTS dos trabalhadores domésticos, por meio de um acesso livre e gratuito, disponível na internet. “A ferramenta foi elaborada atendendo sugestões recebidas dos usuários. Ela tem um preenchimento simplificado e intuitivo, de modo a obter facilmente a emissão de guia de recolhimento do FGTS”, explica.

O novo portal calcula o valor do depósito, inclusive para recolhimento em atraso, e gera a guia do FGTS com código de barras. Outra facilidade do novo serviço é que, após o primeiro recolhimento, as informações serão armazenadas no sistema, o que possibilitará a geração das próxima guias mensais com a simples inclusão da inscrição CEI do empregador doméstico e a validação dos dados demonstrados pelo aplicativo.

Atualmente, mais de 170 mil empregados domésticos recebem depósitos mensais em suas contas do FGTS, por liberalidade dos seus empregadores. No ano de 2013, foram registrados aproximadamente R$ 145 milhões em recolhimentos do FGTS a trabalhadores domésticos. “A expectativa da CAIXA é que, com essas novas facilidades, esse número possa aumentar gradativamente”, comenta Santana.

Para orientar os empregadores domésticos, quanto à melhor navegação e preenchimento dos dados do novo serviço, a CAIXA elaborou e disponibilizou uma cartilha eletrônica no site www.caixa.gov.br , opção Downloads (FGTS – Empregador Doméstico). Nessa cartilha (tutorial), foram inseridas, inclusive, informações de como o empregador doméstico pode obter uma inscrição CEI.

A Emenda Constitucional nº 72/2013, que amplia os direitos dos trabalhadores domésticos, dentre eles a obrigatoriedade de recolhimento do FGTS, encontra-se em fase de apreciação pelo Congresso Nacional. Até a regulamentação dessa Emenda, o recolhimento do FGTS, pelo empregador doméstico, continua facultativo.

Texto: CEF

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

E se eu te disser que o primeiro baijo gay da teledramartugia brasileira já aconteceu? E foi na Globo!

Tenho a impressão de que o primeiro beijo gay da televisão brasileira já aconteceu.

E aconteceu da forma mais linda e poética que poderia ter acontecido.
Não teve toque de lábios, nem troca de salivas, como todos esperavam.

Teve muito mais que isso. Teve química perfeita.
Teve olhar apaixonado, troca de carinhos, cumplicidade e o amor que vai muito além do mero desejo carnal.


Quando Walcyr Carrasco teve a brilhante ideia de juntar o vilão Félix ao bom moço Niko, na novela Amor à Vida, talvez não imaginasse que Matheus Solano e Thiago Fragoso formariam um dos mais belos pares da história da televisão brasileira, capaz de causar repulsa nos homofóbicos, mas de fazer muita gente enxergar que o amor entre homossexuais acontece exatamente como entre os heterossexuais. Simplesmente flui.

Flui com admiração, vontade de estar perto, de cuidar, de ouvir e ser ouvido, de fazer parte do projeto de vida do outro.

Não precisa da ansiedade do toque da pele.

Gays não se “alimentam” apenas de sexo, como querem fazer parecer os Felicianos da vida.

A cena de ontem (27), quando Félix e o “Carneirinho” trocaram juras de cumplicidade eterna me emocionou bastante. Que entrega...

E aí, me peguei pensando será que o tão esperando beijo gay da televisão brasileira já não se tornou dispensável?

Não que o beijo na boca de verdade não deva ocorrer. Não é isso. É que, na minha opinião, tudo isso que falei é tão mais valioso para expressar que SIM existe outra forma de amar além dessa tradicional que muitos de nós aprendemos em nossas famílias, igrejas e até escolas, que Walcyr já deixou uma bela lição com história desse casal.

A troca entre Félix e Carneirinho está valendo mais, muito mais.

Obrigada Walcyr, Thiago e Matheus.

E viva a tolerância!








sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Homessexualidade: doença e subdesenvolvimento




O texto abaixo é de autoria do produtor cultural paraense Sérgio Oliveira.


Homessexualidade: doença e subdesenvolvimento

Adroaldo Marly Streck , é um advogado, jornalista e político gaúcho, sendo ex-Deputado Federal do Rio Grande do Sul nas legislaturas de 1987-1991 da Assembleia Constituinte, 1991-1995, 1995-1999, 1999-2003 e 2003-2007. No dia 23/01/2014, Streck causou indignação em vários leitores do Jornal O Sul ao criticar o destaque que a TV Globo vinha dando a personagens homossexuais na novela Amor a Vida. Em sua coluna Streck chegou a dizer que o homossexualismo (sic) é uma doença. Atrelou a isso, o subdesenvolvimento nacional por aceitar um amor gay na novela das oito. Que tal? O pior, fez parecer que a homossexualidade é doença contagiosa, viral, que não pode ser exposta sob pena do contágio universal. Tá pra ti?

Não. A comunidade médica é unânime ao afirmar que nenhuma orientação sexual é doença. Em 1973, a Associação Americana de Psiquiatria retirou a palavra da lista de transtornos mentais ou emocionais e a decisão foi seguida por todas as entidades de psicologia e psiquiatria no mundo. É preciso acabar com essa visão ignorante, preconceituosa e discriminatória que sobrevive em todos os cantos da terra! Sobrevive aqui, ao nosso lado e em cada esquina.

Não, o amor entre seres iguais NÃO É DOENÇA e o PRECONCEITO É CRIME!

Você sabe a quantidade de crueldades já sofridas pelos homossexuais ao longo dos tempos?

Forca
Nas colônias protestantes dos EUA, no século 17, a sociedade era tão puritana que esse era o destino de quem cometesse “atos indecentes”.

Prisão
Na Inglaterra, em 1895, Oscar Wilde foi condenado a ficar dois anos preso por seus relacionamentos “antinaturais”.

Hipnose
No fim do século 19, tomou força a teoria de que a homossexualidade era uma doença mental, e deveria ser tratada. Em 1899, um certo Dr. John D. Quackenbos tratava com hipnose não só a homossexualidade como a ninfomania e a masturbação.

Castração
Em 1898, o Instituto Kansas de Doenças Mentais castrou 48 meninos. Certos pacientes buscavam voluntariamente a cirurgia de extração de testículos, acreditando que isso curaria seu desejo sexual.

Choques
Em 1937, em Atlanta, médicos prometiam que seus pacientes desistiriam do “vício” depois de dez sessões de eletrochoques.

Aversão
Nos anos 50, na Checoslováquia, pacientes tomavam uma droga indutora de vômito e eram obrigados a ver cenas de homens nus. Depois, recebiam um injeção de testosterona e eram expostos a imagens de mulheres nuas.

Lobotomia
O tratamento foi usado no começo do século 20, até que, em 1959, um relatório do Hospital Estadual Pilgrim, em Nova York, avaliou 100 casos e concluiu que os pacientes continuavam homossexuais.

Você sabe o que ainda está acontecendo?

Assassinatos. Hoje, em 2014, um LGBT é violentamente assassinado a cada 26 horas no Brasil.

Essa violência ficou fora do controle do governo federal e dos governos estaduais. É preciso que haja uma lei que equipare a homofobia ao racismo, urgente, e que coloque na cadeia pessoas que defendam idéias semelhantes à desse Adroaldo.

NÃO, O AMOR ENTRE OS IGUAIS NÃO É DOENÇA e PRECONCEITO É CRIME!

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Redes sociais também servem para formar público

Ontem, a Luciana, que trabalha em casa, me perguntou se eu já tinha visto um vídeo sobre o qual estava todo mundo falando, de um tal de Diogo Mainardi. 

Ela usou essa expressão "Cara, vi no facebook. É muito maneiro a mulher põe ele no lugar dele. O cara mora lá na Europa e vem dizer que aqui no Brasil só tem caloteiro. Vá se catar. Ela falou que ia provar que aqui tá todo mundo pagando suas dívidas". 

Deu pra entender a importância de repercutir aquele vídeo nas redes sociais? 


O povo pouco assiste à Globo News, ainda mais tarde da noite num domingo, mas muito vê o que se posta no facebook.

Desmoralizar um homem como Mainardi que torce contra o Brasil e se orgulha de ter deixado o país e esses brasileiros para trás me soa até como dever militante na comunicação.


Ninguém quer transformar Luiza Trajano em ídolo nacional. Até porque ela não tem mérito algum pra isso, o nome dela pouco é lembrado no episódio e daqui a duas semanas o papel dela será esquecido no fato. Mas Mainardi tem espaço semanal na mídia tradicial para continuar com seus ataques aos movimentos sociais e toda e qualquer medida que seja benéfica aos mais carentes deste país.

Quero muito crer que uma pessoa como a Luciana não vai acreditar nele numa segunda vez que o vir falando. Pode ser que sim, mas a possibilidade diminui.

Isso é formação de público. Precisamos continuar fazendo isso. É dever nosso.




PS:  E também é dever de todo cidadão de bem boicotar uma loja como o Magazine Luiza, que aumenta seus lucros em cima de direitos trabalhistas não pagos devidamente. Uma coisa não justifica a outra, tá!

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Relembrando FHC

Pra gente nunca esquecer como eram tratados os trabalhadores que exigiam seus direitos nessa época...

Matéria disponível no perfil de @RodP13, no twitter.






domingo, 19 de janeiro de 2014

Por trás da super capa...

Não existe Super Mulher que não sonhe, pelo menos um dia, em ser apenas uma menina que só quer afago, proteção e compreensão.

Sobre relações sexuais

"O uso respeitável dos patrimônios da vida, a união enobrecedora e a aproximação digna constituem o programa de elevação. É, portanto, indispensável distinguir entre harmonia e desequilíbio, evitando o estacionamento em desfiladeiros fatais."

(Espírito Alexandre em Missionários de Luz)

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

A nova Paulista: Estou pronta pra dar um "rolezinho"

Ontem, eu fiquei completamente estarrecida ao ver um amigo muito querido e super do bem, defendendo "porrada nesses vagabundos dos rolezinhos". Ao debater com ele, vi vários amigos dele com os mesmos argumentos separatistas.

Fiquei chocada pela forma cega como eles defendiam a violência contra pobres, mesmo sem se dar conta de que era isso que estavam fazendo ao defender "porrada nos jovens dos rolezinhos".

Mas, hoje, ao ver a enxurrada de gente indignada como eu com essa tentativa de apartheid brasileiro, meu coração se encheu de esperança novamente. Não podemos mesmo nos calar diante de um absurdo desse. Como bem disse meu amigo Marcus Lopes, "O shopping sempre foi a anti-cidade, o Forte Apache daqueles que não suportam a mistura e amam o seu mundinho de fantasia com temperatura ambiente de 23°C. Há décadas as ruas comerciais e os parques cederam lugar para esses espaços encaixotados e encantados que vendem um mundo de ilusão e seguro.tomar o shopping significa tomar o templo seguro, a Bastilha da classe média que, agora sim, ficará apavorada."

E se os shoppings virarem a nova Paulista como profetiza o colunista da Folha de S. Paulo Fábio Zanini, nunca terei gostado tanto de um... Estou pronta pra dar um "rolezinho".



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13/01/2014 - 03h00

Fábio Zanini: A nova Paulista


SÃO PAULO - Fui muitas vezes a Johannesburgo, na África do Sul, uma cidade viciada em shopping centers. São enormes, com escritórios, restaurantes e boates acoplados, onde o sujeito trabalha, come, diverte-se e até demonstra seu patriotismo. Na recente morte de Nelson Mandela, uma das maiores concentrações de buquês de flores formou-se aos pés de uma estátua dele no principal shopping da cidade.

Johannesburgo é uma cidade degradada, assim como São Paulo, outra que gosta muito de shoppings, embora não seja tão obcecada por eles como a metrópole sul-africana.
Quando as ruas e praças são feias e perigosas, são substituídas por esses locais fechados, onde há ao menos uma sensação de conforto e segurança. Não por acaso, supershoppings são raros na Europa.

Shoppings quebram as barreiras do que é público e privado. São ao mesmo tempo as duas coisas. Vem daí a dificuldade de lidar com os "rolezinhos", essa nova maneira de protestar de jovens que ontem descambou para seu primeiro episódio de violência, em Itaquera.
Estará procurando encrenca o dono de um desses estabelecimentos que tentar blindar a entrada com base no direito à propriedade privada. A lei pode até ampará-lo, mas a realidade, não. É impossível isolar espaços que hoje são parte da vida da cidade.

A foto de um PM tentando dar um golpe de cassetete num jovem, na capa da Folha de ontem, traz lembrança imediata de outra bem parecida, da edição de 14 de junho do ano passado, em que um policial desce borrachada num casal na avenida Paulista.
Naquele momento, a imagem agressiva ajudou a dar gás aos protestos de junho. O mesmo pode acontecer agora. Para a turma dos "rolezinhos", os shoppings são a nova Paulista.
Pelo menos na avenida, após anos de manifestações, as autoridades sabem um pouco o que esperar. Desta vez, ninguém tem ideia de como agir.

domingo, 12 de janeiro de 2014

Quando o pobre invade o limite que lhe foi dado, é caso de Polícia

Quando as UPPs surgiram no Rio de Janeiro, com a promessa de pacificar as favelas, virou moda entre gringos e ricos, fazer grupos de visitas às favelas. Todos curiosos para conhecer aquele mundo desconhecido, vendido pela Globo como, apesar de muito violento, cheio de gente feliz, mulher gostosa e que vive fazendo festa na laje. Reportagens na imprensa davam conta de que todos eram sempre muito bem recebidos lá nos morros. Os "favelados" tinham orgulho de mostrar como era seu habitat.

Pena que quando o comboio é inverso, a recepeção é feita com porrada e spray de pimenta. 


Desde o ano passado, jovens pobres de São Paulo começaram a achar que poderiam conhecer pessoalmente os bonitos shoppings que invadem suas casas por meio da TVs compradas a prestação, e também passaram a organizar seus comboios. Pelas redes sociais, começaram a marcar os "rolezinhos", encontros coletivos de moleques da periferia para passear em shoppings centers. 


O que eles não esperavam é que a ousadia de invadir o espaço da classe média fosse dar em polícia, porrada e decisão da Justiça precavidamente, impedindo-os de entrar em alguns shopping da cidade.

Apartheid velado, mas já nem tão mais velado assim.

Porque rico invadir espaço de pobre quando quiser pode, mas pobre não pode incomodar a classe média, acomodada em seu pequeno luxo. Mesmo que o incômodo seja só "Ei, a gente existe e também quer vir aqui". Na matéria da Folha de S. Paulo que segue abaixo (e olhem que foi a Folha(!), a própria assessoria de imprensa do shopping admite que não houve qualquer registro de dano, furto ou roubo no local. Ou seja, crime mesmo, só os que vitimizaram os jovens.

E o que temos com isso?

Na minha timeline nas redes sociais, vi apenas um amigo se manifestando com algo como "Tem mesmo é que baixar a porrada". Mas, com o teor do comentário de Junior, em sua página vieram outros amigos dele, que se manifestaram da mesma forma, com frases como "Tem que dar porrada mesmo nesses vagabundos", "Tem é que levar porrada da PM pra aprender, já que em casa não aprende" e "Se querem passear, porque não vão ao museu ou parques?".

Fiquei completamente estarrecida. Será que é muito difícil das pessoas entenderem que os garotos não cometeram crime algum? Tanto que a própria assessoria de imprensa do Shopping emitiu nota na qual diz isso.

Sobre o argumento de que "Se querem passear, porque não vão ao museu ou parques?". Simples. Cultura de massa. Já ouviram falar? Pois é. Ora, se eles escutam falar em shoppings e coisas do tipo, porque mesmo vão passear na Pinacoteca? Fala sério! Se quem sabe a importância de um museu, não faz, imagine um adolescente da periferia... 

Esse fenômeno dos rolezinhos realmente merece atenção do Poder Público. Mas não é de forma coercitiva, não é com "porrada" da Polícia. 

Esses meninos precisam de educação e coisa para fazer em seus próprios bairros. Acredito que se eles tivessem cinema, teatro, esportes, certamente, não estariam ociosos assim. E, na boa, entre estarem em rolezinhos ou, usando drogas nas periferias, é melhor que estejam nos rolezinhos. 

Projetos comos os CEUS, que a Marta implantou no ínicio dos anos 2000, levava essa molecada para as escolas aos finais de semana. Putz, que massa! É isso que tem que acontecer. Estimulá-los a fazer coisas boas e produtivas. A violência eles já conhecem. Nos bairros onde moram tem violência de sobra. Conhecer o encanto dos shoppings também passa por se distanciar desse mundo cão deles. 

Definitivamente, isso não é um caso de polícia. É tudo, menos de polícia.
E repito: eles não cometeram nenhum crime, além o de invadir o cômodo espaço de quem faz questão de fazer de conta que essa triste realidade não existe.

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PM usa bombas e bala de borracha em 'rolezinho' em SP; dois são detidos


ANA KREPP
FELIPE SOUZA
DE SÃO PAULO
11/01/2104, às 20h05 / Atualizado às 21h34.
A Polícia Militar usou bombas de gás lacrimogêneo e efeito moral, além de balas de borracha, contra um grupo de jovens que participava de um encontro conhecido como "rolezinho" em São Paulo. O confronto ocorreu no início da noite deste sábado (11), em frente ao shopping Itaquera, na zona leste da cidade.

Segundo a Polícia Militar, cerca de mil pessoas participaram do encontro marcado por meio de redes sociais, enquanto o shopping estima que 3.000 jovens estavam no encontro. Uma funcionária de um restaurante do local desmaiou e foi retirada de maca. Não há informações sobre o estado de saúde dela.

Duas pessoas foram detidas e encaminhadas a uma delegacia da região. A PM informou que eles participaram de depredações a lojas do terminal de ônibus Itaquera.
A assessoria de imprensa do centro comercial informou que não houve ocorrência de furtos ou roubos. Os lojistas, porém, tiveram que abaixar as portas durante cerca de uma hora.

Ao menos seis shoppings de São Paulo conseguiram uma liminar na Justiça para impedir os encontros de jovens conhecidos como "rolezinhos". Em São Paulo, os shoppings JK Iguatemi, Itaquera e Campo Limpo foram beneficiados pela decisão temporária.
Mesmo assim, os jovens entraram no shopping e começaram a cantar e andar em grupos. Policiais militares aplicaram golpes de cassetete em alguns deles e retirou os jovens do local. Na rampa que liga o centro de compras ao metrô, os policiais usaram bombas e balas de borracha para dispersar o grupo.

O shopping foi fechado e apenas a entrada de pessoas identificadas como não participantes do "rolezinho" foi permitida pela polícia.

No terminal de ônibus que fica embaixo da rampa de acesso ao shopping, os policiais voltaram a usar balas de borracha e bombas contra os jovens.
Às 19h45, a Polícia Militar informou que a situação era "crítica na estação Itaquera" e que "todo o policiamento está apoiado" para atender a ocorrência. Assim, só terá mais informações "com um pouco mais de tempo."

A polícia disse ainda que, durante o confronto no terminal, "diversas lojas foram danificadas."

Já há um novo encontro marcado para a próxima semana no mesmo local. Ao menos 600 pessoas já foram convidadas para se encontrar no shopping Itaquera no sábado (18), às 16h30.

Foto: Bruno Poletti/Folhapress

Policial militar usa cassetete para intimidar jovem durante "rolezinho" no shopping Itaquera, na zona leste de SP
Policial militar usa cassetete para intimidar jovem durante "rolezinho" no shopping Itaquera, na zona leste de SP